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Dêem um Óscar ao Thomas Newman! (#givetheoscartothomasnewman)


O senhor na imagem, recebendo um Grammy, chama-se Thomas Newman e é compositor de bandas sonoras. Aliás, é autêntica realeza no universo dos compositores de Hollywood, como descrevi no meu post 'Top 10 - As grandes dinastias do cinema'. O seu pai foi Alfred Newman, o director musical da 20th Century Fox na era clássica (é seu o mini-tema do estúdio que todos sabemos trautear), e foi um dos mais influentes compositores da história do cinema, tendo vencido nada menos que 9 Óscares de Melhor Banda Sonora entre 1939 e 1968. Os seus tios Emil e Lionel Newman também compuseram para filmes, sendo que o segundo venceu igualmente um Óscar em 1969. A sua irmã, Maria Newman, toca em orquestras cinematográficas e o seu irmão David Newman compôs bandas sonoras para filmes como 'Ice Age' (2002) ou 'Serenity' (2005). Já o seu primo Randy Newman é um dos mais bem amados cantores/compositores de folk/pop americano, e já venceu 2 Óscares de Melhor Música, pelos seus simpáticos temas para 'Monsters Inc.' (2001) e 'Toy Story 3' (2010). E o seu sobrinho, Joey Newman está a dar os primeiros passos no negócio de família, tendo já composto para algumas séries como  'The Mysteries of Laura'.

Mas o descendente mais brilhante de Alfred Newman é mesmo o seu filho Thomas. Com cerca de trinta ano de idade, no início da década de 1980, começou a compor para filmes de adolescentes como o mítico 'Revenge of the Nerds' (1984) ou 'Girls Just Want to Have Fun' (1985) e lentamente foi trilhando o seu próprio percurso, fora da sombra do pai e da restante família, até chegar ao topo da sua profissão. No meu 'TOP 15 - Os melhores compositores de bandas sonoras' coloquei-o num honroso 8º lugar. Já compôs para um filme que venceu o Óscar de Melhor Filme ('American Beauty', 1999), para James Bond ('Skyfall', 2012'Spectre', 2015), para a Disney/Pixar ('Finding Nemo', 2003; 'Wall-E', 2008), e para grandes realizadores como Spielberg ('Bridge of Spies'), Robert Redford ('The Horse Whisperer', 1998), Frank Darabont ('The Shawshank Redemption', 1994; 'The Green Mile', 1999), Milos Forman ('The People vs. Larry Flynt', 1996), Steven Soderbergh ('Erin Brockovich', 2000'The Good German', 2006), Ron Howard ('Cinderella Man', 2005) ou Martin Brest ('Scent of a Woman', 1992; 'Meet Joe Black', 1998). Só a sua banda sonora para 'Meet Joe Black', mesmo que não tivesse composto para mais nenhum filme na vida, seria suficiente para garantir a sua imortalidade nos anais da música e do cinema. Digo eu, do alto da minha modesta opinião.

Mas ao contrário do pai Alfred, do tio Lionel e do primo Randy, Thomas ainda não tem uma estatueta dourada em casa. Tem três Grammy, dois BAFTA, um Emmy, um Annie, um BMI, e uma série de outros prémios. Mas não tem um Óscar. Isto, apesar de ter recebido a sua 14ª nomeação (!!!) este ano. Para mim a justificação mais plausível é que o estilo de Newman não é ostensivo. Já o descrevi nestas páginas como "delicado, subtil, envolvente e quando explode, não é em epicidade musical, é em emoção". Portanto, são bandas sonoras mais líricas que passam muitas vezes despercebidas na primeira vez que se vê os filmes. Estão lá parar criar uma atmosfera emocional, não para chamar a atenção para si próprias. E todos sabemos que hoje em dia uma banda sonora que chama atenção para si própria e que tem grande destaque no filme tem muito mais probabilidade de ganhar um Óscar. É por isso que ano após ano ganham ilustres compositores, mas pouco relevantes em termos de longevidade e contributo para a arte cinematográfica, e outros como Ennio Morricone tiveram de esperar cinquenta anos pela estatueta.

