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30 de Junho de 2016 – O dia mais negro da história recente da Disney

30 de Julho de 2016. A passada quinta-feira. Foi um dia que começou como qualquer outro dia. Para mim começou cedo, com o rebento a querer o pequeno-almoço a uma hora extremamente matutina e a promessa de um longo dia de trabalho pela frente, que desaguaria na excitante festança, semi-hilariante, semi-deprimente, que é ver selecção portuguesa jogar à bola.

Não iria ser certamente um dia para arranjar duas horas para ver um filme, mas uma pessoa (ou pelo menos eu), arranja sempre uns minutos para dar um salto à internet para ler as últimas da sétima arte. E foi assim que, entre a digestão da leitura de um artigo científico e o início da leitura do seguinte, liguei o facebook (pois, é verdade, que escândalo!) e descobri que a Disney estava a emitir em directo. Mais concretamente, o realizador Rich Moore, de ‘Wreck-it-Ralph’ (2011) e ‘Zootopia’ (2016), e Phil Johnston, o argumentista de ambos os filmes, estavam num clima de excitação a revelar, em primeira mão, o segredo mais bem guardado do estúdio: qual o seu filme para 2018. Depois de muito engonhanço e da entrada em cena de John C. Riley (o que tornou a coisa bastante previsível) o nome do filme lá foi anunciado: ‘Wreck-it-Ralph 2’, com estreia marcada para 9 de Março de 2018.

‘Wreck-it-Ralph 2’?! Ouvi bem? ‘Wreck-it-Ralph 2’?! A sério?! Neste momento o leitor está a pensar qual é a grande excitação, se já há tantas sequelas de filmes de animação. O que é mais uma? Ou então está realmente a partilhar da mesma excitação destes três senhores, e já está a marcar a data no seu calendário. Mas pela minha parte não posso ter essa atitude. Sinceramente, fiquei totalmente incrédulo, de boca aberta. Boas notícias? Como é que isto pode ser considerado uma boa notícia?! Para o historiador do cinema de animação, como eu, este anúncio é o augúrio de um dos períodos mais negros, pelo menos em termos criativos, da história recente da Disney. Passo a explicar.


Hoje em dia os estúdios de animação proliferam através das suas sequelas. Os estúdios mais pequenos são totalmente sequelo-dependentes para sobreviver e financiar os seus restantes filmes. O 11º filme do Blu Sky Studios que será lançado dentro de poucas semanas já é o quinto ‘Ice Age’. A Illumination só existe desde 2010 e só lançou cinco filmes, mas três deles pertencem ao universo de Gru e dos Minions. A Dreamworks já leva mais de trinta filmes no seu cânone, mas foi com as sequelas de ‘Shrek’ (já fez quatro) que arrecadou os seus primeiros milhões e desde então já criou várias franchises, como as de ‘Madagascar’ (três filmes) ou do ‘Kung Fu Panda’ (três filmes). A própria Pixar, fruto de uma notória falta de imaginação a partir de meados da década de 2000, à qual já me referi várias vezes nestas páginas, já virou para o lado negro da força, como quem diz cedeu à tentação das sequelas: ‘Toy Story 3’ (2010), ‘Cars 2’ (2011), ‘Monsters University’ (2013), ‘Finding Dory’ (2016), ‘Cars 3’ (previsto para 2017), ‘Toy Story 4’ (previsto para 2018), ‘The Incredibles 2’ (previsto para 2019).

Mas a Disney… a Disney é a elite das elites, o estúdio seminal que passou por vários períodos difíceis é certo (os anos da Guerra na década de 1940, após a morte de Walt nos anos 1960, os tenebrosos anos 1980 antes do renascimento, a década de 2000 com o advento da animação computadorizada), mas nunca perdeu a sua dignidade. A Disney pode agora ser o maior império cinematográfico existente, uma máquina de fazer dinheiro, e a fábrica por excelência da animação, de vários tipos e a vários níveis (cinema, televisão, outrora VHS, agora directos-para-DVD e blu-ray) mas sempre soube separar muito bem as coisas.

