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Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi

Ano: 1983

Realizador: Richard Marquand

Actores principais: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher

Duração: 131 min

Crítica: Como é que se critica a mais bem-amada saga da história do cinema? O que é que se escreve sobre os filmes que já toda a gente viu, inúmeros adoram incondicionalmente, e outros tantos têm memorizado, cena a cena, frame a frame? O que se pode acrescentar a um universo que é muito mais do que um evento cinematográfico, é uma filosofia de vida para todos os fãs que se renderam ao universo de fantasia galáctica que George Lucas concebeu na década de 1970? A resposta a todas estas questões é: não é possível.

‘Star Wars’ (‘A Guerra das Estrelas’) é um mundo infinito e nada que o crítico possa dizer surgirá como uma revelação. Já tudo se escreveu e reescreveu sobre Star Wars. Já tudo se sentiu, já tudo se amou ou detestou; a herança mitológica, a nostálgica aventura, a magia do entretenimento, a exuberância da fantasia, os inovadores efeitos especiais, a soberba banda sonora de John Williams. Portanto a única coisa que se pode acrescentar, realmente, é mais uma visão pessoal sobre a saga. Foi precisamente isso que me propus fazer há mais de um ano, pouco antes da estreia de ‘Star Wars Episode VII: The Force Awakens’. Saltar tudo o que já foi sobejamente debatido nas últimas décadas para me centrar de novo nos filmes em si, em seis reflexões (nem lhes chamei críticas) inspiradas pelo facto de, como um bom fã nerd, ter revisto os seis filmes da saga em seis sextas-feiras antes desse grande evento que marcou o ano de 2015.

Contudo, apenas acabei por publicar quatro das reflexões; as correspondentes à trilogia das prequelas; ‘Ep. I: The Phantom Menace’‘Ep. II: Attack of the Clones’ e ‘Ep. III: Revenge of the Sith’, e ao filme onde tudo começou  ‘Star Wars – Ep. IV: A New Hope’. Simplesmente, não tive tempo de escrever as restantes duas relativas a ‘The Empire Strikes Back’ e a ‘Return of the Jedi’ antes de ir ver ‘The Force Awakens’ ao cinema. E portanto, após o facto, essa tarefa ficou esquecida e o tempo foi passando. Mas agora, depois de termos tido oportunidade de ver mais um filme da saga, ‘Rogue One’, decidi que já era mais do que tempo de completar esse ciclo, e assim ficar com a saga analisada na íntegra em EU SOU CINEMA. 

O que se segue são então as minhas sensações e reacções instintivas ao último dos filmes, ‘Return of the Jedi’, tal como rabiscadas no meu fiel caderninho em Dezembro de 2015, tantos anos e tantas visualizações depois. Tal como para os restantes filmes, escrevo esta crítica com plena consciência de que sei o filme de cor, de trás para a frente e da frente para trás até ao mais ínfimo pormenor (eu avisei… nerd!), mas ao mesmo tempo, e pela primeira vez, a tentar ter algum distanciamento (tarefa quase impossível num conjunto de filmes que diz tanto a nível pessoal) para procurar analisar objectivamente a lógica do todo. Espero que gostem de ler esta minha visão sobre a saga e que procurem as restantes sete críticas no separador Star Wars!

"A febre por ‘Star Wars’ acabou por ser um misto de bênção e maldição para a pré-produção de ‘Return of the Jedi’. Por um lado já não havia a pressão produtiva dos filmes anteriores (...) Mas por outro ‘Return of the Jedi’ iria ser produzido e lançado no seio desta exuberante onda comercial, associada ao marketing e ao gigantesco universo expandido que (...) agora exercia uma forte pressão."

E então, finalmente, a espera acabou. Em Maio de 1983, seis anos depois da estreia do filme que mudou para sempre a face do cinema, George Lucas lançou o capítulo final da sua prometida trilogia original. Os dois primeiros filmes haviam sido um gigantesco sucesso e iniciado o seu próprio nicho cultural. O merchandising fluía como em nenhum filme da história do cinema, o público especulava ardentemente sobre o que aconteceria a Hans Solo, a Luke e a Darth Vader no derradeiro filme e aguardava, aguardava, aguardava impacientemente, enquanto assistia às reposições nas salas de cinema numa era pré-VHS.