A popularidade do filme é mais importante que a marca do compositor. James Horner ganhou o seu único Óscar por uma das suas menores bandas sonoras (a de 'Titanic', 1997), Hans Zimmer ainda hoje também só tem um (por, imagine-se, 'Lion King', 1994), Alexandre Desplat finalmente chegou lá em 2014 por 'The Grand Budapest Hotel' à oitava nomeação e John Williams já não ganha um desde 1993 apesar de mais 19 nomeações desde então. Claro que isto não significa que compositores menos conhecidos sejam imerecidos vencedores. Jan A.P. Kaczmarek foi um justo vencedor por 'Finding Neverland' (2004) tal como Ludovic Bource por 'The Artist' (2011), as únicas nomeações de ambos. Mas é incrível ver artistas como Gustavo Santaolalla (que não ganhou um, mas dois Óscares seguidos por 'Brockeback Mountain', 2005, e 'Babel', 2006); A. R. Rahman ('Slumdog Millionaire', 2008); Trent Reznor ('The Social Network', 2010); ou Steven Price ('Gravity', 2013), a ganhar o Óscar e a desaparecerem do mapa enquanto outros compositores exímios e de enorme longevidade como Patrick Doyle, Danny Elfman ou Thomas Newman regressam às cerimónias em intervalos regulares e saem sempre de mãos a abanar, só porque os filmes para os quais compõem não são o menino-querido desse ano.

Este ano vai acontecer precisamente a mesma coisa. Um até agora desconhecido compositor (Justin Hurwitz), apenas no seu terceiro filme ('La La Land') vai levar o Óscar para casa à primeira nomeação. O facto de muito provavelmente ser uma justa vitória não apaga que por entre os não vencedores estará, pela décima quarta vez, Thomas Newman. Por tudo o que deu ao Cinema, o homem muito simplesmente não o merece. Eu não quero saber que seja um Óscar honorário, mas está na altura da Academia dar o merecido reconhecimento ao senhor Newman. E para provar ao leitor a força do meu argumento, ficam aqui excertos das suas quatorze composições nomeadas, mais duas das minhas preferidas que não o foram. Está na altura: dêem um Óscar ao Thomas Newman!

#givetheoscartothomasnewman


Scent of a Woman (1992) 
Não nomeado para o Óscar, mas é uma banda sonora simpática e o CD original está ali pertinho, pousado na estante...


Nomeação nº 1: The Shawshank Redemption (1994)
Perdeu para Hans Zimmer ('The Lion King'). Mais um CD original que faz parte da minha colecção.


Nomeação nº 2: Little Women (1994)
Logo no primeiro ano em que foi nomeado, fê-lo a dobrar. O que torna ainda mais pesada a sua derrota para Hans Zimmer.


Nomeação nº 3: Unstrung Heroes (1995)
Perdeu para Alan Menken ('Pocahontas').


Meet Joe Black (1998)
Não nomeado para o Óscar (incrível!), mas tinha de estar nesta lista. É a grande obra-prima da sua carreira e um CD que adoro tirar da estante e ouvir e re-ouvir e re-ouvir e re-ouvir...


Nomeação nº 4: American Beauty (1999)
No ano em que supostamente deveria ganhar (afinal, 'American Beauty' ganhou Melhor Filme), perdeu para John Corigliano ('The Red Violin'), um compositor de música clássica e ópera que praticamente só compôs música para esse filme...


Nomeação nº 5: Road to Perdition (2002)
Perdeu para Elliot Goldenthal ('Frida').


Nomeação nº 6: Finding Nemo (2003)
Perdeu para Howard Shore ('The Lord of the Rings: The Return of the King'), que já havia ganho por 'Fellowship of the Ring' e cuja re-nomeação e novo prémio por uma partitura de base musical semelhante foi fonte de alguma polémica...


Nomeação nº 7: A Series of Unfortunate Events (2004)
Perdeu para Jan A. P. Kaczmarek ('Finding Neverland'). A derrota mais justa desta lista.


Nomeação nº 8: The Good German (2006)
Perdeu para Gustavo Santaolalla ('Babel'). A derrota mais injusta desta lista (não só a de Newman, mas dos outros nomeados).


Nomeação nº 9: WALL·E (2008)
Perdeu para A. R. Rahman ('Slumdog Millionaire').


Nomeação nº 10: 'Down to Earth'; WALL·E (2008)
A sua única nomeação para Melhor Música, partilhada com Peter Gabriel. Perdeu para A. R. Rahman e Gulzar com a canção 'Jai Ho' ('Slumdog Millionaire').


Nomeação nº 11: Skyfall (2012)
Perdeu para Mychael Danna ('Life of Pi').


Nomeação nº 12: Saving Mr. Banks (2013)
Perdeu para Steven Price ('Gravity'). Uma grande parvoíce.


Nomeação nº 13: Bridge of Spies (2015)
Perdeu para Ennio Morricone ('The Hateful Eight'). Bem, não nos podemos queixar desta (Viva Morricone!) embora seja de destacar o trabalho enorme de Newman, no primeiro filme de Spielberg sem banda sonora de John Williams em trinta anos.



Nomeação nº 14: Passengers (2016)
Não parece haver dúvidas que irá perder de novo, para Justin Hurwitz ('La La Land'). Esperemos que o dia de Thomas chegue em breve.



#givetheoscartothomasnewman

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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