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Top 10 - As grandes dinastias do cinema

Quem sai aos seus, dizem, não degenera. Não é que isto seja propriamente verdade em Hollywood, mas também não é mentira que pais famosos tiveram filhos famosos. O grande Kirk Douglas e o seu filho Michael. John Voight e Angelina Jolie. Jerry e Ben Stiller. Lloyd e Jeff Bridges. Depois temos os casamentos entre celebridades que geraram rebentos que tentaram a sua sorte no cinema. Janet Leigh e Tony Curtis tiveram Jamie Lee Curtis. Debbie Reynolds e Eddie Fisher geraram Carrie Fisher. Ingrid Bergman e Roberto Rossellini tiveram Isabella Rossellini. E até o filho de Will Smith e Jada Pinkett já anda para aí a fazer filmes.

Quando se fala em dinastias de Hollywood, muitos dos exemplos a que me referi no parágrafo anterior, entre muitos outros, são mencionados. Mas pai e filho não formam propriamente uma dinastia, e um casamento entre celebridades também não. Poderá formar um dia se estes filhos ou estes casais tiverem por sua vez filhos, que graças ao seu nome poderão mais facilmente lançar-se numa carreira e até, quem sabe, atingir o sucesso por mérito próprio. Mas há outras famílias, em Hollywood e não só, que já andam pelo cinema desde os seus primórdios, e cujas descendências, duas ou três gerações a seguir, ainda continuam a deixar a sua marca na sétima arte, com maior ou menor fama, com maior ou menor grau de sucesso, e ainda continuam a ostentar o nome de família, um nome que muitas vezes é sinónimo do próprio Cinema. Essas são as verdadeiras dinastias do cinema, que o moldaram, que o acompanharam ao longo da sua história em todas as vertentes, da actuação, à realização, à música, à escrita, e são essas a que me dedico neste countdown.


10. Os Carradine
de 'Stagecoach' a 'The Good Wife'


Talvez longe das mais famosas luzes da ribalta, os Carradine têm no entanto atravessado, certos e seguros, a história de Hollywood. O patriarca John Carradine entrou como actor secundário em alguns dos clássicos mais icónicos como 'Stagecoach' (1939) ou 'The Grapes of Wrath (1940), e nos anos 1940 entraria em inúmeros filmes de terror, chegando até a ser Drácula. Duas das suas quatro mulheres, Sonia SorelDoris Rich, foram também actrizes menores. O legado continuou com três dos seus filhos. David Carradine chegou à glória nos filmes de kung-fu nos anos 1970 e Tarantino iria recuperar a sua chama no século XXI ao convidá-lo a interpretar o papel de Bill em 'Kill Bill'. A quarta mulher deste foi Marina Anderson, prolifera actriz televisiva. Keith Carradine também entrou em recordados filmes dos anos 1970 como 'Nashville' (1975) ou 'The Duellists' (1977) e hoje pode ser visto em séries de sucesso como 'Dexter' ou 'Fargo'. Robert Carradine é talvez o menos sucedido dos irmãos, mas é um dos soldados no fabuloso 'The Big Red One' (1980), é um dos nerds da quadrilogia de culto 'Revenge of the Nerds' (1984-1994) e mais tarde foi o pai na popular série da Disney, 'Lizzie McGuire'. A filha de Keith, Martha Plimpton, continuou o legado da família para a terceira geração. Foi uma das crianças em 'Goonies' (1985), já trabalhou com Peter Weir ou Woody Allen, e recentemente pôde ser vista na série 'The Good Wife'. Já a filha de Robert, Ever Carradine também tem aparecido em séries como 'Commander in Chief' ou '24'.


