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The Secret of NIMH

Ano: 1982

Realizador: Don Bluth

Actores principais (voz): Elizabeth Hartman, Derek Jacobi, Dom DeLuise

Duração: 82 min

Crítica: 'The Secret of NIHM' é um filme de animação cuja história é substancialmente simples e até um pouco desinteressante (apesar de altamente imaginativa), mas que possui uma incontestável riqueza visual, alternando tons sombrios com paletes de cor vividas e extremamente cativantes. Como história e apelo às crianças pode deixar algo a desejar (apesar de algumas personagens absolutamente geniais), mas como uma obra de arte do desenho e da animação está num patamar absolutamente intocável.

Não é por acaso que o seu criador, o realizador Don Bluth, aprendeu o seu ofício na Disney, e chegou a contribuir, como animador, nas produções do final dos anos 1970, início dos anos 1980: 'Robin Hood', 'The Rescuers - Bernardo e Bianca', e 'The Fox and the Hound - Papuça e Dentuça'. Propondo NIHM à Disney, Bluth viu a luz verde negada, por os produtores do grande estúdio considerarem a história demasiado sombria. Ressentido, Bluth abandonou o estúdio para criar a própria Bluth Productions, levando consigo os produtores/animadores John Pomeroy e Gary Goldman, bem como mais 20 animadores, descontentes com a Disney, que na altura vivia o ponto mais baixo da sua história (Tim Burton, também da Disney, abandonaria o estúdio pouco tempo depois, também insatisfeito com o facto de não o deixarem perseguir os seus intuitos mais sombrios....).

NIHM foi a primeira produção da recém criada Bluth Productions, um estúdio que, auxiliado pelo génio e qualidade gráfica de Bluth, e as capacidades produtivas de Steven Spielberg, produziria ouro de animação nos anos 1980, com 'Fievel - An American Tail' (1986) e 'Land Before Time - Em Busca do Vale Encantado' (1988), filmes que ficaram no imaginário de uma geração (a minha) numa altura em que a própria Disney apresentava produções menores, até renascer com 'Little Mermaid' em 1989. Aliás, Bluth foi a primeira pessoa a debater-se com a Disney no mercado americano da animação (que hoje conhece a Pixar, a Dreamworks, o Blu-Sky Studios,...), e NIHM foi, na altura do seu lançamento, a mais cara e maior produção de animação de sempre, que não da Disney.

A história centra-se à volta da Sra.Brisby, uma ratinha (animal preferido de Bluth?) que perdeu o marido em circunstâncias misteriosas e que agora procura criar os filhos sozinha no buraco onde vivem, debaixo de uma pedra num quintal de uma vivenda. Quando um dos filhos adoece, a sra. Brisby (auxiliada por um hilariante corvo com a voz impagável de Dom DeLuise) consulta um rato ancião, e mais tarde uma sábia coruja, para procurar a cura. Entretanto, os humanos vão arar o jardim, pondo em risco a sua casa, e o seu filho doente, que não se consegue deslocar nem sair da cama. Correndo contra o tempo, a Sra. Brisby pede auxílio aos líderes da colónia de ratos, ratos super-inteligentes (alguns com poderes mágicos) resultado de experiências genéticas na misteriosa NIHM, pouco sabendo que o seu falecido marido tem mais a ver com eles e estas experiências do que imagina. Quando luta para salvar o filho, o segredo de NIHM é desvendado a pouco a pouco, e o mistério por detrás da colónia de ratos, e da sua relação com os humanos das casas circundantes, torna-se clara.

Ao princípio é difícil perceber a história do filme. O filme perde-se entre cenas misteriosas (relatadas pelo rato velho e sábio Nicodemus - voz de Derek Jacobi), e cenas hilariantes (com o corvo). A sra. Brisby tem muita mais humanidade que a maior parte das personagens dos filmes de animação, mas a meio do filme não se torna mais que uma vítima das circunstâncias, uma espectadora dos eventos que se dividem entre a revelação do segredo e do papel do Sr. Brisby na intriga (por parte da Sra. Brisby e do espectador, visto que os ratos da própria colónia já o sabem) e a corrida contra o tempo para salvar o filho. O vilão é apresentado sob a forma de um rato que pretende que a colónia fique onde está (pois lá vivem à grande e à francesa, roubando electricidade e comida dos humanos) e que não acredita que os humanos vão arar o terreno e destruir-lhes as casas.

O segredo do 'The Secret of NIHM' é magistral, um twist digno dos melhores filmes, mas a maneira como a história está estruturada não foi a melhor opção para contar esse segredo. O filme diverge em tantas direcções que por vezes se torna confuso e desinteressante. Contudo, é a nível visual que NIHM brilha. É absolutamente fabuloso, de uma forma que Bluth não repetiu em filmes subsequentes. Como filme de estreia, Bluth queria demarcar o seu território. E demarcou-o como ninguém. É um Van Gogh, quando comparado a obras contemporâneas da Disney. Aliando-se a uma fabulosa banda sonora etérea de Jerry Goldsmith (no mesmo timbre da sua de 'Legend', 1985), NIHM é uma delícia para os olhos e para os ouvidos. Muitas partes são sombrias para as crianças, mas a satisfação visual do todo merece o esforço de visualização e compreensão da história, e algum fechar de olhos nas partes mais assustadoras. Para os adultos, eis aqui um estimulante filme de animação, que peca por um argumento algo desconexo, partindo de uma excelente premissa mas não a conseguindo revelar de uma forma interessante. De toda a carreira de Bluth, este não é certamente o filme mais bem amado. Mas é o mais belo.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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