Contudo, esta febre por ‘Star Wars’ acabou por ser um misto de bênção e maldição para a pré-produção de ‘Return of the Jedi’. Por um lado já não havia a pressão produtiva dos filmes anteriores. Lucas havia ganho a independência financeira da sua Lucasfilms (‘Raiders of the Lost Arc’, 1981, também havia sido um sucesso) e a ILM ia de vento em poupa, tendo trilhado caminho com os efeitos especiais de ‘Raiders’, ‘E.T.’ (1982), ‘The Dark Crystal’ (1982) ou ‘Poltergeist’ (1982). Mas por outro ‘Return of the Jedi’ iria ser produzido e lançado no seio desta exuberante onda comercial, associada ao marketing e ao gigantesco universo expandido que ainda não tinha ganho a sua plena forma aquando dos dois filmes anteriores, mas que agora exercia uma forte pressão.

‘Star Wars’ e ‘Empire’ haviam sido, cada uma à sua maneira, arriscadas apostas financeiras e árduos filmes em termos do processo produtivo, mas eram filmes que viviam livres no universo da sua criatividade. O próprio ‘Empire’ não se limitou a ser uma continuação da lenda do filme original. Numa manobra arriscada, mas que provou ser totalmente acertada, criou a sua própria lenda ao ser um filme mais negro, mais inteligente, mais profundo. Mas ‘Return of the Jedi’ já não parecia estar assim tão livre para desbravar um novo caminho. 

 mais que óbvio que ‘Return of the Jedi’ não é tão bom, nem é um filme tão completo, como ‘Star Wars’ ou ‘Empire’. Mas mais uma vez não tinha de ser. Só tinha, tal como Marquand, de cumprir esses gloriosos objectivos de entretenimento para terminar a saga em beleza. E a grande constatação é que quer filme, quer Marquand, cumprem. E cumprem com classe."

De facto, a decisão de Lucas (que de novo co-escreveu o argumento ao lado de Lawrence Kasdan) de manter o filme numa zona de conforto e de o tornar mais familiar e populista, mais focado na sua componente de entretenimento do que propriamente na história ou na psicologia das personagens, levou à eliminação de algumas ideias iniciais mais dramáticas e potencialmente mais interessantes. Por exemplo, à última da hora o título mudou de ‘Revenge’ para ‘Return’; a morte de Solo (que Harrison Ford tanto queria) foi negada, tal como a eventual viragem para o lado negro de Luke; e o final original, com Luke a rumar só para o horizonte no deserto de Tatooine como os heróis dos velhos westerns, foi substituído pela festa que todos conhecemos. Estas mudanças não só terão alheado o produtor Gary Kurtz (ao ponto de Lucas o substituir por Howard Kazanjian) como terá levado o mítico artista conceptual Ralph McQuarrie (a quem os filmes anteriores devem o seu soberbo look) a abandonar a produção a meio. Entre outras coisas, está documentada a sua aversão ao conceito infantil dos Ewoks, que surgiram em substituição dos Wookies, originalmente pensados para as cenas em Endor.

Contudo, ao rever o filme ciente deste historial, não me parece que estas decisões sejam assim tão descabidas. ‘Empire’ havia sido, e bem, o pesado segundo acto da saga, o ponto onde atingira a sua maturidade emocional, e onde as ligações entre as personagens (Solo-Leia; Luke-Vader) ganharam uma inesperada dimensão (isto é, para um blockbuster de aventura de ficção científica). Portanto, tinha toda a lógica que o último acto fosse, como todos os últimos actos de uma odisseia fantasiosa devem ser, menos denso; um excitante e exuberante final que marcasse o regresso da aventura, da glória do entretenimento e da essência do primeiro filme. 

Assim sendo, não é de estranhar que Lucas pretendia que Spielberg fosse o realizador. Mas Spielberg pertencia ao Sindicato de Realizadores do qual Lucas havia sido expulso aquando de ‘Empire’, por se recusar a pôr o nome do realizador no início do filme (como os tempos eram diferentes…). Era portanto necessário um realizador que não pertencesse ao sindicado e David Lynch, que acabara de realizar ‘The Elephant Man’ (1980), recebeu o convite mas recusou em prol de realizar ‘Dune’ (1984). A escolha final acabou por ser o virtualmente desconhecido (ainda hoje!) Richard Marquand, que havia feito muita televisão mas apenas três filmes (o último o thriller ‘Eye of the Needle’, 1981, com Donald Sutherland).