9. Os Barrymore
de 'Grand Hotel' a 'Charlie's Angels'


Os Barrymore começaram como uma das grandes famílias do espectáculo, mas foram degenerando ao longo das gerações. Os irmãos Lionel, Ethel e John nasceram numa família de actores e nas primeiras décadas do século XX singraram primeiro no teatro, depois no cinema. Lionel Barrymore, para mim o mais brilhante dos três, foi actor e realizador do cinema mudo, venceu o Óscar de Melhor Actor em 1931 por 'A Free Soul' e mesmo depois de ficar preso a uma cadeira de rodas interpretou papéis memoráveis como o avô simpático de 'You Can't Take it With You' (1938) ou, deturpando esse estereótipo, Mr. Potter em 'It's a Wonderful Life' (1946). Ethel Barrymore sempre preferiu o teatro, e contam-se pelos dedos os seus filmes. Quando ganhou o Óscar de Melhor Actriz Secundária em 1944 pelo seu excelente papel em 'None but the Lonely Heart', já não entrava num filme há 12 anos, precisamente 'Rasputin and the Empress' (1932), o único filme em que os três irmãos contracenaram. Por fim, John Barrymore foi um dos mais aclamados Hamlet na Broadway do início do século, e no cinema seria o inevitável galã romântico, electrizando o ecrã, por exemplo, ao lado de Garbo em 'Grand Hotel' (1932). Contudo, problemas com a bebida marcaram um rápido declínio e uma morte prematura, e infelizmente essa predisposição para a dependência passou para as gerações seguintes. O seu filho com  Dolores Costello (a Isabel de 'Magnificent Ambersons', 1942), John Drew Barrymore, moveu-se entre a televisão e o cinema nos anos 1950/1960, mas sem nunca atingir grande sucesso, e ficou muito mais famoso pelos seus problemas pessoais e com drogas. A filha deste, Drew Barrymore, após o sucesso precoce em 'E.T.' (1982), aos 7 anos de idade, também se perdeu na adolescência até que ressurgiu reabilitada em meados da década de 1990, tornando-se uma das meninas queridas de Hollywood. Mas grandes filmes e grandes interpretações nem vê-los. 'Charlie's Angels'?! Drew também tem um meio-irmão que para aí anda, John Blyth Barrymore, mas nem vale a pena falar dele.


8. Os Howard
de 'The Andy Griffith Show' a 'Jurrasic World'


Os Howard também são uma sólida família de Hollywood desde a segunda metade do século XX. Rance Howard fez o seu nome na televisão (impulsionado também pelo sucesso precoce dos seus jovens filhos) mas no grande ecrã teve pequenos papéis em filmes clássicos como 'Cool Hand Luke' (1967) ou 'Chinatown' (1974), até recentemente ter entrado em 'Nebraska' (2013). Com a sua mulher Jean Speegle Howard (que teria uma carreira a fazer de 'idosa' nos anos 1980 e 1990) teve dois filhos, Ron e Clint. Ron Howard começou por ser uma das mais conhecidas child stars da televisão dos anos 1950/1960, passou pelo cinema adolescente dos anos 1970 ('American Graffiti', 1973), até finalmente optar por uma carreira como realizador. No seu cânone estão filmes como 'Far and Away' (1992), 'Apollo 13' (1995), 'Ransom' (1996), 'Frost/Nixon' (2008) ou 'Beautiful Mind' (2001), pelo qual ganhou os Óscares de Melhor Realizador e Melhor Filme. O seu irmão, Clint Howard, viveu um pouco à sombra dele na adolescência em muitos dos mesmos shows televisivos, mas desde os anos 1980 tem tido uma longa e prolifera carreira no cinema em papéis secundários. O seu olhar esgrouviado contudo, propicia muitas vezes a que faça papéis mais cómicos ou de psicopata! Já a filha de Ron, a bela Bryce Dallas Howard, entrou de rompante no cinema a meio da década de 2000 com papéis principais em filmes como 'The Village' (2004), 'Manderlay' (2005) ou 'As You Like It' (2006). Desde então, salvo raras excepções, tem preferido o blockbuster. Depois de 'Spider Man 3', 'Terminator 4' ou Twilight, vive agora o seu maior pico de popularidade com a sua interpretação em 'Jurassic World' (2015). A sua irmã mais nova Paige Howard, começou a carreira em 2009 com 'Adventureland' mas pouco mais foi vista desde então. Se quer Rance quer Clint são constantes presenças nos filmes de Ron, para quando um filme de Ron com Bryce Dallas?