A contagem oficial dos filmes do Disney Animation Studios vai, com ‘Zootopia’, “apenas” no número 55 desde o Big Bang que foi ‘Snow White and the Seven Dwarfs’ em 1939. Esta é uma contagem que foi oficializada nos anos 1980 (certamente para promover a venda dos VHS com a clássica manobra de marketing: ‘já os tem todos?!”) respeitante só e somente às longas-metragens de animação que o estúdio lançou no grande ecrã. De fora da lista ficou todo o restante espólio, quer de imagem real (desde ‘20,000 Leagues Under the Sea’, 1954, e a fundação da Walt Disney Pictures) quer de animação secundária levada a cabo por estúdios subsidiários como o DisneyToons. É do DisneyToons por exemplo, a obra-prima ‘A Goofy Movie’ (1995), um spin-off da série de grande sucesso do Disney Channel ‘Goof Troop’. São do DisneyToons os recentes filmes da ‘Sininho’ (seis desde 2008) que após um gigantesco sucesso de vendas em DVD agora até são lançados no cinema. E são do DisneyToons as várias sequelas que a Disney andou a fazer, desde meados dos anos 1990, de todo o seu espólio clássico, para lançar directamente em VHS, DVD e agora Blu-ray; como ‘Return of Jafar’ (1994), o péssimo ‘The Lion King II: Simba's Pride’ (1998), o bem melhor ‘The Lion King 1½’ (2004), ou ‘Lady and the Tramp II: Scamp's Adventure’ (2001).


A Disney reconheceu perfeitamente que estes filmes eram produtos menores para saciar as crianças, oferecer-lhes mais aventuras com os seus heróis favoritos e que os pais podiam levar para casa por uma módica quantia. A Disney sempre teve o discernimento suficiente para não confundir estes produtos com a sua rica tradição cinematográfica, e portanto nunca ousou lançá-los no grande ecrã. Aliás, dos 56 filmes oficiais da Disney Animation, há somente três sequelas, embora todas elas tenham surgido por motivos especiais.

A primeira de todas foi já nos anos 1990; ‘The Rescuers Down Under’ (1990), o clássico nº 29 da Disney e sequela de ‘The Rescuers’ (1977). O leitor tem que entender que os anos 1980 não foram uma grande década para a animação da Disney. Um ex-trabalhador do estúdio que se tinha emancipado chamado Don Bluth aliou-se a Steven Spielberg e tornou-se o primeiro grande concorrente no mercado americano ao criar obras como ‘Fievel – An American Tail’ (1986) ou ‘Land Before Time’ (1988) que hoje recordamos muito mais do que as obras contemporâneas da Disney, tais como os maioritariamente esquecidos ‘The Black Cauldron’ (1985) ou ‘Oliver & Company’ (1988). O estúdio estava nas vésperas de ressurgir, ao reinventar o conto de fadas com os estrondosos sucessos de ‘The Little Mermaid’ (1989), ‘Beauty and the Beast’ (1991) e ‘Aladdin’ (1993), mas ninguém na Disney tinha capacidade de prever que tal iria acontecer.

‘The Rescuers Down Under’ foi um filme cuja produção começou antes de ‘The Little Mermaid’ estrear e o objectivo parecia claro. ‘The Rescuers’ tinha sido um dos últimos e bem-amados sucessos do estúdio e era recordado com nostalgia (ainda hoje o é), e portanto a Disney parecia querer captar uma nova geração através da anterior, para que pais pudessem levar os filhos a ver as aventuras de Bernardo e Bianca com que os próprios haviam crescido. Para além do mais, a fórmula do filme tinha uma estrutura extremamente semelhante à de uma série televisiva de sucesso que havia começado em 1989: ‘Rescue Rangers’ com Tico e Teco e, digo eu, a Disney estava a tentar capitalizar nessa energia. Mas quando finalmente ficou pronto, o estúdio já havia renascido e já não precisava dessa chama nem de um filme com estes contornos. ‘The Rescuers Down Under’ acabou por ser lançado sem poupa nem circunstância entre ‘The Little Mermaid’ e ‘Beauty and the Beast’, no Natal de 1990, e provou ser um dos últimos grandes fiascos da Disney, o que ainda mais reforçou a ideia de que o lugar das sequelas era nas lojas e não no grande ecrã.


