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Top 10 – Grandes (e recorrentes) pares românticos do grande ecrã (Parte 2)

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Depois de Sondra Locke & Clint Eastwood, Maureen O’ Hara & John Wayne, Edna Purviance & Charles Chaplin, Humphrey Bogart & Lauren Bacall e Olivia de Havilland & Errol Flynn, prossigo com a segunda parte do Top 10 sobre os melhores pares românticos que recorrentemente iluminaram o grande ecrã.


5. Woody Allen & Dianne Keaton – 8 filmes (1972 – 1993) 


Como no caso de muitos génios, a carreira de Woody Allen pode ser traçada a partir das suas leading ladies. Recentemente, Allen teve bem-sucedidas colaborações com Scarlett Johansson (3 filmes) e Emma Stone (2 filmes), e actrizes como Judy Davis e Dianne Wiest (5 filmes cada) foram recorrentes na sua carreira. Mas claro as duas mais importantes foram aquelas como quem esteve romanticamente ligado em duas décadas distintas; Mia Farrow (12 filmes entre 1982 e 1992) e claro, a divina Diane Keaton, com quem fez 8 filmes, 6 deles na década de 1970.

Entre estas duas míticas colaborações escolhi a segunda, que na realidade foi a primeira. O Allen que trabalhou com Mia Farrow já era diferente, mais maduro, mais dramático. O Allen que trabalhou com Diane Keaton era mais livre, mais irreverente, um génio cómico a moldar a sua arte e a descobrir a sua voz dramática. E, apesar de tantas décadas e tantos filmes, não continua a ser esse o melhor Allen?! E se Mia era uma delicada e insegura personalidade, que podia tanto ser genial como inconsequente (o mediático final da sua relação pessoal e profissional é disso prova), Dianne era, e é, alguém muito especial.

Woody e Diane conheceram-se na preparação da peça de teatro ‘Play It Again, Sam’ que Allen escrevera. Woody, o eterno neurótico, já era um argumentista cómico de renome que acabara de realizar o seu primeiro filme, ‘Take the Money and Run’ (1969). Dianne, bela, talentosa mas virtualmente desconhecida, era uma actriz de teatro que só tinha tido um ou outro papel na televisão. Durante o período da peça tornaram-se um casal e o seu primeiro filme em conjunto é precisamente a versão cinematográfica dessa obra, filmada em 1972. De repente, Allen encontrou a sua passada cómica no cinema com ‘Sleeper (1973) e ‘Love and Death’ (1975) e Keaton tornou-se a sua parceira de excelência, construindo lentamente, de filme para filme, uma personalidade e um estilo fortemente vincado, que a definiriam.

Tudo isto culminaria na primeira grande obra-prima romântico-dramática de Allen: ‘Annie Hall’ (1977). Todos os cinéfilos sabem que o verdadeiro nome de Keaton é Dianne Hall e que “Annie” era o que os amigos lhe chamavam. Allen (que venceu o Óscar de Melhor Filme, Argumento e Realizador) escreveu o filme fortemente inspirado em Keaton (que por sua vez venceu Melhor Actriz), e é a luminosa vida que dela emana, a par do bravado trágico-cómico de Allen, que sustém o filme. De facto, se o casal não parecia muito compatível fisicamente, era neste plano, o da nostálgica ilusão romântica, alimentada por um misto de cultura e comédia (que mulher não gosta de um homem que a faça rir?), que se uniam.

Seguir-se-ia um drama muito mais pesado, ‘Interiors’ (1978), e depois ‘Manhattan’ (1979) outra obra-prima que serviu também como sentida despedida do casal. Mas ao contrário do que aconteceu com Mia, Allen não se despediu de forma azeda de Keaton. Cada um seguiu caminhos diferentes, ela para os braços de Warren Beatty e uma carreira que só esporadicamente faria jus aos seus talentos, e ele para os braços de Mia e uma sucessão quase infinita de grandes obras. Allen daria a Keaton um pequeno papel como a cantora de um bar em ‘Radio Days’ (1987), mas o grande destaque vai para o seu último emparelhamento no hilariante 'Manhattan Murder Mystery’ (1993), onde Keaton substituiu à última da hora Mia Farrow, depois do escândalo do divórcio. Vê-los juntos neste filme, quinze anos depois, é uma delícia, e a prova que nunca perderam aquele je ne sais quoi que os unia.