7. Os Mankiewicz
de 'Citizen Kane' a 'House of Cards'


Os Mankiewicz são a grande família de argumentistas do cinema. A luz mais brilhante da família, Joseph L. Mankiewicz, é a única pessoa a ganhar em dois anos consecutivos os Óscares de Melhor Argumento e Melhor Realizador, por 'A Letter to Three Wives' (1949) e 'Eva' (1950), este último também vencedor do Óscar de Melhor Filme. Realizou/escreveu também clássicos como 'The Ghost and Mrs. Muir' (1946), 'The Barefoot Contessa' (1954) ou 'Cleopatra' (1963).  O seu irmão Herman J. Mankiewicz dedicou-se apenas à escrita, sendo um dos mais bem pagos escritores de Hollywood e tendo sido director do departamento de argumentos na Paramount. O seu argumento mais famoso? 'Citizen Kane' (1941) em parceria com Orson Welles (o único Óscar de ambos). Joseph casou com duas actrizes menores que terminaram a carreira aquando do casamento, Elizabeth YoungRose Stradner, e desta última teve dois filhos: Tom e Christopher. Tom Mankiewicz é famoso por ter co-escrito três filmes de James Bond: 'Diamonds Are Forever' (1971), 'Live and Let Die' (1973) e 'The Man with the Golden Gun' (1974); bem como 'Superman' (1978) ou 'Lady Hawk' (1985). Já seu irmão Christopher Mankiewicz produziu um ou dois blockbusters como 'A Perfect Murder' (1998) ou 'Runaway Jury' (2003), e tem pequenas aparições em meia dúzia de filmes da mesma altura. Um dos filhos de Herman, Don Mankiewicz, também decidiu ser argumentista, mas tirando um grande trabalho com 'I Want to Live!' (1958), que lhe valeu a nomeação para Óscar, a sua obra restringe-se a um enorme leque de episódios de séries televisivas. O filho de Don, John Mankiewicz seguiu as pisadas do pai na televisão mas com muito mais sucesso. Por estes dias escreve e produz séries como 'House M.D.', 'The Mentalist' ou 'House of Cards'. Os primos deste (netos de Herman e sobrinhos de Don) também já tiveram algo a ver com a sétima arte. Nick Davis e Josh Mankiewicz são produtores de documentários e Ben Mankiewicz é um jornalista que produziu a série 'What the Flick?!'