"A economia cénica e a subtileza psicológica de ‘Empire’ já não têm lugar aqui (...) Este filme pertence aos bons e à luz. (...) A sensação de aventura é uma constante e as sequências de acção, ou pelo menos de tensão, seguem-se umas às outras praticamente sem interrupção. (...) 'Return of the Jedi' é um triunfo da montagem dinâmica (...) e os efeitos visuais são os melhores de toda a saga"

Reza a lenda que Lucas teve de estar muito tempo no plateau como realizador de segunda unidade, porque Marquand dominava pouco a gestão de cenas com efeitos especiais. E é notório que Marquand não era um realizador da qualidade de Kershner, em termos de profundidade e subtileza visual e emocional. Mas a nuance é que Marquand não precisava de o ser. Quem tem Lucas e a ILM está em boas mãos no departamento visual. E em termos dramáticos, ‘Return of the Jedi’ já tinha uma enorme bagagem que advinha dos filmes anteriores, e à qual praticamente, em abono da verdade, pouco ou nada precisava de acrescentar. No global, é mais que óbvio que ‘Return of the Jedi’ não é tão bom, nem é um filme tão completo, como ‘Star Wars’ ou ‘Empire’. Mas mais uma vez não tinha de ser. Só tinha, tal como Marquand, de cumprir esses gloriosos objectivos de entretenimento para terminar a saga em beleza. E a grande constatação é que quer filme, quer Marquand, cumprem. E cumprem com classe. 

A primeira coisa que se nota em ‘Return of the Jedi’ é a clara mudança de ambientes em relação a ‘Empire’. Do negro e escuro do espaço, das parcas localizações e dos ambientes opressivos (como Dagobah) voltamos a viajar por muitos pontos da galáxia e passamos para os ambientes cheios de luz e cor; do luminoso deserto de Tatooine (muito menos agastado do que a sua apresentação no original ‘Star Wars’), à floresta verde e cheia de vida da Lua de Endor. A segunda é que o argumento é cíclico, fechando aquilo que se abriu em ‘Empire’ e de certa forma dando-nos uma espécie de remake do original ‘Star Wars’, com a semelhante temática da Estrela da Morte que é preciso destruir. Ambos estes pontos respondem claramente a esta concepção de ‘Return of the Jedi’ como um filme que “apenas” quer oferecer uma excitante aventura que trás à memória a essência do filme original.

Assim sendo, o filme é muito mais focado nas suas sequências de acção/aventura, mesmo que estas sejam algo marginais à estrutura da história principal. A economia cénica e a subtileza psicológica de ‘Empire’ já não têm lugar aqui. Portanto, após a sequência inicial provocar o espectador com a eventual aparição do Imperador (recordemo-nos que nunca ninguém o tinha visto, com a excepção de um holograma de parcos segundos em ‘Empire’), ‘Return of the Jedi’ dá-se ao luxo de abandonar o Império e Darth Vader (preocupado em acabar a construção da Segunda Estrela da Morte antes da visita do Imperador) na meia hora seguinte de filme. Isto é absolutamente incrível (em ‘Empire’ o contraponto com o lado negro é uma necessidade constante), mas a verdade é que essa falta não é muito sentida aqui. Este filme pertence aos bons e à luz. Assim, e tomando de novo a perspectiva cómica de R2-D2 e C3PO (que ‘Empire’ não tinha), o filme dedica-se a uma majestosa sequência de acção em várias partes em que os nossos heróis resgatam Hans Solo das garras de Jabba the Hut (mais uma daquelas fantásticas criações que adoramos precisamente porque são marionetas e por isso têm muito mais vida que as artificiais criações CGI).

"Tal como os ensinamentos de Yoda em ‘Empire’, os Ewoks (expressando a voz de Lucas) lembram-nos que a beleza da Galáxia está nas pequenas coisas, nas pequenas criaturas. Menos cinematograficamente espectaculares? Sem dúvida. Mas representam perfeitamente aquilo que para mim é a verdadeira essência de ‘Star Wars’ 

Da tensão no Palácio de Jabba, à excitante sequência do ‘Sail Barge Assault’ no deserto, o filme estabelece aqui o ritmo que manterá sempre até ao final (crédito para Marquand). A sensação de aventura é uma constante e as sequências de acção, ou pelo menos de tensão, seguem-se umas às outras praticamente sem interrupção. Nem as duas sequências de ritmo mais lento conseguem quebrar esta energia. Pelo contrário, só ajudam a enriquecer o filme. A primeira é a brevíssima aparição em jeito de despedida de Yoda (uma cena adicionada em fase tardia para que ficasse claro para o público infantil que Darth Vader era o pai de Luke). Verdade que é uma cena algo desnecessária em que pouco se passa (embora haja mais uma revelação, quiçá previsível, de um grau de parentesco), mas mesmo assim é uma alegria ver, nem que seja por breves minutos, a mestria de Frank Oz. E a passagem de Yoda para a Força (note-se a única morte de um Jedi em toda a saga de “causas naturais”) não deixa de ser comovente.

