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Ralph Breaks the Internet

Ano: 2018

Realizador: Phil Johnston, Rich Moore

Actores principais (voz): John C. Reilly, Sarah Silverman, Gal Gadot

Duração: 112 min

Crítica: Há dois anos escrevi nestas páginas um post intitulado "30 de Junho de 2016 – O dia mais negro da história recente da Disney”. Referia-me ao dia, para mim fatídico, em que a Disney anunciou que no final de 2018 lançaria a sequela de ‘Wreck-it-Ralph’ (2011). Para o espectador insuspeito, isto aparentemente não tinha nada de surpreendente. Afinal todos os grandes estúdios de animação americanos, a Pixar, a Dreamworks, o Blue Sky e a Illumination dependem principalmente das sequelas para terem sustentabilidade. O maior ganha pão do Blue Sky são os filmes ‘Ice Age’, e quer a Pixar quer a Dreamworks têm receitas de bilheteira muito superiores quando lançam sequelas dos seus grandes sucessos do que quando lançam filmes originais. Nem de propósito, o filme de animação mais visto deste ano (e um dos mais rentáveis de sempre) foi ‘Incredibles 2’.

A questão aqui é que a Disney sempre se distinguiu destes estúdios por manter a sua integridade, como quem diz, sempre se recusando a fazer sequelas dos seus clássicos. Ou melhor, todos sabemos que existe um ‘Rei Leão 2’ (e 3!) e um ‘Cinderella 2’ (e 3!) e um ‘Bambi 2’, etc, etc, etc. Mas todos estes filmes foram feitos em formato straight-to-video, primeiro para o mercado de VHS dos anos 1990, mais tarde para o mercado de DVDs/Blu-rays e agora para o mercado de streaming ou para suportar a programação do Disney Channel. Estas obras (apesar de algumas terem vendido bastante) sempre foram feitas com este rótulo de inferioridade. A Disney nunca pretendeu enganar ninguém, nunca se baixou ao ponto de as lançar no grande ecrã com enorme alarido só para fazer mais uns trocos, quando estava implícito que a qualidade simplesmente não iria corresponder. Todos sabemos que a Dreamworks parou de fazer ‘Shreks’ porque o quarto filme já nada tinha para oferecer criativamente. Neste momento a saga dos Minions/Despicable Me da Illumination ou a saga ‘Ice Age’ do Blue Sky já estão totalmente gastas, mas a preguiça criativa dos estúdios, e a preguiça comodista dos espectadores que se contentam com estas sequelas, fez com que se tornassem um standard da indústria, em vez de uma excepção.

"Num estúdio que não fez sequelas cinematográficas de ‘Tangled’ (2010) ou do massivo ‘Frozen’ (2013) foi incrivelmente surpreendente, à primeira vista, que se tenha decidido pôr em produção uma sequela de ‘Wreck-it-Ralph’. No entanto até faz sentido. ‘Wreck-it-Ralph’ é o filme “mais Pixar” ou “mais Dreamworks” que a Disney alguma vez produziu, pelo que a entrar na rentável luta das sequelas, esta é uma lógica primeira opção."

Na realidade, de todos os 56 filmes da lista oficial da Walt Disney Animation, apenas três haviam sido sequelas, por motivos muito particulares. ‘Rescuers Down Under’ (1990) entrou em produção como parte da veia revivalista que encabeçada por ‘The Little Mermaid’ (1989) e ‘Beauty and the Beast’ (1991) originou a segunda idade de ouro do estúdio (o original de 1977 tinha sido o único raio de luz de uma das décadas comercialmente mais negras do estúdio). Idem para ‘Fantasia 2000’; depois do mega-sucesso comercial dos filmes da Disney dos anos 1990, a mítica visão de Walt Disney (que sempre havia sonhado criar uma sequela do filme original de 1940) finalmente se pode tornar uma realidade. E por fim ‘Winnie the Pooh’ (2011) surgiu como uma “sequela”, ou pelo menos outra aventura no reino do ursinho Pooh, com o objectivo claro de o introduzir a uma nova geração, visto que desde o filme original de 1977 todas as obras deste universo (como o delicioso ‘The Tiger Movie’, 2000) haviam sido produzidas straight-to-video.