6. Os Newman
de 'Wuthering Heights' a 'Skyfall'


Estão para a música como os Mankiewicz estão para a escrita, e são a família mais galardoada de sempre no mundo do cinema. Quais Coppolas quais quê, com os seus 8 Óscares e 24 nomeações. Os Newman têm 12 Óscares e quase 90 nomeações! O patriarca, Alfred Newman, foi um dos compositores mais influentes da era clássica de Hollywood. É dele, por exemplo, o famoso tema do logótipo da 20th Century Fox, que qualquer fã de cinema sabe trautear. Alfred recebeu umas estonteantes 45 nomeações para o Óscar de Melhor Banda Sonora entre 1938 e 1971, e ganhou nada menos do que 9 vezes, o que faz dele a terceira pessoa com mais Óscares de sempre. Os irmãos de Alfred; Emil Newman e Lionel Newman, também foram compositores, o segundo inclusive vencedor de um Óscar em 1969 por 'Hello Dolly'. Três dos quatro filhos de Alfred também enveredaram pela música cinematográfica. O mais famoso é Thomas Newman, excelente compositor de direito próprio. São dele as bandas sonoras de filmes como 'The Shawshank Redemption' (1994), 'Meet Joe Black' (1998), 'Wall-E' (2008) ou 'Skyfall' (2012). Com 12 nomeações, o Óscar ainda lhe escapa. A irmã de Thomas, Maria Newman, é música, tocando em orquestras cinematográficas, enquanto que o seu irmão David Newman compôs músicas para filmes como 'Ice Age' (2002) ou 'Serenity' (2005) e contribui com mais uma nomeação para Óscar. O único irmão de Alfred Newman que não era músico, Irving (era médico!), teve no entanto um filho, Randy Newman, que é um dos mais bem amados cantores/compositores pop americanos. Randy junta mais 2 Óscares à família (pelas músicas de 'Monsters Inc' e 'Toy Story 3') e umas incríveis 20 nomeações. Por fim, o neto de Lionel, Joey Newman, juntou-se recentemente ao negócio de família, mas as suas composições ainda se cingem às séries de TV. O seu mais recente trabalho é a banda sonora de série 'The Mysteries of Laura'.


5. Os Redrave
de 'The Lady Vanishes' a 'Taken 3'


A versão mais curta é que os Regrave são os Barrymore de Inglaterra, e portanto têm muito mais charme e menos escândalos. Ah e são a família mais numerosa deste top, portanto incha Coppola! A família inicia-se com Roy Redgrave, que teve um breve sucesso no cinema mudo inglês, e com a sua esposa Margaret Scudamore, actriz de teatro que depois do sucesso do filho chegaria a aparecer num ou noutro filme como 'A Canterbury Tale' (1944). Esse filho, Michael Redgrave, tornar-se-ia uma lenda do teatro britânico. No cinema, estreou-se pela mão de Hitchcock em 'The Lady Vanishes' (1938), e alternaria a sua longa carreira teatral com aparições em clássicos britânicos como 'Dead of Night' (1945) ou 'The Importance of Being Earnest' (1952). A sua esposa, Rachel Kempson, também actriz teatral, apareceu no cinema mais esporadicamente, em filmes como 'Tom Jones' (1963), realizado pelo genro, ou 'Out of Africa' (1985). Juntos tiveram três filhos. A mais velha, Vanessa Redrave, é hoje o mais famoso membro da família, talvez até suplantando o pai no teatro. No cinema a sua carreira é longa e variada, desde 'Blowup' (1966), passando por 'Agatha' (1979) ou 'Julia' (1977), que lhe valeu o Óscar de Melhor Actriz Secundária, até aos dias de hoje, onde arrecada papéis de 'velha senhora britânica', como em 'Atonement' (2007). O seu irmão Corin Redgrave, também transitou do teatro para o cinema para interpretar papéis clássicos shakespearianos ou de época, tendo entrado num ou noutro filme de maior orçamento como 'Excalibur' (1981) ou 'In the Name of the Father' (1993). A irmã mais nova, Lynn Redgrave completa o triunvirato, com duas nomeações ao Óscar espaçadas por 30 anos em 'Georgy Girl' (1966) e  'Gods and Monsters' (1998), embora a maior parte do seu trabalho tenha sido na televisão. Do seu primeiro casamento Corin teve dois filhos, Jemma Redgrave, consistente em filmes ingleses como 'Howards End' (1992) e séries como 'Dr. Who', e Luke Redgrave, operador de câmara de topo de Hollywood ('Mamma Mia', 'Avengers: Age of Ultron'). O segundo casamento de Corin foi com Kika Markham, uma das inglesas do filme de Truffaut 'Les deux Anglaises et le continent' (1971) mas que passou a maior parte da sua carreira na televisão. Já Lynn Redrave casou com John Clark, encenador e esporádico actor. Mas é do lado de Vanessa que a família mais se expande no cinema. O seu primeiro casamento foi com Tony Richardson, encenador/realizador inglês que ganhou a dobradinha Óscar Melhor Realizador/Melhor Filme por 'Tom Jones' (1963). Teve duas filhas com Vanessa, Natasha  e Joley. Natasha Richardson também singrou no teatro, embora no cinema tenha estado mais associada a comédias românticas menores como 'The Parent Trap' (1997) ou 'Maid in Manhattan' (2002). Faleceu em 2009 num acidente de sky, deixando viúvo o seu segundo esposo, o grande Liam Neeson. O seu primeiro marido havia sido Robert Fox, produtor de filmes como 'The Hours' (2002) ou 'Atonement'. Já a segunda filha de Vanessa, Joley Richardson é talvez a menos versada nos palcos, mas tem tido uma carreira saudável na América desde os anos 1990, com filmes como 'The Patriot' (2000) ou 'The Girl with the Dragon Tattoo' (2011) e séries como 'Nip/Tuck' ou 'The Tudors'. O marido desta é Tim Bevan, produtor de filmes como 'Les Miserables' (2012) ou 'The Theory of Everything' (2014). A filha de Tim e Joley, Daisy Bevan está a iniciar a carreira por estes dias, tendo entrado em 'The Two Faces of January' (2014). Voltando a Vanessa Redrave, o seu segundo e actual marido é Franco Nero, mestre do western spaghetti e que foi o original e eterno Django. Daqui resultou mais um filho, Carlo Gabriel Nero, que escreveu e realizou apenas dois filmes pouco vistos no início do milénio. 