Seria Woody Allen o Woody Allen que conhecemos sem Dianne Keaton? Certamente que não. Os seus dois decisivos filmes de charneira, que o transformaram de grande cómico em grande génio cinematográfico: ‘Annie Hall’ e ‘Manhattan’, não teriam sido feitos sem ela. E Keaton também não seria Keaton, pois foi sob a direcção de Allen que teve a liberdade suficiente para encontrar a sua voz e o seu estilo, que se tornaram icónicos. Nas duas vertentes foi o espectador que mais ficou a ganhar.

Fica uma deliciosa cena de 'Annie Hall'. Atenção às legendas.



4. Judy Garland & Mickey Rooney – 10 filmes (1937 – 1948)


Judy e Mickey foram o melhor par juvenil que alguma vez gracejou o cinema de Hollywood. Ele era o proverbial ‘boy next door’. Ela a proverbial ‘girl next door’. Juntos, tornaram-se o símbolo de todos os adolescentes e jovens adultos, e pelo caminho ofereceram-nos alguns dos melhores momentos de entretenimento que o cinema clássico conteve.

O leitor fiel destas páginas sabe bem a paixão que nutro pelo trabalho de Rooney. Ele foi nada menos que o melhor child star da história do cinema. Em meados da década de 1930, com 16 anos de idade, Rooney, cuja carreira já tinha mais de uma década, finalmente começou a ganhar destaque nas fileiras da MGM. Em 1937 iniciou a saga de Andy Hardy, que teria 16 filmes e o tornaria o actor mais conhecido à escala mundial. Nesse mesmo ano seria emparelhado pela primeira vez com Judy Garland, no interessante drama juvenil ‘Thoroughbreds Don't Cry’ (1937). Era apenas o terceiro filme para esta delicada mas portentosa actriz de 15 anos, que possuía uma invulgar maturidade para a idade e uma voz colossal.

Os seus dois filmes seguintes definiriam a sua carreira em conjunto e seriam também as suas obras mais memoráveis e bem-amadas: 'Love Finds Andy Hardy' (1938) e o musical ‘Babes in Arms’ (1939), que foi um estrondoso sucesso de bilheteira no mesmo ano em que Judy fez ‘The Wizard of Oz’. A partir daí a parceira dividiu-se entre a saga Hardy (Garland entraria em 'Andy Hardy Meets Debutante’, 1940; e 'Life Begins for Andy Hardy’, 1941) e os musicais ('Strike Up the Band', 1940; ‘Babes on Broadway’, 1941; e ‘Girl Crazy’, 1943; a sua última grande parceria). Entrariam também em dois musicais ensemble da MGM, ‘Thousands Cheer’ (1943) e 'Words and Music’ (1948), o seu último filme em conjunto. Quinze anos depois Rooney apareceria no especial televisivo ‘The Judy Garland Show’ (1962) a recordar com ela os seus velhos filmes.

É algo peculiar que, tanto quanto sabemos, Mickey e Judy nunca se tenham envolvido na vida real, apesar de terem permanecido amigos até ao fim. Rooney era um notório ladies man que casou oito vezes e teve casos com inúmeras grandes estrelas femininas de Hollywood, enquanto Judy casou cinco vezes. Disse Rooney uma vez que, como filho único, ela era a irmã que nunca teve. De facto, esta relação reflectia as suas personagens: Judy geralmente interpretava a rapariga eternamente apaixonada por Mickey, que passava o filme todo a considerá-la apenas como uma grande amiga e só no final (por vezes) retribuía. Mesmo assim, a sua química era impressionante; Mickey como o dínamo ‘faz tudo’ de energia criativa infinita e cheio de paixão pela sua arte; e Judy, o contraponto, a delicada personalidade envolta numa aura trágica mas com uma voz que movia montanhas e nos enchia a alma.

É uma pena que nenhum deles tenha realmente singrado na idade adulta. Judy com os seus problemas pessoais herdados das pressões da juventude foi sempre inconstante (só faria 6 filmes nos últimos 20 anos de vida) e acabaria por falecer em 1969, aos 47 anos, de uma overdose. Já Mickey teve uma grande dificuldade em ter uma boa carreira depois dos papéis de jovem terem ficado para trás. O outrora actor mais popular do mundo viu-se forçado a aceitar papéis menores no cinema e na televisão durante décadas. Mas a sua perseverança pagou, e foi mais que justo o seu comeback na terceira idade, com a nomeação para o Óscar por ‘The Black Stallion’ (1979) e o Óscar Honorário em 1983. Rooney, respeitado por toda a indústria e por milhares de fãs em todo o mundo, viveria até 2014 e os 93 anos de idade.

