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Nomeados Óscar de Melhor Música - Edição 2016 (Cerimónia de 2017!)


Os Óscares estão aí à porta. Verdade verdadinha. Este ano com enorme previsibilidade mas faz parte do folclore. Uma das categorias que gosto sempre de olhar com detalhe (gosto pessoal) é a de Melhor Música. Como prova, o leitor já pode ler em EU SOU CINEMA a análise detalhada às músicas que ganharam o Óscar de Melhor Música na década de 1980 e na década de 1990, verdadeiros retratos de uma época - para o melhor e para o pior!

A década de 2010 tem sido até agora dominada por duas grandes entidades, a Disney e, surpreendentemente, James Bond. A Disney não é uma desconhecida desta categoria desde que ganhou com "When You Wish Upon a Star" de 'Pinocchio' no longínquo ano de 1940. Durante a sua era dourada na década de 1990, ganhou mais seis vezes, mas após "You'll Be in My Heart" do filme 'Tarzan' (1999) que valeu o Óscar a Phil Collins, a Disney teve de esperar uma década para voltar a vencer. Mas quando voltou, voltou em força. Nos últimos seis anos venceu três vezes, uma por cada faceta do estúdio: como actual detentora da Pixar pela canção "We Belong Together" do filme 'Toy Story 3' (2010); no ano seguinte como produtora de imagem real por "Man or Muppet" do filme 'The Muppets' (2011) e claro, com o mega-sucesso "Let It Go" de 'Frozen' (2013).

Já a saga de James Bond finalmente (finalmente!) teve o seu primeiro Óscar de Melhor Música em 2012 por 'Skyfall' (2012), muito graças à gigantesca popularidade de Adele (se não fosse isso duvido muito que tivessem conseguido quebrar o enguiço...). E, não contentes com esse feito histórico, voltaram a ganhar de novo na última cerimónia, cortesia de Sam Smith e "Writing's on the Wall" para o filme 'Spectre' (2015). A única música que não da Disney e James Bond que ganhou esta década foi "Glory" do filme 'Selma' (2014), um tema de intervenção social que valeu o Óscar a Common e John Legend.

Este ano não temos James Bond, mas temos um line-up (quase) clássico. Temos a Disney de novo, como não podia deixar de ser (Shakira ficou de fora com a sua música para 'Zootopia' mas 'Moana' preenche a vaga cativa do estúdio); temos uma canção feel-good e comercial de outro filme de animação; temos uma música com uma forte temática social; e temos duas canções do filme sensação do ano, que só por acaso é um magnífico retorno ao género musical.


Não conhece os nomeados para o Óscar de Melhor Música deste ano? Então fique a conhecê-los com EU SOU CINEMA.


"The Empty Chair" (do filme 'Jim: The James Foley Story')

Música e Letra: J. Ralph e Sting

Num parágrafo: Pode parecer o outsider desta lista, mas é típico da Academia nomear uma música da autoria de um popular cantor associada a um documentário de relevância social. No ano passado, por exemplo, foi Lady Gaga por 'The Hunting Ground', um documentário sobre violações em campus universitários. Este ano é Sting e J. Ralph com uma música pertencente a um documentário sobre o jornalista americano que morreu às mãos do Estado Islâmico em 2014, e que ainda recentemente o próprio Sting interpretou no Bataclan. De notar que é a quarta nomeação de Sting para Melhor Música, depois de 'The Emperor's New Groove' (2000), 'Kate & Leopold' (2001) e 'Cold Mountain' (2003). E é a terceira de J. Ralph nos últimos cinco anos (também ainda sem vencer); o activista, produtor e músico que se especializou em documentários deste género. No meio disto tudo, a música propriamente dita fica para segundo plano, um hino lírico e sentido, mas realmente pouco memorável e no qual se lamenta, acima de tudo, a voz agastada de um velho Sting.


"How Far I'll Go" (do filme 'Moana')

Música e Letra: Lin-Manuel Miranda

Num parágrafo: A sequela musical de 'Let it Go', o vencedor do Óscar de Melhor Música em 2013, é, como lhe chamei na minha crítica ao filme "um hino de emancipação jovem que é interpretado com um fulgor entusiasta pela jovem estreante Auli'i Cravalho". De facto, composta pelo novo prodígio do teatro musical Lin-Manuel Miranda no seu primeiro filme, a música tem uma energia contagiante e vai passando pelos temas clássicos do cinema disneyano com uma inovadora frescura, tal como a brisa do mar. Considerando o poder que a Disney tem nestas coisas, seria um fortíssimo candidato ao Óscar, isto é, se não fosse o ano de 'La La Land'...