4. Os Coppola
de 'The Godfather' a 'The Grand Budapest Hotel'


Os Coppola invadiram o cinema por todos os lados apenas nos últimos 40 anos, e como já provei não são nem a mais galardoada nem a maior família do cinema, como se apregoa por aí. Ao contrário da maior parte das famílias o patriarca não é o avô, mas o pai, Francis Ford Coppola, o icónico vencedor de 5 Óscares, realizador de 'The Godfather' (1972, 1974) ou 'Apocalyspse Now' (1978), mas que, admitamos, anda a viver às custas da reputação há largas décadas ('Peggy Sue Got Married'?! 'Jack'?!). Mas foi bastante prolífero em arranjar emprego para a família. O seu pai, o músico tradicional Carmine Coppola, recebeu um pouco merecido Óscar pela banda sonora de  'The Godfather: Part II' (o mérito é todo de Nino Rota). Sofia Coppola provou ser uma péssima actriz em 'The Godfather Part III', mas uma melhor argumentista/realizadora em 'The Virgin Suicides' (1999) e 'Lost in Translation' (2003), pelo qual ganhou o Óscar de Melhor Argumento (tornando esta a segunda família, a seguir aos Huston, a fazer a tripleta geracional). O irmão dela, Roman Coppola, co-escreveu algumas grandes obras com Wes Anderson, 'The Darjeeling Limited' (2007) e 'Moonrise Kingdom' (2012), mas agora a solo na série 'Mozart in the Jungle', ainda não singrou como escritor/realizador. Ambos têm tempo para fazer mais e melhor. O seu outro irmão, Gian-Carlo Coppola, tem apenas breves aparições em alguns filmes do pai até à sua morte prematura em 1986. A irmã de Francis é Talia Shire, que por entre uma carreira longa mas fraca tem dois papéis icónicos na história do cinema: Connie na saga 'The Godfather' e Adrien na saga 'Rocky'. O primeiro marido de Talia foi David Shire, que compôs bandas sonoras de 'Saturday Night Fever' (1977) a 'Zodiac' (2007) e que ganhou um Óscar de Melhor Música por 'Norma Rae' (1979). O seu segundo marido foi Jack Schwartzman, produtor de filmes como 'Never Say Never Again' (1983) ou 'Being There' (1979). Os filhos do primeiro casamento deste (Coppolas por afinidade) são John Schwartzman, um conceituado director de fotografia de filmes de acção como 'The Rock' (1996), 'Armageddon' (1998) ou mais recentemente 'Jurassic World' (2015) e Stephanie Schwartzman, directora artística em filmes como 'Edward Scissorhands' (1990) ou 'Memoirs of an Invisible Man' (1992). Já os filhos de Jack com Talia são Robert Schwartzman, um músico que vai aparecendo num ou noutro filme como 'The Princess Diaries' (2001) e o muito mais famoso Jason Schwartzman. Um dos habituée de Wes Anderson desde a sua fabulosa estreia em 'Rushmore' (1998) tem entrado em quase todos os seus filmes até 'Grand Budapest Hotel' (2014). Está tudo dito? Não. Um outro irmão de Francis, August, teve três filhos, todos que enveredaram pelo cinema. Marc Coppola tem aparições esporádicas como actor em vários filmes, curiosamente (ou não) dos outros membros da família. Christopher Coppola é um escritor/produtor/realizador de filmes (bastante) alternativos e obscuros. Mas o irmão destes dois senhores é nenhum outro senão Nicolas Cage (nome verdadeiro Nicolas Coppola), mais um Óscarizado famoso cuja carreira recente não prima pela qualidade. O seu filho de olhar psicótico Weston Cage também já anda aí a fazer umas coisinhas. 