Mas nenhum deles realmente morreu. As suas adolescências permanecem intactas, imutáveis, no nosso imaginário. Perduram até à eternidade, tal como eles, e reciclam-se continuamente, porque sempre haverão jovens, que podem não conhecer os seus filmes mas regem-se pelos mesmos padrões que Mickey e Judy definiram. Fica a cena alegre em que introduzem a música 'Good Morning' ao mundo, no filme 'Babes in Arms' (1939).



3. Katharine Hepburn & Spencer Tracy – 9 filmes (1942 – 1967)


Independentemente dos filmes, da capacidade de actuação e das personalidades em si, há uma coisa que distingue Hepburn e Tracy de todos os restantes nove casais desta lista. Eram o casal mais apaixonado de todos, e isso nota-se, e muito, nas nove obras que fizeram em conjunto.

Quando contracenaram pela primeira vez em ‘Woman of the Year’ (1942) ambos já eram actores estabelecidos e extremamente conceituados. Tracy era um dos actores mais respeitados da indústria (e um dos melhores!) tendo vencido dois Óscares de Melhor Actor seguidos em 1937 e 1938. Já Hepburn, depois do primeiro dos seus quatro Óscares em 1933, tinha passado por um período de menor popularidade, mas tinha acabado de fazer um comeback com ‘The Philadelphia Story’ (1940), terminando uma parceria de quatro filmes com Cary Grant (outra que bem podia figurar nesta lista). Mas o seu filmes seguinte, ‘Woman of the Year’, iniciaria a sua mais bem-sucedida parceria profissional e pessoal. 

O estilo de Hepburn demorou um bocado a ser aceite, mas quando o foi ela tornou-se o símbolo da mulher emancipada e independente numa sociedade ainda extremamente conservadora. Já Tracy era, a par de James Stewart, um grande representante do homem comum; um homem de ideais mas que não se acanhava de mostrar um lado negro quando levado ao extremo. Juntos constituíam um par invulgar, como Bogart & Bacall, mas tinham uma igualmente poderosa química, fomentada pelos seus incríveis talentos. As histórias, comédias românticas com toques dramáticos ousados para a época, giravam muitas vezes à volta do agregado familiar (fizeram de casados na maior parte dos filmes), em contextos de mudança social, quer fosse a emancipação feminina em ‘Woman of the Year’, a guerra dos sexos em ‘Adam's Rib’ (1949), os bastidores da política em ‘State of the Union’ (1948), a modernidade e evolução tecnológica em ‘Desk Set’ (1957) ou as tensões raciais no seu famoso último filme em conjunto ‘Guess Who's Coming to Dinner’ (1967). Os seus outros filmes foram o drama jornalístico ‘Keeper of the Flame’ (1943), o drama ‘Without Love’ (1945), o western ‘The Sea of Grass’ (1947) e a comédia desportiva, explorando os dotes atléticos de Hepburn, ‘Pat and Mike’ (1952).

Embora se tenham apaixonado desde o início e o público sempre tenha entendido que tinham uma relação especial, Hepburn e Tracy nunca assumiram publicamente a sua relação. Hepburn havia-se divorciado em 1941 do seu único marido, mas Tracy era casado e muito embora já vivesse separado da sua esposa, as suas convicções católicas impediram-no de se divorciar. Nunca o fez e durante os 25 anos em que Hepburn e Tracy mantiveram o relacionamento, viveram mais de 20 em casas separadas e evitaram aparecer juntos em público. Só quando o alcoolismo de Tracy se agravou e o seu estado de saúde piorou no início da década de 1960 é que Hepburn finalmente se mudou para casa dele.