Portanto, num estúdio que não fez sequelas cinematográficas de ‘Tangled’ (2010) ou do massivo ‘Frozen’ (2013) foi incrivelmente surpreendente, à primeira vista, que se tenha decidido pôr em produção uma sequela de ‘Wreck-it-Ralph’. No entanto, se pensarmos mais um pouco, até faz sentido. ‘Wreck-it-Ralph’ é o filme “mais Pixar” ou “mais Dreamworks” que a Disney alguma vez produziu, pelo que a entrar na rentável luta das sequelas, esta é uma lógica primeira opção. Contudo, não deixa de ser uma decisão crucial na história do estúdio. Todos sabemos que a Disney tentou suster a sua animação “à mão” mais tempo que qualquer outro estúdio (afinal, foram eles que a inventaram!), mas desistiu quando as suas receitas não se comparavam com aquelas que a Pixar e a Dreamworks estavam a ter no início dos anos 2000. Mas também sabemos que quando tentaram ir imediatamente ao extremo oposto com obras como ‘Chicken Little’ (2005) ou ‘Meet the Robinsons’ (2007), a coisa não correu muito bem. Uma coisa é imitar a Pixar; a outra coisa é ser a Pixar.

A compra da Pixar permitiu à Disney relaxar um bocado, e finalmente encontrou o seu lugar com ‘Tangled’ (e depois com ‘Frozen’ e ‘Moana’), ou seja, com um estilo híbrido, cedendo ao CGI mas mantendo a integridade, os valores e até o traço da velha Disney. A mudança de John Lasseter para a direcção da Disney muito contribuiu para isso, bem como para o estúdio encontrar o seu próprio estilo computadorizado fora do “universo das princesas”. ‘Wreck-it-Ralph’, ‘Big Hero 6’ (2014) e ‘Zootopoia’ (2016) são bons filmes de animação que permitiram ao estúdio ter outra liberdade criativa. Mas também permitiu aos produtores, suponho, ter menos pudor em aprovar sequelas para eles. Ou pelo menos tenha sido mais fácil fazê-lo do que tomar a importante decisão de aprovar uma sequela para um clássico de princesas, historicamente associados ao straight-to-video. Provavelmente quiserem ver como seria a aceitação do público da sequela de ‘Wreck-it-Ralph’, antes de passarem para um ‘Frozen 2’.

"O filme prometia ser uma genial alegoria dos nossos tempos, criticando com inteligência e humor o mundo digital moderno (...) e as convenções do universo Disney (...) Infelizmente, há muita pouca vida para além do trailer, há muito pouco filme para lá da camada superficial; esse ténue chamariz que leva as pessoas a comprar o bilhete"

Portanto duas questões existencialistas se colocavam quando me preparei para ver a ‘Ralph Breaks the Internet’ no cinema nesta época natalícia. A primeira era prospectiva: qual seria o impacto desta sequela no rumo criativo do estúdio? Neste momento a Disney está dedicada às “re-imaginações” em imagem real dos seus clássicos. Mas à velocidade que vão, vão esgotar esse filão numa década, portanto as sequelas de animação parecem ser a próxima aposta segura. Se resultam para todos os outros estúdios, resultarão certamente também para a Disney. A segunda questão era para ser respondida no momento: conseguiria a Disney distinguir-se dos outros estúdios, apresentando uma sequela fresca e com capacidade de se suster sozinha (lembram-se o quão bom foi ‘Toy Story 2’, apenas o terceiro filme da Pixar…)? Dou a resposta à primeira pergunta no final desta crítica. A segunda posso responder já: NÃO.

