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The Green Slime

Ano: 1968

Realizador: Kinji Fukasaku

Actores principais: Robert Horton, Luciana Paluzzi, Richard Jaeckel

Duração: 90 min

Crítica: Há alguns anos vi ‘The Green Slime’ por dois motivos. O primeiro é que o elenco inclui a actriz italiana pouco conhecida Luciana Paluzzi, cuja beleza me fascina. Apesar de ter interpretado uma das mais icónicas Bond-girls vilãs, em ‘Thunderball’ (1964), apesar de ter uma beleza voluptuosa de fazer inveja a outras grandes musas italianas da década, e apesar de até ter (algum) talento como actriz, a sua carreira raramente passou de filmes italianos pouco relembrados e filmes de Hollywood de espiões ou de ficção científica de série B. O segundo motivo é eu ter um ‘guilty pleasure’ associado aos filmes de ficção científica de baixo orçamento realizados principalmente na década de 1950. Obras de Jack Arnold como ‘It Came from Outer Space’ (1953) ou ‘The Incredible Shrinking Man’ (1957) ou o magnífico filme de Don Siegel ‘Invasion of the Body Snatchers’ (1956) podem ter efeitos especiais miseráveis, mas oferecem grande entretenimento e profundas alegorias ao estado social. E até as obras que não resistem ao passar do tempo, como ‘Creature from the Black Lagoon’ (1954) de Arnold (recentemente lançado em Blu-ray 3D!), proporcionam momentos hilariantes pelo kitch da caracterização das criaturas e dos efeitos especiais.

Ora bem, infelizmente ‘The Green Slime’ resiste ainda menos ao passar do tempo do que qualquer uma destas obras. Para começar, está deslocada. No final da década de 1960, o tema da invasão da Terra por extraterrestres estava a ser substituída pelos filmes das viagens espaciais, muito mais complexos e com muitos melhores efeitos, e que para além do mais tinham acabado de ganhar uma enorme credibilidade com a obra-prima ‘2001: A Space Odyssey’ (1968) de Kubrick. Segundo, tenta ser um blockbuster mas o baixo orçamento, o pobre argumento e os efeitos especiais muito fracos (mesmo para a época) fizeram dele um fiasco na altura e ainda mais agora. Se muitos dos filmes de ficção científica conseguiram não ser datados pelas alegorias que apresentam, o mesmo não se passa com ‘The Green Slime’. E se os homens dentro dos fatos de criaturas espaciais nos fazem hoje sorrir em filmes como ‘Creature from the Black Lagoon’, ao mesmo tempo que pensamos "bem, não podiam fazer melhor", ao ver ‘The Green Slime’ rimos a bandeiras despregadas pelo esforço patético. É quase impossível imaginar que algum público alguma vez tenha ficado assustado com tão artificiais criaturas.

Mas embora a concepção poderá não ser a melhor (não é mesmo!), a história do filme surpreenderá o público moderno. Eu próprio fui apanhado de surpresa, porque a desconhecia. De repente, apercebi-me que este filme terá inspirado dois grandes ‘clássicos’ do cinema espacial. A primeira parte claramente originou o filme ‘Armageddon’ (1998) e a segunda o filme ‘Alien’ (1979).

O filme inicia-se num centro de comando espacial, onde uns cientistas descobrem que um asteróide está em rota de colisão com a Terra. Rapidamente, uma equipa é reunida, liderada pelo actor Robert Horton, e enviada para uma estação orbital, onde se juntam a outra equipa cujo comandante é interpretado por Richard Jaeckel (muito, mas mesmo muito, mau actor). Neste ponto há uma tentativa de dar alguma profundidade à história. Estes dois comandantes outrora foram melhores amigos, mas uma missão passada que deu para o torto, e a disputa pelo amor da médica da nave (quem mais, Luciana Paluzzi) dividiu-os. Mesmo assim, põem as diferenças de lado e arrebentam com o asteróide (sem grande dificuldade diga-se). Contudo (aha! o segundo acto), uma substância verde e viscosa proveniente do asteróide fica agarrada a um dos membros da tripulação. Eis que começa a parte ‘Alien’. Quando todos pensam estar seguros na estação orbital a coisa verde cresce (alimentando-se da energia da nave e de humanos), multiplica-se e transforma-se numa série de monstros com tentáculos, que passam o resto do filme a perseguir os humanos nave acima e nave abaixo. Os humanos, por sua vez, num esforço heróico, tentam matá-los usando armas de laser e alguns truques bem foleirinhos...

Ok, os efeitos especiais são horríveis. Ok, o realizador aparentemente esqueceu-se que se se fizer um buraco numa nave a sucção arrastaria tudo, incluindo o oxigénio, portanto não se pode estar ali de escotilha aberta como se nada fosse. Ok, o triângulo amoroso é do mais insosso que pode haver. Ok, consegue-se claramente ver que está um homem dentro do fato do monstro. Mas a minha pergunta é: tudo isto interessa realmente? Realmente interessam estes pormenores irrealistas e de falta de qualidade cinematográfica para desfrutarmos deste filme muito, mas muito mau? Há filmes maus que são insuportáveis. Não este. Este está na categoria dos maus suportáveis, de tão maus que às vezes ficamos vidrados na imagem, atraídos por uma força irresistível.

Na realidade, este filme oferece uma série de coisas boas ao espectador. Em primeiro lugar a beleza da Luciana Paluzzi, apesar das frases horríveis que lhe dão para dizer (pobre mulher, ela bem tentou ser uma actriz séria mas nunca lhe deram a oportunidade, talvez por causa da sua voluptuosidade). Em segundo lugar uma quantidade de chavões de ‘salvar o mundo’ ditos com muita seriedade pelos maus actores. E em terceiro lugar risadas incontroláveis cada vez que a criatura aparece ou a nave se desloca no espaço. Que mais se pode querer para uma sessão de sábado à noite com amigos?!

Piadas à parte este filme é pouco recomendável excepto para aqueles que se interessam pelo género da ficção científica das décadas de 1950 e 1960. E mesmo para esses tenho a dizer que este filme é dos piores feitos. Hoje em dia o seu interesse está apenas na constatação dos filmes que inspirou e pouco mais. Pensado como um filme sério (foi logo esse o primeiro erro dos produtores), mas pessimamente concebido mesmo para a altura, este filme envelheceu muito mal. Contudo, tenho que admitir, o filme consegue criar uma espécie de tensão que nem chega a ser desinteressante, e os astronautas heróis acabam por salvar o mundo com estilo. 

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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