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Tinker Tailor Soldier Spy

Ano: 2011

Realizador: Tomas Alfredson

Actores principais: Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy

Duração: 127 min

Crítica: David Cornwell, mais conhecido como John LeCarré, escreve romances de espionagem desde os anos 60. O que só se soube muitos anos mais tarde é que Cornwell era ele próprio um agente. Daí os seus romances estarem impregnados de realidade e dureza. Contudo, são também construídos com uma exagerada inteligência, e ao reflectirem a realidade do espião da guerra fria (informação, contra-informação, segredos falsos, jogo psicológico) tornam-se eles próprios demasiados confusos. São jogos de superfície. Há sempre segredos, há sempre intrigas, mas a maior parte delas nunca são reveladas nem explicadas, porque ninguém é quem aparenta ser, e todos jogam os seus próprios jogos secretos. A verdadeira realidade acaba por nunca vir ao de cima. Foi isso o que tornou o filme de DeNiro ‘The Good Sheppard’ (2006) enfadonho até dizer chega, visto que em 3 horas há sempre um suposto suspense que no final nunca é saciado e que portanto resulta em algo, senão pobre, pelo menos desapontante. É isto que sucede a ‘Tinker Tailor Soldier Spy’. É o risco de adaptar um livro de Carré; a estrutura intrincada e o suspense na página não se adapta a uma fórmula visual de 2 horas. Os dois últimos filmes baseados nas obras deste escritor dividiram-se. ‘Tailor of Panama’ (2001) foi muito fraco. ‘The Constant Gardner’ (2005) resultou muito melhor, mas a história era muito mais adequada e tinha um desfecho. ‘Tinker Tailor Soldier Spy’ estará talvez no meio termo entre estes dois filmes. É um filme cinematograficamente bem construído, mas os desfechos ficam aquém do ritmo lento, e o filme termina no mesmo tom, sem dar uma única surpresa.

A história pode ser resumida em duas frases. No mais alto departamento da espionagem britânica, um de 4 homens é de certeza um agente duplo. Gary Oldman, um agente semi-retirado, é chamado para descobrir qual deles é. Esta premissa podia levar o filme para muitos patamares, mas não leva. Oldman tem tantas falas como Schwarzenegger em ‘Terminator’. Vai de sítio em sítio, de pessoa em pessoa, ouvir de forma impassível as suas confissões e histórias, o que dá azo a inúmeros flashbacks. Como está retirado e ninguém sabe que está a investigar, o trabalho sujo é feito por Benedict Cumberbatch, que protagoniza as cenas de maior tensão do filme, quando tentar roubar documentos do próprio MI6. Há muitas ramificações, muita areia para os olhos, mas, por incrível que possa parecer, pouca relacionada com os 4 homens sobre suspeita. Chega ao ponto de parecer que o próprio Oldman é o agente duplo (o que seria um twist, não genial por previsível, mas interessante). Mas a realidade é que não é, por isso não se percebe no final o que é que o filme andou a insinuar metade do tempo. A verdade é que um dos 4 é, realmente, o agente duplo, mas não há nenhuma investigação para o apanhar. Há a história que rodeia os segredos que são passados entre o KGB e o MI6, há a morte de pessoas que sabem quem é o ‘infiltrado’, mas há muito pouco relacionado com o infiltrado em si. E no fim este é revelado sem qualquer surpresa, sem qualquer entusiasmo. É um destes. E prontos. Está feito. Volte sempre.

Esta é uma história nostálgica sobre os serviços secretos, e a única valência do argumento é mostrar esta nostalgia da perspectiva de Oldman, que mesmo com poucas palavras tem uma performance muito subtil e interessante. Mas no final de contas, por muitas voltas e camadas semi-inteligentes que possa ter, o filme acaba por ser um ‘whodunit’, um 'quem é o culpado', absolutamente banal, sem pistas nem surpresas para o público.


A questão aqui é se é o problema do romance original ou do filme. O filme é realizado por Tomas Alfredson, o sueco que explodiu para a fama internacional com o filme de vampiros ‘Let the Right One in’ (2008), e é ponderado, artístico, e subtilmente construído e actuado, reflectindo o estilo do gentleman espião inglês. Mas o argumento pouco revela em 2 horas. É uma antítese que sabe a pouco. Não tive oportunidade de ver a mini-série de 1979 em 7 episódios com Alec Guiness, nem de ler o romance original, mas pela amostra de esta obra de 2011, a história é, na realidade, pouco interessante, pelo menos para um pacote relâmpago de entretenimento de 2 horas. 

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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