O primeiro ‘Wreck-it-Ralph’ é um filme bastante interessante. O seu universo de base, passado dentro dos jogos de arcada já um pouco ultrapassados pelo tempo, está excelentemente construído. E se a moral subjacente é um pouco mais do mesmo, o filme ganha pela forma ternurenta como engloba o espectador neste universo e pela forma como articula e faz evoluir as duas personagens principais; o gigante simpático mas trapalhão Ralph, carente de aceitação (o mais que adequado John C. Reilly num papel que não podia ser doutro) e a impetuosa Vanellope, sedenta de aventura (com a extraordinária voz de Sarah Silverman). Ambos estes factores de sucesso (o contexto e a química entre as personagens) seriam difíceis de transportar para um segundo filme, mas não podemos dizer que as expectativas eram más. A sequela foi alvo de uma magistral (sim, chamemos-lhe magistral) campanha de marketing, com trailer hilariante atrás de trailer hilariante. Ralph, o arcaico vilão tornado herói do mundo nostálgico dos videojogos dos anos 1990, iria parar à internet, e o filme prometia ser uma genial alegoria dos nossos tempos, criticando com inteligência e humor o mundo digital moderno; o mundo das redes sociais, do “politicamente correcto”, da indignação comodista, da fama fácil, do conhecimento instantâneo mas não necessariamente fidedigno. E pelo caminho, iria também criticar, com uma suposta madura autoconsciência, as convenções, também elas agora retrógradas, do universo Disney.  A cena da visita da Vanellope às princesas da Disney no universo digital Oh My Disney foi vista e revista em tudo o que era trailer e featurette, como se fosse essa e só essa a única grande cena do filme.

Pois bem, o grande problema, pelo menos para mim, é que muitos críticos neste mundo moderno não olham para além da fachada e parecem escrever as suas críticas baseadas unicamente no trailer. Sim, o trailer é todas essas coisas; sagaz, inteligente, acutilante e hilariantemente alegórico. Mas o filme não é só o trailer, pois não? E no caso de ‘Ralph Breaks the Internet’, como no caso de muitas sequelas que andam para aí (sejam de animação ou não) há muita pouca vida para além do trailer, há muito pouco filme para lá da camada superficial; esse ténue chamariz que leva as pessoas a comprar o bilhete e que só funciona porque no mercado moderno o filme é ganho ou perdido no primeiro fim de semana - não fica três ou cinco meses nas salas de cinema como ficava há vinte anos. Assim, não interessa que o filme seja bom. Só interessa conseguir que o espectador compre aquele bilhete no primeiro fim de semana, antes de se saber a verdade sobre o filme. E a verdade sobre ‘Ralph Breaks the Internet’ não é, na minha opinião, muito famosa.

"Estaríamos dispostos a suportar o moroso melodramatismo da primeira parte se na segunda, dentro da internet, o filme correspondesse às expectativas. Mas não corresponde. O percurso emocional e argumental que as personagens percorrem é totalmente espasmódico. Não há propriamente um rumo coerente, antes uma sucessão de ideias desconexas (quer em termos de história e piadas) que o filme vai acumulando enquanto o tempo passa."

O início do filme leva-nos de volta à velha arcada de jogos. Se poderá parecer um bocado mais vazia e mais esquecida, as personagens dos jogos mantêm a sua rotina habitual, fazendo o seu trabalho dentro do jogo e depois deslocando-se até à “tomada” (a estação central) para socializarem uns com os outros. Enquanto o velho operador lê as instruções para instalar esta nova coisa chamada "a internet", reencontramos Vanellope e Ralph. Ele está completamente saciado com este dia-a-dia. Ela não. A historieta do costume. Mais jovem e impetuosa, Vanellope está farta do seu jogo; já conhece todas as pistas, todos os atalhos, todos os segredos, todos os níveis, e anseia por mais. Contudo, não explora mais o assunto com medo de ofender o seu grande amigo Ralph. Repito: o costume, tornado ainda mais moroso porque o filme dedica bastante tempo a este enquadramento (pelo menos a primeira meia hora).