A segunda sequela da lista oficial dos clássicos da Disney é ‘Fantasia 2000’, o clássico nº 38, que estreou em IMAX no dia de ano novo de 2000. O original ‘Fantasia’ de 1940 foi apenas o terceiro filme da Disney (após ‘Snow White and the Seven Dwarfs’ e ‘Pinnochio’), e era um trabalho de amor do próprio Walt, tão à frente do seu tempo, tão ousadamente artístico (e tão sublime diga-se), que quase levou o estúdio à falência. Por esse mesmo motivo, quando o estúdio conseguiu recuperar as suas fundações financeiras com os rápidos sucessos de ‘Dumbo’ (1941) e ‘Bambi’ (1942), as ideias que Walt tinha de fazer mais sequelas de ‘Fantasia’ foram canceladas, mas nunca esquecidas. Depois da Disney viver a melhor década da sua história, em termos financeiros e de qualidade global dos filmes (os anos 1990), e após o sucesso de vendas do VHS de ‘Fantasia’ por essa mesma altura, os senhores da Disney finalmente se sentiram confortáveis em fazer essa arriscada mas já há muito devida homenagem a Walt. Mesmo assim, mais uma vez, e com uma para a altura inovadora distribuição em IMAX, o filme voltou a não ser um grande sucesso, de novo desincentivando o estúdio a pensar em mais sequelas. 

Por fim, muito recentemente, a Disney teve uma decisão estranha ao lançar ‘Winnie the Pooh’ em 2011 como o seu clássico nº 51, o último filme de animação “à mão” que o estúdio lançou até hoje. Na minha perspectiva não se pode considerar bem que este filme seja uma sequela do original ‘The Many Adventures of Winnie the Pooh’ de 1977, mas apenas mais um filme do universo Pooh, que por mero acaso foi parar à lista oficial. Usei a palavra “estranho” pois durante as décadas de 1990 e 2000, a Disney lançou inúmeros filmes no cinema deste universo através do DisneyToons, como o genial ‘The Tiger Movie’ (2000), ‘Piglet's Big Movie’ (2003) e ‘Pooh's Heffalump Movie’ (2005). Portanto, porquê mudar subitamente do DisneyToons para a Disney Animation para lançar discretamente (muito discretamente) este ‘Winnie the Pooh’ no cinema e dar-lhe o estatuto de “clássico”? Para mim isto não foi mais do que uma estratégia da Disney para matar dois coelhos de uma só cajadada. Por um lado puderam lançar um filme desenhado “à mão”, satisfazendo assim os críticos. Por outro reavivaram o interesse no universo e no merchandising do Pooh, usando para tal a sua principal plataforma promocional e de lançamento de filmes. 