"Can't Stop the Feeling" (do filme 'Trolls')

Música e Letra: Justin Timberlake, Max Martin, Shellback

Num parágrafo: Este é o tema que, desde o seu primeiro lançamento no Verão passado, eu sempre achei que devia ganhar o Óscar de Melhor Música este ano. Claro que é "só" um tema comercial de um filme de animação, que ainda por cima não é "artístico" como os da Disney. Claro que o seu intérprete é "apenas" Justin Timberlake, que compôs o tema juntamente com Martin (compositor para as grandes boys-bands dos anos 1990, NSYNC inclusive) e Shellback (que compõe regularmente para Taylor Swift). E claro que o tema não tem uma grande mensagem; é "apenas" um hino feel-good, para obrigar o corpo a dançar, electrizando-o de boa disposição. Mas tomara que todos os hinos feel-good fossem assim. É uma música que é pura alegria, que não está presa a nenhum estereótipo e à qual ninguém, tal como os trolls, consegue resistir sem começar a fazer um passinho de dança. Dêem o Óscar ao Justin. Ele merece. Mais do que Legend, Adele ou Sam Smith



"Audition (The Fools Who Dream)" (do filme 'La La Land')

Música: Justin Hurwitz | Letra: Benj Pasek e Justin Paul

Num parágrafo: Se este ano 'La La Land' lá vai ter que ganhar o Óscar de Melhor Música (seria escandaloso que o filme musical que com toda a certeza irá ganhar Melhor Filme não ganhasse também as duas categorias de Banda Sonora e Música) então, das duas canções nomeadas, esta é que deveria ganhar. Mas isso, curiosamente, não irá acontecer. 'Audition' é uma música soberba, não tanto isoladamente (uma balada sentida e nostálgica sobre sonhos vencidos que se torna num hino de revolta e esperança), mas pelo seu entrosamento na história do filme. Afinal, era esse o objectivo inicial da categoria, que ao longo das décadas se foi dissipando, transformando-se numa batalha de popularidade entre músicos famosos com músicas muitas vezes compostas à parte dos filmes e espetadas à força nos genéricos finais. Ao menos esta tem uma importância gigantesca no filme e no arco da personagem de Emma Stone. E por falar em Emma Stone, de dizer que está incrível nesta interpretação, como se fosse uma cantora profissional. Se ganhar o Óscar de Melhor Actriz, esta cena foi sem dúvida decisiva.



"City of Stars"  (do filme 'La La Land')

Música: Justin Hurwitz | Letra: Benj Pasek e Justin Paul 

Num parágrafo: E por fim 'City of Stars', o single de apresentação do filme e que tem estado a arrebatar tudo o que é prémio: Melhor Música nos Globos de Ouro, nos prémios Satellite, nos prémios da Broadcast Film Critics Association, no Festival de Capri, nos prémios da Hollywood Music In Media, e numa série de outras cerimónias da crítica americana (Houston, Georgia, Las Vegas, Phoenix,...). Não acho que o tema seja tão impactante como 'Audition' ou até a música de abertura do filme 'Another Day of Sun', uma homenagem extraordinária a Michel Legrand. Mas é uma melodia de uma simplicidade tentadora e até sedutora, com um pequeno conjunto de notas que tocam em espiral e uma cumplicidade perceptível, não só entre os intérpretes, mas também entre estes e o espectador. Mesmo, é preciso dizer, sendo a interpretação vocal de Gosling péssima. Mas no fundo, não nos podemos esquecer que a música é um mini-hino à Cidade das Estrelas, que é como quem diz à La La Land, que é como quem diz a Los Angeles. E LA é a casa desta gente toda da Academia. Ou seja, é um hino em forma de balada smooth ao mundo descaracterizado da Hollywood onde todos, como diz a música, procuram "A rush, A glance, A touch, A dance". E se isso não é a essência da velha Hollywood, então não sei o que é. E portanto isso parece ser uma razão tão válida como qualquer outra para ganhar o Óscar, tendo em conta, realmente, aquilo que os Óscares são: uma auto-celebração da própria Hollywood.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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