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Sunnyside

Ano: 1919

Realizador: Charles Chaplin

Actores principais: Charles Chaplin, Edna Purviance, Olive Ann Alcorn

Duração: 41 min


Crítica: (Esta é a quinta crítica de um ciclo sobre as 10 curtas-metragens que Charles Chaplin realizou durante o seu período com a distribuidora First National (1918-1923). Pode ler a introdução a este ciclo na minha crónica “Chaplin na First National (1918-1923) - Introdução para um ciclo de críticas” (link aqui), bem como ter acesso aos links para as restantes críticas à medida que forem publicadas.)

Depois de atingir o pico criativo com ‘Shoulder Arms’, ‘Sunnyside’ surgiu como uma das piores experiências da carreira de Chaplin. Demorou quase 1 ano a fazê-la, devido aos seus problemas conjugais e ao ‘bloqueio’ e falta de inspiração que sofreu como consequência (ver a introdução acima citada). Na sua autobiografia descreveu a experiência como tão dolorosa como arrancar dentes. ‘Sunnyside’ acaba por ser mais simples e muito menos ambiciosa que o seu espólio contemporâneo (o final demasiado fácil é prova disso), mas não é menos engraçada ou até interessante (a cena da dança idílica, por exemplo, era atípica na obra de Chaplin até então), embora tenha um fio condutor menos enérgico. A acção translada-se para uma pequena vila no campo, e as piadas fluem com facilidade e simplicidade, traduzindo a vida pacata destas paragens onde Chaplin partilha a cena com galinhas e vacas e cuida (ou procura cuidar) de uma pequena estalagem.

Contudo, a curta tem imensa dificuldade em continuar após explorar as potencialidades iniciais deste contexto. Para espevitar a história, Chaplin recorre de novo ao romance com Edna (o intertítulo assim o anuncia) e a subsequente perda cómico-trágica para o rival, um homem abastado da grande cidade. Daqui Chaplin extrai a comédia habitual que oscila entre o ternurento (quando Chaplin usa os seus pequenos meios para impressionar a miúda) e o nostálgico e semi-trágico (quando não o consegue), até que chegamos ao final (algo preguiçoso visto repetir um elemento chave de ‘Shoulder Arms’) onde a curta termina com um sorriso esperançoso que neste caso é desapontante pois é forçado. É quase como se Chaplin, desencantado com a vida e com o amor, quisesse ele próprio acreditar desesperadamente que tal esperança era possível. A curta pode expurgar os sentimentos de Chaplin. Mas não tem força emocional para fazer o mesmo pelo espectador.

Salva a curta o infindável génio cómico de Chaplin, especialmente na primeira parte quando o Vagabundo se movimenta num 'novo' meio, o rural, que explora com energia e frescura. Já a história é uma amálgama de pequenos quadros, muitas vezes desconexos, e que possuem pouco interesse por si, ou repetem os conceitos de curtas anteriores. Talvez sejam esses os motivos, o final feliz (mas não lírico) e a falta de um fio condutor, que fazem ‘Sunnyside’ ser geralmente considerado uma obra menor, uma das piores do Chaplin pós Mutual. Mas em sua defesa, apesar de tudo, a comédia simples que proporciona é irrepreensível, a inventividade de Chaplin também, por isso digam o que disserem, acaba sempre por valer a pena. É pior que as suas curtas contemporâneas, é certo, mas é muito melhor que as suas curtas para a Keystone, para começar! E depois há o resto, porque Chaplin será sempre Chaplin…


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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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