3. Os Huston
de 'The Virginian' a 'Ben-Hur' (versão de 2016!)


Os Huston são a primeira família a conseguir vencer Óscares em três gerações diferentes. Walter Huston, o patriarca da família, foi um actor da Broadway que fez a transição para o cinema no início do sonoro e nas duas décadas seguintes apareceria em filmes como 'The Virginian' (1929), 'Dodsworth' (1936) ou 'Duel in the Sun' (1946). Mas foi para o filho, John Huston, que faria o papel da sua vida, como o garimpeiro idoso em 'The Treasure of the Sierra Madre' (1948). Venceu o Óscar de Melhor Actor Secundário enquanto que John levou para casa o de Melhor Realizador e Melhor Argumento. John Huston havia ido para Hollywood com o pai começando como argumentista, mas quando lhe deram a hipótese de também realizar 'The Maltese Falcon' em 1941, nunca mais abrandou. 'The Asphalt Jungle' (1950), 'The African Queen' (1951), ou 'The Man Who Would Be King' (1975) são só algumas das obras primas da sua carreira de argumentista/realizador, que também contou, de vez em quando, com grandes actuações ('Chinatown', 1974). Huston casou 5 vezes mas só uma com uma personalidade cinematográfica, Evelyn Keyes, talvez mais conhecida por ser a irmã mais nova de Scarlett em 'Gone with the Wind' (1939), mas que teria uma carreira até aos anos 1980. A filha de John, Angelica Huston, pode não ser a mulher mais bela, mas compensou com o talento que lhe permitiu fazer jus a muitos filmes do pai e outros como de Woody Allen (Crimes and Misdemeanors, 1989), Clint Eastwood (Blood Work, 2002) ou Wes Anderson ('The Royal Tenenbaums', 2001).  O seu Óscar de Actriz Secundária surgiu em 1985 por  'Prizzi's Honor' (1985). John Huston dirigiu quer o pai quer a filha em performances vencedoras. Incha Coppola (outra vez!). Angelica casou com Robert Graham, um escultor mas que foi entrando nuns filmes com a mulher, fazendo por exemplo de general venezuelano em 'The Life Aquatic with Steve Zissou' (2004). O irmão de Angelica, Danny Huston tem uma carreira saudável, sendo uma cara reconhecida de filmes como '21 Grams' (2003), 'Children of Men' (2006) ou 'The Aviator' (2004), O outro irmão, Tony Huston, é escritor e tem apenas um único argumento para o cinema (nomeado ao Óscar); 'The Dead' (1987), que foi o último filme do pai e que conta com Angelica no papel principal. O filho de Tony, Jack Huston é a mais recente adição da família. Entrou em Twilight, entrou em 'American Hustle' e será o próximo Ben-Hur na versão que se avizinha em 2016. O que iria achar o avô disso?!