Portanto, na minha opinião, nenhuma destas sequelas pode realmente ser comparada com aquelas que todos, absolutamente todos os restantes estúdios de animação americanos andaram a fazer exageradamente ao longo da última década. A Disney resistiu, resistiu, resistiu, mantendo-se sempre acima dessa tendência, mantendo a sua integridade, mantendo a sua reputação, mesmo que isso lhe tenha custado uns trocos valentes. A Pixar que lançasse o ‘Toy Story 3’, a Sony o ‘Hotel Transilvânia 2’, a Illumination o ‘Despicable Me 2’ e o Blue-Sky o ‘Ice Age 5’. A Disney responderia sempre com uma nova fantasia, um novo conto de fadas, original. Isto é. Até ao fatídico dia 30 de Julho de 2016. E é então por este motivo que eu acho que este anúncio é excessivamente importante e até crucial na história recente da Disney. A Disney cedeu. É importante repetir. A Disney cedeu. E por onde menos se esperava, o que é ainda mais surpreendente. Após o inacreditável mega sucesso de ‘Frozen’ (2013), toda a gente assumiu que, mais tarde ou mais cedo, a Disney teria de deitar cá para fora um ‘Frozen 2’, especialmente depois de terem produzido tão apressadamente a curta ‘Frozen Fever’ (2015) que saiu com o filme ‘Cinderella’. Mas ‘Wreck-it-Ralph’?!


Após ‘Home on the Range’ (2004), a Disney anunciou oficialmente o fim dos filmes por animação tradicional e tentou desesperadamente ser um estúdio como a Pixar. Mas com filmes fracos e esquecíveis como ‘Chicken Little’ (2005) e ‘Meet the Robinsons’ (2007), a manobra não resultou. Depois, a Disney encontrou a forma mais fácil de resolver o problema com classe; comprou a Pixar e tirou de si própria essa pressão. Contudo, no acordo, John Lasseter, o guru da Pixar, tornou-se o director de produção da Disney. No início até parecia que este compromisso havia resultado numa estratégia vencedora. Entre 2008 e 2014, a Disney entrou numa intensa espiral criativa, realizando à vez três géneros de filmes: 1) sob a batuta de Lasseter, prosseguiu com os filmes à la Pixar, conseguindo ser mais Pixar que a própria Pixar (‘Bolt’, ‘Wreck-it-Ralph’, ‘Big Hero 6’); 2) contos de fadas disneyanos, mas animados por computador, num estilo híbrido que resultou incrivelmente bem (‘Tangled’ e ‘Frozen’); e 3) voltou atrás na sua palavra de 2004 e fez ainda dois clássicos de animação “à mão” (‘Princess and the Frog’ e o já citado ‘Winnie the Pooh’).

Misturando estes três géneros de filmes, foi uma delícia ver Disney nesta última década, um estúdio que voltou a provar estar no topo do topo, e que não tinha medo de enfrentar o cinema de animação do século XXI com um pé bem assente no passado. Contudo, foi sol de pouca dura. Quanto mais alto se sobe mais alto é a queda, e a Disney parece não ter aguentado suportar esta estrutura tripartida, quando bem ali ao lado os outros estúdios faziam milhões com as suas sequelas e spin-offs. Lentamente, a estrutura começou a ceder sob o peso da pressão financeira. As performances de bilheteira quer ‘Princess and the Frog’, quer de ‘Winnie the Pooh’ (ambos, diga-se, filmes bastante interessantes) não foram nada de especial, muito menos quando comparados com os massivos resultados de ‘Frozen’, ‘Wreck-it-Ralph’, ou ‘Zootopia’. A Disney certamente estará consciente de que tem de continuar o legado da animação tradicional, senão mais ninguém em Hollywood o fará. Mas inevitavelmente está a adiá-lo preguiçosamente (regressará lá um dia, repete a si própria) e os motivos parecem ser meramente financeiros. ‘Moana’, por exemplo, o próximo filme da Disney que sairá este Natal, foi inicialmente concebido como um filme de animação tradicional (é dos realizadores de 'The Little Mermaid', 'Aladdin', 'Hercules' e 'The Princess and the Frog'), mas a meio da pré-produção decidiu-se alterar para animação por computador, sem grandes justificações.

