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The Girl with the Dragon Tattoo

Ano: 2011

Realizador: David Fincher

Actores principais: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer

Duração: 158 min

Crítica: Provavelmente não sou a melhor pessoa para comentar o último filme de David Fincher, pois não li (ainda) o romance original de Stieg Larsson, embora já tenha visto a trilogia cinematográfica original sueca. Digo ‘ainda’ pois, perante a qualidade quer dos filmes suecos, quer deste primeiro filme americano, certamente vou arranjar tempo para me enriquecer culturalmente ao sabor desta obra, pois como toda a gente sabe, os romances são bem melhores que os filmes que inspiram (dos filmes que vi baseados em livros que já li, apenas ‘Big Fish’, adaptado por Tim Burton, provou ser melhor).

O poder de ‘The Girl with the Dragon Tattoo’ é precisamente o seu argumento, portanto o romance original deve ser ainda mais bem conseguido. A história é cativante, ao bom género do policial moderno. Um dos meus romances preferidos de Agatha Christie é ‘Five Little Pigs’, no qual Poirot resolve um crime passados 16 anos, apenas baseado nos relatos das testemunhas. Não sei se Stieg Larsson alguma vez leu esse livro, mas a estrutura é de certa forma semelhante. Daniel Craig e Rooney Mara procuram uma mulher, a neta de Christopher Plummer, desaparecida há 40 anos, e que provavelmente foi vítima de um serial killer. Este, por sua vez, é provavelmente um de um grupo muito restrito de pessoas. A investigação faz-se através de entrevistas aos membros da família e através da pesquisa em arquivos, fotos antigas, espionagem a computadores, etc. Esta parte da história, embora com muitos ‘twists and turns’ é, ao mesmo tempo, ‘straighforward’. Há um problema e no fim haverá uma solução. Contudo, é consistente, coerente com as pistas, e nunca deixa de ser interessante nem cativante. Claro que num filme tudo se passa rápido portanto a construção do suspense nunca é tão cativante como num romance, e a partir de certo ponto torna-se previsível, pois há uma linha que um filme tem de seguir, mas mesmo assim este filme consegue resultar e até surpreender.

Mas o interesse do filme americano reside em duas coisas mais que a história base. Primeiro está a construção das personagens dos dois investigadores (que na realidade só começam a trabalhar juntos no último terço do filme). Principalmente a rapariga com a tatuagem do dragão, Rooney Mara, está incrivelmente bem construída, uma performance bem merecedora da sua nomeação para o Óscar. Se a performance de Noomi Rapace nos filmes suecos é memorável, a de Mara consegue (quase) equiparar-se, o que é um grande feito para a jovem atriz.

Por outro lado está a realização e o design de produção. Fincher constrói o filme a um ritmo apressado mas metódico, que prende o espectador. Os ambientes são gélidos, e a luz é sempre ténue (exceptuando os flashbacks, com um simbolismo óbvio) e este é o ambiente propício para explorar a depravação humana revelada no argumento. Contudo, tal como ‘Social Network’ este é um filme que se passa sempre no mesmo tom. Fincher filma tudo da mesma forma. Visto que é o segundo filme seguido em que faz isso, começo a desconfiar…

Já Daniel Craig está igual a si próprio. Embora a sua presença como investigador seja uma peça fulcral do filme e resulte, fá-lo com a mesma intensidade como faz de Bond. É daqueles actores com uma ‘persona’ que não muda. Aliás, enquanto o resto do elenco procura formular uma espécie de sotaque sueco (o que se torna algo enervante – se assumem que todos falam inglês na Suécia, então não importa que seja com sotaque ou não), Craig nem esforço faz e fala com a sua voz americana normal.

Comparando as duas adaptações, pode-se dizer que o filme americano é ‘mais filme’ que o sueco. O sueco é mais detalhado (deve retirar mais elementos do livro) e portanto acaba por ser mais telegráfico, passando de evento para evento (também consequência dos cortes para passar de série a formato de cinema). No filme americano as personagens têm mais tempo para ser exploradas, e Fincher dá a ponderação adequada à construção da história, principalmente nos primeiros dois terços do filme. No último terço, curiosamente, ocorre o inverso. É o filme sueco que mais obriga o espectador a ponderar sobre o desenlace da história. O americano, talvez a pensar na sequela, chega ao clímax num salto e rapidamente arruma as coisas. Uma sequela que, devido à falta de acordo do estúdio com Fincher, está ainda sem data para ser realizada…

No ano anterior Fincher tinha estado nomeado para o Óscar com ‘Social Network’ e especulou-se muito que seria o vencedor (na realidade merecia mais que Tom Hooper – quem?! O realizador do ‘King’s Speech’). Vendo ‘The Girl with the Dragon Tattoo’ parece incrível que não tenha havido nomeações nem especulações. Ao contrário de ‘Social Network’, eis aqui um thriller bem construído, com uma história sólida e muito interessante, filmada num ambiente muito próprio que só por si envolve o público e o absorve na história. É ‘apenas’ um thriller, sim, é chocante por vezes mas é um dos melhores filmes de investigação jornalística/criminal dos últimos anos. É apenas um ‘thriller’, sim, mas todos adoramos um bom ‘thriller’. E este é um bom ‘thriller’. 

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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