2. Os Fonda
de 'You Only Live Once' a 'Big Eyes'


Os Fonda merecem este lugar de destaque por um motivo muito simples; fazem parte da sua família dois dos melhores actores de sempre, Henry Fonda e Jane Fonda. O patriarca, Henry Fonda, é um dos mais bem amados actores da história do cinema, que teve a sorte (ou o talento, ou o mérito) de interpretar algumas das personagens mais icónicas e mais íntegras da era clássica de Hollywood; Lincoln em 'Young Mr. Lincoln' (1939), Tom em 'The Grapes of Wrath' (1940), Wyatt Earp em 'My Darling Clementine' (1946) ou o Jurado nº 8 em '12 Angry Men' (1952). Mas conseguia facilmente deturpar o ideal da sua imagem, como o fez em 'C'era una volta il West' (1968). Um tardio mas mais que merecido Óscar chegou em 1981 com o seu último filme 'On Golden Pond', ao lado da filha Jane. A primeira mulher de Fonda foi Margaret Sullavan, que fez parelha com Jimmy Stewart nos clássicos 'The Shop Around the Corner' (1940) e no genial 'The Mortal Storm' (1940). Ambos os filhos de Fonda enveredaram pela carreira artística, com maior ou menor controvérsia à mistura. Digam o que disserem das convicções políticas e de algumas escolhas de vida de Jane Fonda, é inegável que o seu talento como actriz era massivo. De deusa sexual dos anos 1960 nos filmes do seu primeiro marido Roger Vadim (por exemplo 'Barbarella', 1968), passou a enorme comediante ('Cat Ballou', 1965; 'Barefoot in the Park', 1967) e desaguou numa magnífica actriz dramática, vencendo dois Óscares nos anos 1970 por 'Klute' (1971) e 'Coming Home' (1978). O seu irmão Peter Fonda cedo enveredou pelos papéis de rebeldia que o cinema dos anos 1960 oferecia, 'The Wild Angels' (1966), 'The Trip' (1967), ou 'Easy Rider' (1969) e adaptou o seu estilo de vida a essa personalidade, tornando-se um ícone da contra-cultura. Ainda hoje mantém uma carreira no cinema independente à margem dos grandes estúdios. A sua filha, Bridget Fonda, teve uma carreira prolifera e bem sucedida nos anos 1990 entrando em filmes como 'The Godfather: Part III' (1990), 'Singles' (1992), 'Jackie Brown' (1997) ou 'A Simple Plan' (1998). Mas em 2003 casou, foi mãe e não mais voltou a fazer um filme. O seu marido? Danny Elfman, o compositor chave de Tim Burton. Uma adição de peso à família Fonda e que, ao contrário da mulher, ainda está em plena actividade.