O problema que impele a acção acontece quando Venellope, procurando explorar uma nova pista no seu jogo (criada por Ralph) entra em conflito com a rapariga real que está na arcada a jogá-lo. A jogadora quer ir por um lado, Venellope (a avatar), por outro, o que faz com que o volante se parta. Infelizmente, como o jogo é antigo, o fabricante há muito deixou de produzir as peças. Há um único volante à venda no ebay, mas está a um preço demasiado elevado para o velho dono da arcada poder suportar. Assim toma a decisão de desligar o jogo, felizmente só após Venellope e os seus companheiros conseguirem fugir para a central localizada na tomada. Contemplando a tristeza depressiva da sua amiga, Ralph decide que o que há a fazer é ir à tal internet e ao tal ebay comprar o volante que salvará o jogo. Assim, sem mais delongas (finalmente!), Ralph e Venellope aventuram-se pelo rooter fora e entram de rompante no fantástico mundo da internet.

Estaríamos dispostos a suportar o moroso melodramatismo da primeira parte se nesta segunda parte, dentro da internet, o filme correspondesse às expectativas. Mas não corresponde. O percurso emocional e argumental que as personagens percorrem dentro da internet é totalmente espasmódico. Não há propriamente um rumo coerente, antes uma sucessão de ideias desconexas (quer em termos de história, quer em termos de piadas) que o filme vai acumulando enquanto o tempo passa. O desconhecimento de ambos leva a uma primeira série de sequências exploratórias onde navegam pelos sites e apps mais populares (não digo icónicos) da internet. O product placement é obviamente brutal, com inúmeras marcas a darem o ar da sua graça... mas a preço de ouro (a Disney deve ter feito uma pipa de massa!). Outras, contudo, claramente devem ter-se recusado a ceder os direitos de imagem, como o Youtube que passa a chamar-se BuzzTube. Isto, a juntar ao estilo de humor adoptado, tornam o filme extremamente datado. Daqui a dez ou quinze anos, quando todos estes sites e apps tiverem sido substituídos por outros, o filme ainda terá o mínimo de apelo? Provavelmente não. O humor sustido na familiaridade do público perder-se-á. Mesmo assim não podemos dizer que, aqui e agora, o filme não é também alegórico e acutilante por esses mesmos motivos. Até acaba por ser, mas só de raspão, porque nunca quer morder a mão que o alimenta. Fica-se sempre pela superficialidade da crítica social.

"Daqui a dez ou quinze anos, quando todos estes sites e apps tiverem sido substituídos por outros, o filme ainda terá o mínimo de apelo? Provavelmente não. O humor sustido na familiaridade do público perder-se-á (...) Além disso, a internet existe apenas marginalmente, um escape cómico que não está directamente associado ao desenrolar dos eventos, nem ao desenvolvimento da relação entre Ralph e Venellope"

Outra falha imediatamente identificável (comum aos mais recentes filmes de animação) é que as cenas mais hilariantes do filme já tinham sido vistas e revistas no trailer (como Ralph a ir à barra de pesquisa estilo Google), e portanto o filme tem dificuldade em gerar interesse nas cenas não vistas anteriormente. Estas envolvem o encontrar do cobiçado volante, que acidentalmente acabam por comprar por uma quantia astronómica. Assim têm de vaguear pela internet à procura de dinheiro. Enquanto Ralph se tenta tornar uma estrela do Youtube (perdão, do Buzztube) produzindo toda a espécie de vídeos virais, Venellope vai parar a um jogo chamado Slaughter Race onde procura um cobiçado artefacto que poderá vender na “darknet” (outra ideia interessante que não é explorada como deveria).

Na Slaughter Race Venellope encontra tudo o que sempre quis. Um jogo de corridas diferente, ousado, inovador e sem regras, onde pode encontrar a sua verdadeira vocação sob a tutela de Shank (voz de Gal Gadot). Até acaba por lhe cantar um hino (escrito por Alan Menken!) inspirada pelo seu tête-à-tête com as princesas da Disney. Independentemente disso, o filme usa os ambientes da Slaughter Race para oferecer o dinamismo que a alegoria à internet não tinha conseguido dar, embora talvez por isso exista desgarrado dela. Ou seja, o Slaughter Race poderia ter sido introduzido na película como um novo jogo da arcada, sem que qualquer referência à internet fosse necessária, e resultaria praticamente de igual forma em todos os aspectos emocionais. Ao percebermos isto, deixamos de achar estranho que o filme acabe por ser estruturalmente demasiado semelhante ao primeiro (aliás Shank é muito parecida visualmente com a personagem Calhoun do filme original). 