A segunda é a pausa que o filme faz para nos introduzir os Ewoks; os pequeno ursinhos fofos (será que foram inspirados pelos Ursinhos Carinhosos criados em 1981?!) que vivem nas florestas de Endor, a pequena Lua onde o Império decidiu colocar a central de controlo do escudo de forças da Estrela da Morte e que nos nossos heróis pretendem desactivar antes do ataque final. Os Ewoks, digam o que disserem sobre a sua infantilidade ou que foram exclusivamente pensados em termos de merchandising, são umas criaturas excelentes, engraçadas e que inspiram boa disposição. De novo o CGI não é preciso para nada. Carrie Fisher nunca teria a sua terna reacção ao pêlo fofo dos Ewoks (que o espectador sente) se interagisse com uma criatura digital. E, tal como os ensinamentos de Yoda em ‘Empire’, os Ewoks (expressando a voz de Lucas) lembram-nos que a beleza da Galáxia está nas pequenas coisas, nas pequenas criaturas. Menos cinematograficamente espectaculares? Sem dúvida. Mas representam perfeitamente aquilo que para mim é a verdadeira essência de ‘Star Wars’.

Desta forma, 'Return of the Jedi' é um triunfo da montagem dinâmica, algo que mais tarde a batalha final em três frentes (a Batalha dos Ewoks liderada por Leia e Solo; o ataque à Estrela da Morte em que Lando pilota o Millenium Falcon; e o confronto físico e psicológico entre Luke, Vader e o Imperador) demonstra com exímia clareza. George Lucas é um mestre editor e aqui prova-o de uma forma soberba, num último acto que vai aumentando em espectacularidade a cada segundo que passa. E os efeitos visuais são, definitivamente, os melhores de toda a saga. A evolução vertiginosa da ILM no início da década de 1980, de uns talentosos técnicos a inventar à medida da necessidade até à primeira grande companhia de efeitos especiais do cinema moderno, permitiu fazer visuais incríveis em ‘Return of the Jedi’, para mim bem mais belos e mais realistas do que aqueles que os computadores conseguem fazer hoje. A paixão pelo realismo dos efeitos é notória. Não é possível comparar o ataque final à Estrela da Morte com por exemplo os efeitos da Guerra dos Clones em ‘Episode II’, vinte anos depois. Os primeiros são excitantes e realistas. Têm vida. Os segundos são só escapismo digital e artificial. São planos apesar da sua tridimensionalidade.

"Mas ‘Return of the Jedi’ tem ainda mais um trunfo na manga. Hitchcock dizia que quanto melhor o vilão, melhor o filme. E ‘Return of the Jedi’ tem um vilão absolutamente brutal. (...) Não há palavras para descrever McDiarmid como o Imperador; a sua voz é deliciosamente maléfica, a sua presença física imensa, a sua aura ameaçadora (...). A sua sedução macabra de Luke durante a batalha final, tentando-o para o lado negro, é um dos marcos do filme."

Já em termos dramáticos, como disse, o melhor que o filme tem é herdado dos anteriores, e pouco acrescenta. Isto não é necessariamente mau porque a linha emocional é mantida, mas peca pelos elementos dramáticos estarem totalmente afogados pela (excelente) aventura maior que domina todo o filme. A relação entre Leia e Hans, por exemplo, está perfeitamente definida pelos eventos de ‘Empire’ e não tem mais por onde avançar. E só não é definitivamente consumada mais cedo porque o filme mantém em segredo de Hans e de Leia (claramente para criar uma tensãozinha entre eles) aquilo que o espectador já sabe: que Leia é a irmã gémea de Luke. 