1. Os Chaplin
de 'Kid Auto Races at Venice' a 'Game of Thrones'


Não são tão famosos como os Coppola, não são tão galardoados como os Newman, nem têm o talento dos Fonda ao longo das gerações. Mas o patriarca é Charles Chaplin, o maior artista cinematográfico de todos os tempos, por isso se o seu apelido ainda aparece nos créditos das produções mais populares dos dias de hoje, então merece indiscutivelmente o nº 1 desta lista. Charlie só há um e está tudo dito. De 'Kid Auto Races at Venice' (1914) até 'Countess of Hong Kong' (1967) Chaplin inspirou e fez rir gerações e gerações (e continua a fazer ambas as coisas). O seu meio-irmão mais velho, Syd Chaplin foi seu agente durante a época do cinema mudo (garantindo-lhe os famosos contratos milionários) e teve ele próprio uma breve carreira como actor e realizador nas décadas de 1910/1920, dentro e fora do estúdio do irmão. O outro meio-irmão Wheeler Dryden, após anos de devoção incondicional a Chaplin e contando com brevíssimas aparições nos seus filmes, finalmente teve um papel de destaque em 1952, como o médico em 'Limelight'. Chaplin casou quatro vezes. Primeiro com Mildred Harris, uma child star do cinema mudo ('Intolerance' ou 'The Magic Cloak of Oz', 1914), Segundo com Lita Grey, famosa por ter sido o anjo em 'The Kid' (1921), mas que depois do seu atribulado casamento e divórcio, cingiu-se aos espectáculos teatrais e poucos mais filmes fez. Lita teve dois filhos de Chaplin. Charles Chaplin Jr. teve uma mini-carreira como actor em filmes de baixo orçamento nos anos 1950 e viria a morrer alcoólico nos anos 1960. Já o seu irmão mais novo Sydney Chaplin fez uma carreira respeitada no teatro mas também no cinema. O seu primeiro filme foi para o pai, o papel de Neville em 'Limelight', mas também entrou em 'Land of the Pharaohs' (1955) ou 'The Adding Machine' (1959). A terceira mulher de Chaplin foi Paulette Goddard, que para além de ter cativado em 'Modern Times' e 'The Great Dictator' conseguiu ainda ter uma carreira pós-Chaplin em filmes como 'The Woman' (1939), 'Pot o' Gold' (1941) ou The Diary of a Chambermaid (1946). Por fim, Chaplin casou (e estabilizou) até ao fim da vida na Suiça com Oona Chaplin e dela teve uma catrefada de filhos. A mais velha, Geraldine Chaplin, é uma das grandes senhoras do cinema europeu e ainda hoje está em actividade. Dos seus mais de 50 anos de carreira destacam-se 'Doctor Zhivago' (1965), 'Nashville' (1975), 'Cria Cuervos' (1976), 'Hable com ella' (2002) ou fazer da sua própria avô em 'Chaplin' (1992). Michael Chaplin é um dos actores principais do penúltimo filme do pai 'A King in New York' (1957), mas a isso se restringe a sua carreira. Josephine Chaplin teve uma carreira com menor sucesso que a irmã no cinema europeu nos anos 1970/1980. Entra em 'I racconti di Canterbury' (1972) de Passolini por exemplo. Por fim, o filho mais novo, Christopher Chaplin, teve uma brevíssima carreira de actor no início dos anos 1990, que inclui o fiasco 'Christopher Columbus: The Discovery' (1992). Nem de propósito, o único crédito cinematográfico da sua irmã Jane Chaplin é como produtora deste filme. E depois há ainda os netos de Chaplin. A mais famosa é a filha de Geraldine, Oona Chaplin. Até agora já conseguiu entrar num filme de James Bond, 'Quantum of Solace', e foi Talisa Maegyr em 'Game of Thrones'. Os seus primos cingiram-se principalmente ao cinema europeu. As filhas de Michael, Dolores Chaplin ('Astérix & Obélix: Au service de sa Majesté', 2012) e Carmen Chaplin ('Sabrina', 1995), bem como os filhos de Victoria, Aurélia Thiérrée ('Goya's Ghosts', 2006) e James Thierrée ('Total Eclipse', 1995) vão entrando regularmente em filmes europeus ou filmes americanos passados na Europa. Já a filha do filho de Chaplin, Eugene (um músico), Kiera Chaplin é modelo e já tem tido pequenos papéis a fazer de modelo ou empregada de bar em filmes como por exemplo 'The Importance of Being Earnest' (2002). Tirando Geraldine, nenhum deles é um actor extraordinário como Charlie Chaplin foi, mas os Chaplin ainda estão aí e ainda provam que podem fazer parte da história do cinema moderno.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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