Após Hepburn fazer ‘Long Day's Journey Into Night’ (1962) e Tracy ‘It's a Mad Mad Mad Mad World’ (1963), ambos afastaram-se das luzes da ribalta e nenhum deles fez um filme durante cinco anos, enquanto Hepburn cuidou de Tracy nos últimos anos da sua doença. Mesmo no final, e com um Tracy já debilitado, decidiram filmar ‘Guess Who's Coming to Dinner’ (1967). O monólogo final de Tracy é comovente e é incrivelmente perceptível o amor que o casal nutre um pelo outro, nesta sua sentida despedida. Tracy faleceria um par de semanas depois das filmagens terem terminado e Hepburn não foi ao funeral por consideração à mulher e aos filhos de Tracy. Só após a morte da mulher de Tracy em 1983 é que Hepburn finalmente começou a falar publicamente da sua história de amor.

Após a morte de Tracy, Hepburn lançou-se num brilhante terceiro acto da sua carreira no cinema e no teatro. ‘Guess Who's Coming to Dinner’ (1967) valeu-lhe o segundo Óscar e no ano a seguir ganhou o terceiro por ‘The Lion in Winter’. O quarto chegaria em 1981 por ‘On Golden Pond’. Faleceria em 2003, aos 96 anos de idade, de causas naturais.

Sempre recordaremos a naturalidade com que interagiam, a sua brilhante cumplicidade cómica e os seus subtis sorrisos apaixonados quando se entendiam silenciosamente. Ah, e serem magníficos actores não fazia mal nenhum, nestes filmes que, longe de serem os melhores das suas respectivas carreiras, eram, são, e sempre serão, sólidos pedaços de entretenimento. Fica uma cena íntima de felicidade conjugal em 'Adam's Rib' (1949). Pelo menos no cinema, podia estar juntos no seu próprio lar.



2. Ginger Rogers & Fred Astaire – 10 filmes (1933 – 1949)


Ninguém dançou à frente de uma câmara como Fred & Ginger. Astaire é bem capaz de ser o melhor dançarino da história da humanidade e, apesar de Rogers não ser tão sublime (era melhor actriz), conseguiu acompanhá-lo como nenhuma outra parceira. Juntos, moviam-se como uma sinfonia poética e geravam uma incandescente faísca que transcendia, até à eternidade, as simples comédias românticas de enganos em que entravam.

Isto é imediatamente perceptível no seu primeiro filme em conjunto: ‘Flying Down to Rio’ (1933), onde eram apenas actores secundários. Astaire era um já famoso dançarino do mundo do espectáculo, que acabara de assinar um contrato cinematográfico com a RKO e estava a estrear-se no cinema. Rogers era uma ‘veterana’ corista secundária de inúmeros filmes musicais, que tinha aspirações dramáticas mas que ainda não tinha dado o salto. ‘Flying Down to Rio’ foi o passaporte de ambos para a ribalta. Hoje já ninguém se lembra quem é o par romântico principal desse filme (já agora Dolores Del Rio e Gene Raymond) porque ficamos mesmerizados cada vez que Fred & Ginger interagem, verbalmente e na pista de dança.

De facto, a sua inegável química fez um furor enorme, e o público de repente quis saber quem eram estas duas pérolas escondidas. Vendo um filão, no ano seguinte a RKO já estava a lançar ‘Gay Divorcee’ (1934) com Fred & Ginger nos papéis principais e Mark Sandrich na cadeira de realizador (realizaria 5 dos 10 filmes do par). E o resto, como dizem, é história. Seguiram-se ‘Roberta’ (1935), ‘Top Hat’ (1935, o seu filme mais famoso), ‘Follow the Fleet’ (1936), ‘Swing Time’ (1936, para mim o melhor); ‘Shall we Dance’ (1937), ‘Carefree’ (1938); ‘The Story of Vernon and Irene Castle’ (1939, o seu último filme para a RKO), e, dez anos depois, ‘The Barkleys of Broadway’ (1949), levemente autobiográfico, para a MGM – o seu último filme juntos e o seu único filme a cores.

Muitos dos argumentos eram estranhamente semelhantes entre si, mas o que importava? Os números de dança eram sempre diferentes e cada vez mais épicos e ousados, e as melhores músicas de Cole Porter ou Irving Berlin brotaram dos seus lábios, ou pelo menos dos de Astaire. Entretenimento no seu estado mais puro, e arte, verdadeira arte, no corpo dançante de ambos.

Após a separação, seguiram carreiras distintas: Astaire continuou a provar-se como o maior dançarino de sempre até ao final da década de 1950, com parceiras como Rita Hayworth ou Audrey Hepburn; e Rogers enveredaria por papéis mais dramáticos, ou pelo menos cómico-dramáticos (ganharia até um Óscar de Melhor Actriz por ‘Kitty Foyle’, 1940). Ele faleceria em 1987, ela em 1995, ambos já confortavelmente a desfrutar da reforma.