Mas ‘Return of the Jedi’ tem ainda mais um trunfo na manga. Hitchcock dizia que quanto melhor o vilão, melhor o filme. E ‘Return of the Jedi’ tem um vilão absolutamente brutal. Não, não é Darth Vader. É um bem melhor (pelo menos para mim); o Imperador. O escocês Ian McDiarmid foi escolha pessoal de Marquand (mais um ponto para ele) que teve de insistir perante Lucas não só para que lhe fosse dado o papel físico, mas também para que a sua voz não fosse dobrada por Clive Revill (que dera a voz ao holograma do Imperador em ‘Empire’). Esta foi, sem dúvida alguma, a contribuição individual mais importante de Marquand a ‘Return of the Jedi’ e aliás a toda a saga. Não há palavras para descrever McDiarmid como o Imperador; a sua voz é deliciosamente maléfica, a sua presença física imensa, a sua aura ameaçadora (eu tinha-lhe dado o Óscar, sem dúvida). A sua sedução macabra de Luke durante a batalha final, tentando-o para o lado negro, é um dos marcos do filme. Não por causa de Luke. Muito menos por causa de Vader. É tudo obra de McDiarmid que vinte anos mais tarde, nas prequelas, continuaria a provar a sua incrível mestria num papel que nasceu para fazer. E já agora, o momento em que a raiva de Luke explode (“If you don’t turn to the dark side, perhaps she will!”) contém para mim os segundos mais belos da banda sonora de John Williams de toda a saga, com os coros góticos do tema do Imperador a atingirem o seu pico dramático.

Na década em que os filmes de acção atingiram a maior idade (‘Rambo’, ‘Die Hard’, ‘Aliens’, etc) é curioso notar, algo que poucos salientam, que ‘Return of the Jedi’ é uma lição extraordinária de como se faz um extasiante e viciante filme de acção/aventura que não deve nada, absolutamente nada, às melhores entradas do género nesta década. A sua maior falha é ser telegráfico nas suas emoções, mas a verdade é que ter duas obras-primas a suportá-lo, ‘Star Wars’ e ‘Empire’, permite-lhe ser um pouco mais displicente nesse departamento. De si oferece ao espectador deliciosas criaturas (quer Jabba quer os Ewoks são as melhores criaturas secundárias de toda a saga), as melhores sequências de acção e efeitos especiais da trilogia, e a tensa e excitante climática batalha final. Ou seja, cumpre perfeitamente o seu objectivo inicial. E nós agradecemos.

"Na década em que os filmes de acção atingiram a maior idade (...) ‘Return of the Jedi’ é uma lição extraordinária de como se faz um extasiante e viciante filme de acção/aventura (...) A sua maior falha é ser telegráfico nas suas emoções, mas a verdade é que tem duas obras-primas a suportá-lo (...) De si oferece ao espectador deliciosas criaturas (...), as melhores sequências de acção e efeitos especiais da trilogia, e a tensa e excitante climática batalha final."

Na gigantesca fantasia familiar que é Star Wars, ‘Return of the Jedi’ dá-nos um dos melhores pedaços, senão de Cinema, pelo menos de deleite visual, terminando assim a saga numa nota elevada e festiva. O caminho pode ser relativamente simples, mas não o é o de todos os contos de moral? No final o bem triunfa sobre o mal e essa é a melhor lição de todas, é a maior magia de todas. Quem não se comove, ou pelo menos sente um confortante calor, com a redenção final de Vader? E que nunca cantarolou com os Ewoks na festa que termina o filme? São essas as memórias que permanecem.

Talvez em retrospectiva, o final feliz na “galáxia” (leia-se a aldeia dos Ewoks) que tanto nos saciou em crianças seja agora um pouco redutor sabendo a imensidão de mundos que as prequelas nos mostraram (mesmo Lucas tendo acrescentado alguns planos de festa em Naboo e Coruscant na versão de 1997, nas vésperas de ‘The Phantom Menace’). Mas o sentimento prevalece, essa alegria inocente que ‘Empire’ havia perdido e que ‘Return of the Jedi’ recaptura. A lenda já estava criada, as personagens já estavam estabelecidas, a profundidade emocional já estava trilhada. Aqui, o filme convida o espectador a relaxar na cadeira e a desfrutar de todos estes elementos. Simplesmente desfrutá-los, com a certeza de um final feliz e com o calor confortante de estar em família. Porque Star Wars é a nossa família. Pelo menos a trilogia original que, tal como as figuras dos Jedi perecidos que surgem no final, é eterna.

Por isso mesmo, a única coisa que realmente nunca poderemos perdoar a Lucas é ter introduzido o pascôncio do Hayden Christensen por breves segundos nesta cena, na versão definitiva do filme, ao lado do Obi-Wan de Alec Guiness e Yoda. É o que se chama estragar o que é perfeito. Passamos por uma das melhores trilogias da história do cinema, passamos por um fantástico filme de aventuras cheio de excitação, e no fim temos que olhar para a cara do pior actor da saga e recordarmo-nos que as prequelas não são assim tão boas. Ninguém merece. Nem o espectador, nem realmente, a magia da trilogia original.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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