De igual forma, o último acto, com um vírus muito particular a ameaçar destruir a internet, é também estruturalmente semelhante porque se analisarmos ao detalhe percebemos que de novo a destruição que importa não é a da internet em si, mas a do mundo que faz Venellope feliz (tal como no primeiro filme). Assim a internet existe apenas marginalmente, um escape cómico que não está directamente associado ao desenrolar dos eventos, nem ao desenvolvimento da relação entre Ralph e Venellope (que algures pelo caminho vão ter a habitual desavença para justificar o “drama”). Mas tudo se resolve depressa e está bem quando acaba bem, com cada um a encontrar o seu lugar enquanto aceita os outros como são. A felicidade, a um jogo de computador de distância. Internet? No final nem se lembram que ela existe.

"O filme tem pouco ou nada para oferecer para além de bons gráficos e umas piadas fáceis. É uma típica sequela; repete a história do primeiro filme dando-lhe uma nova roupagem (...) não necessariamente mais coerente ou mais bem trabalhada emocionalmente (...) Não é um filme para a intemporalidade. É um filme para o aqui e o agora. (...) É um trailer de 3 minutos transformado em filme, com exactamente o mesmo conteúdo."

Assim, o problema para mim com ‘Ralph Breaks the Internet’ não é propriamente a sua moral (embora não acrescente absolutamente nada de novo), nem as suas personagens (Ralph e Venellope pouco evoluem mas continuam a ser – até ver – personagens interessantes), nem mesmo a ousadia de algumas referências internas (as princesas da Disney voltam a aparecer mais para o final e é sempre bom ouvir algo composto por Alan Menken). O meu grande problema é que o filme tem pouco ou nada para oferecer para além de bons gráficos e umas piadas fáceis. ‘Ralph Breaks the Internet’ é uma típica sequela; repete a história do primeiro filme dando-lhe uma nova roupagem; mais épica, mais espalhafatosa e em ambientes mais ambiciosos, mas não necessariamente mais coerente ou mais bem trabalhada emocionalmente. A meio o filme torna-se pura e simplesmente enfadonho. Já percebemos a quilómetros de distância como a relação entre Venellope e Ralph vai terminar e por muito que tente inovar com a crítica contemporânea, reverte para os mesmos lugares comuns uma e outra vez (como no caso da “ameaça” final). O facto das cenas mais distintivas serem já conhecidas faz com que estes elementos, supostamente os pontos altos do filme, se diluam por entre outros mais esquecíveis.

Apesar da internet começar por ser sempre um meio para um fim nos vários estados deste filme (a busca do volante, a busca por dinheiro, a busca de algo mais na vida), nunca impele realmente os grande saltos aventureiros ou emocionais das personagens. Queda-se por sustentar um conjunto de piadas interessantes, sim, mas fáceis, que perderão o interesse quando esses elementos perderem o seu lugar na vida real com o inevitável passar do tempo. ‘Ralph Breaks the Internet’ não é um filme para a intemporalidade. É um filme para o aqui e o agora. Um produto dos nossos tempos que nunca será recordado como um clássico da Disney pelos filhos dos nossos filhos. Será simplesmente mais um, num universo cinematográfico que nos últimos anos só se digna a oferecer-nos, precisamente, mais um.

Respondendo à questão que coloquei inicialmente, se todas as vindouras sequelas dos clássicos de animação forem como esta, então o futuro é tão negro quanto eu o já pintei. Este é um filme sem conteúdo, apenas uma fachada que à primeira vista parece apelativa mas depois não tem absolutamente nada que a sustenha. Essa é a ironia suprema que o filme contém, e o maior pedaço de introspecção relativo aos nossos tempos. ‘Ralph Breaks the Internet’ é um trailer de 3 minutos transformado em filme  com exactamente o mesmo conteúdo. A Disney pode e deve fazer melhor. O problema é que não parece querer. E o público também não o parece exigir. É o cinéfilo mais dedicado, apanhado no meio desta corrente de comodismo, que fica sempre, sempre, sempre a perder.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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