Mas olhando para trás, qualquer cinéfilo, qualquer amante da arte, tem que agradecer já ter sido inventada a câmara de filmar quando estes dois artistas viveram no nosso planeta, e também o seu emparelhamento completamente fortuito em ‘Flying Down to Rio’. Assim podemos ter o prazer de os ver a dançar para sempre. E isso é um privilégio. Fica a memorável cena de 'Top Hat' em que dançam 'Cheek to Cheek'.



1. Elizabeth Taylor & Richard Burton – 11 filmes (1963 – 1973)


Acho difícil, muito difícil, fazer um TOP deste género e não colocar, por tudo o que foram dentro e fora do ecrã, Elizabeth Taylor & Richard Burton no primeiro lugar. Taylor era verdadeira realeza de Hollywood, uma das grandes child stars da década de 1940, que despoletara na década de 1950 com a maturidade de uma deusa viva, um portento dramático mas também uma bomba sexual antes do termo ser inventado. Ele era quase diametralmente oposto, um inglês da escola teatral, que combinava de uma forma única uma abordagem quase animalesca e viperina aos papéis, digna de Brando, com a suavidade e o charme dos palcos shakespearianos.

Quando contracenaram pela primeira vez no majestoso épico ‘Celopatra’ (1963), Taylor já havia casado quatro vezes e Burton uma. Imediatamente geraram uma faísca incontrolável, na celulóide, na bilheteira e na vida real. Pouco depois, e após contracenarem em mais um filme, ‘The VIPs’ (1963) já se estavam a divorciar dos respectivos esposos para casar um com outro. O seu primeiro casamento duraria dez anos (1964-1974), e voltariam a dar o nó outra vez por mais um, entre 1975 e 1976, dando à imprensa cor-de-rosa material para anos e anos.

Mas o mais extraordinário é que os filmes que fizeram em conjunto durante este período (11 no total) não era meros produtos mediáticos. Ambos eram actores exímios, personagens maiores que a vida e lendas no seu próprio tempo, e a paixão intensa que nutriam um pelo outro e os seus temperamentos quase incontroláveis proporcionaram momentos únicos de interacção entre um actor e uma actriz como nunca se viram nos anais do cinema. Para além do mais, nunca se quedaram pelo convencional; filmaram peças ousadas (algumas em demasia, resultando em filmes mais esquecíveis e datados) que acompanharam a marcha dos tempos neste período delicado entre o final da década de 1960 e o início da de 1970.

O seu terceiro filme, ‘The Sandpiper’ (1965) é uma obra-prima, e contém para mim a melhor performance da carreira de Taylor, e o animalesco ‘Who’s Afraid of Virginia Wolf’ (1966) valeu-lhe o seu segundo Óscar (Burton nunca conseguiria ganhar um). Seguiram-se a adaptação shakesperiana ‘The Taming of the Shrew’ (1967 – faz parecer que Shakespeare escreveu aquilo para eles); o one-man show de Burton ‘Dr. Faustus’ (1967), onde Taylor tem uma breve e silenciosa, mas impactante aparição; ‘The Comedians’ (1967); e depois uma série de filmes hoje mais esquecidos como ‘Boom!’ (1968); ‘Under Milk Wood’ (1972); ‘Hammersmith is Out’ (1972); e por fim o telefilme ‘Divorce His – Divorce Hers’ (1973).

Depois do seu segundo divórcio Taylor já estava semi-retirada, aparecendo em poucos filmes e em esporádicos telefilmes até 2001 (faleceria em 2011), enquanto Burton entraria em cerca de uma dezena de filmes até falecer precocemente em 1984. É verdade que o seu emparelhamento era por vezes forçado (como no caso de ‘The Comedians’ onde a personagem de Taylor está claramente a mais), mas valia sempre a pena. É difícil encontrar uma actriz de quem a câmara estivesse tão enamorada como Liz Taylor, e é difícil encontrar um actor mais culturalmente animalesco que Burton. Era uma paixão intensa, violenta, que os unia, e essa permanente batalha entre a luxúria, os seus egos e o amor incontrolável, está perceptível em praticamente todas as suas cenas em conjunto. Como esta na obra menor 'The VIPs'.


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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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