E então agora cai esta bomba. Se as três sequelas anteriores da Disney pareciam surgir de motivos especiais, não parece haver nenhum motivo, senão o financeiro, para o anúncio de um ‘Wreck-it-Ralph 2’. Se fosse ‘Frozen 2’ até poderíamos aceitar que se trataria de um caso isolado; uma sequela obrigatória daquele que é o filme de animação mais bem-sucedido de todos os tempos. Se fosse uma sequela de qualquer outro dos filmes ‘Disney’ da Disney, passe a redundância, também se poderia justificar minimamente, ou até, no limite, desculpar, como um sinal dos tempos. Mas, repito a minha recorrente questão, porquê um ‘Wreck-it-Ralph 2’?! Porquê quebrar uma tradição de décadas, porquê estragar assim uma reputação de integridade, especialmente com um filme que faz parte do lote ‘filmes-Pixar’ da Disney, e que portanto não está naturalmente associado ao simbolismo do estúdio?!


Ao anunciar uma coisa destas, a Disney está a ser clara como a água. Está a dizer ao mundo que finalmente se vai tornar como todos os restantes estúdios de animação. Está a dizer a alto e bom som que um filme do seu cânone só precisa de ser bem-sucedido para ter imediatamente direito a uma sequela, aconteça o que acontecer. Se a Disney consegue assim tão levianamente fazer uma sequela de ‘Wreck-it-Ralph’, então conseguirá fazer uma sequela de qualquer outra coisa, de ‘Big Hero 6’ a ‘Bolt’ a ‘Zootopia’. E provavelmente o fará, na próxima década. Este anúncio acabou de abrir as portas para isso.

É por estas razões, caro leitor, que estou pesaroso e considero este anúncio um crucial ponto de viragem na política do estúdio, uma daquelas decisões que os historiadores cinéfilos recordarão em anos vindouros. Lasseter ganhou, a tradição de Walt perdeu. Sempre fui um fã incondicional da Disney, mas por vezes vivo uma relação de amor-ódio com ela, porque considero algumas atitudes do estúdio impossíveis de entender. Esta é uma delas e uma coisa é certa, Walt nunca a teria.

Vivemos na era das sequelas. São elas que comandam a bilheteira mundial. São elas que comandam os estúdios de Hollywood. São elas que enchem as auto-intituladas revistas de cinema. Não é como se a Disney nunca tenha feito uma sequela. Mas, com as excepções que enumerei aqui, sempre teve a dignidade de não as incluir na sua lista oficial, de as atirar para uma subsidiária, e na maior parte dos casos de não as lançar no grande ecrã. O Disney Animation Studios estava sem mancha. Mas agora, com este anúncio, a nódoa cai no pano. Com um anúncio sorridente, a Disney abalou os seus conceitos mais basilares. Com um sorriso de orelha a orelha, as sequelas chegam à lista dos clássicos da Disney e mais que certamente, chegam para ficar. Já dizia o Yoda “uma vez caminhando pelo lado negro, para sempre ele dominará o teu destino”. Se ‘Wreck-it-Ralph 2’ for um sucesso de bilheteira, então não haverá nenhum motivo para não se fazer um ‘Wreck-it-Ralph 3’, e um ‘Wreck-it-Ralph 4’ e aí por diante. O ponto de não retorno já foi ultrapassado…


É um dia triste para a Disney, mas aparentemente, só eu é que me apercebi disso. Vamos contudo esperar com esperança. Esperança que o cenário não seja tão negro como o pinto. Esperança que o espírito de Walt inspire aquelas mentes brilhantes em Burbank, para que possam ver um futuro auspicioso para o seu estúdio, um futuro que não precisa de ter sequelas, porque nunca precisou. A Disney sempre foi resiliente, sempre sobreviveu às adversidades do tempo. Começou quase numa garagem há praticamente cem anos para se tornar num império mundial, e pelo caminho conquistou os corações do mundo com os seus filmes. E fê-lo sem sequelas. Os líderes do estúdio deviam ser relembrados disso, para que nunca o esqueçam. Esta minha crónica é esse grito de revolta de um fã incondicional. Lembrem-se disso. Lembrem-se de Walt.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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