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1941

Ano: 1979

Realizador: Steven Spielberg

Actores Principais: John Belushi, Dan Aykroyd, Treat Williams, Christopher Lee, Toshirô Mifune

Duração: 118 min.

Crítica: ‘1941’ é o único fiasco crítico e de bilheteira na carreira de Steven Spielberg. Feito entre ‘Close Encounters of the Third Kind’ (1977) e o primeiro Indiana Jones, 'Raiders of the Lost Ark' (1981), ambos estrondosos sucessos, ‘1941’ rapidamente caiu no esquecimento, e hoje raramente é lembrado ou referido na filmografia do maior realizador ‘das massas’ das últimas décadas do século XX. E a verdade é que o insucesso na altura do seu lançamento e o esquecimento desde então é completamente fundamentado. ‘1941’ é um filme que, embora não se possa chamar cinematograficamente mau (Spielberg não só sabe o que as massas querem, é também um excelente tecnicista), é desprovido, em termos de argumento, de qualquer interesse, piada, personagens cativantes ou qualquer outro elemento que normalmente ajuda a constituir um bom filme e, particularmente, uma boa comédia. É uma amálgama de cenas que tentam ser engraçadas mas que nunca são, personagens insanas e um completo sentido de pandemónio e destruição (que de novo tenta ser cómico), envolvida em referências de época e fortes referências cinematográficas. Mas ao contrário dos grandes filmes de Mel Brooks, da mesma década, que aliam esta insanidade à homenagem ao cinema, tudo em ‘1941’ parece estar fora do lugar e não há uma linha cómica coerente (mesmo que seja incoerentemente cómica) que o filme siga.

"‘1941’ é um filme que, embora não se possa chamar cinematograficamente mau (...), é desprovido, em termos de argumento, de qualquer interesse, piada, personagens cativantes ou qualquer outro elemento que normalmente ajuda a constituir um bom filme e, particularmente, uma boa comédia."

Uma razão poderá ser o facto de, no ano anterior, 1978, o segundo filme mais visto na América, atrás de ‘Superman’, ter sido, ao contrário de todas as expectativas, a comédia surreal (e magistral) de Clint Eastwood ‘Every Which Way but Loose’. Talvez o argumento de Robert Zameckis, Bob Gale e John Milius tenha tentado imitar este surrealismo do filme de Eastwood sem o conseguir (os três ficaram ‘queimados’ durante alguns anos até aos sucessos de ‘Romancing the Stone’, ‘Back to the Future’ e ‘Conan the Barbarian’ na primeira metade dos anos 1980). Talvez o vasto leque de actores cómicos do então Saturday Night Live (John Candy, Dan Ackroyd, John Belushi) que protagonizam as personagens principais do filme, tenha contribuído para uma loucura cómica que resulta em sketches curtos mas não num filme de duas horas. Talvez os inuendos sexuais tão em voga nas comédias dos anos 1980 e 1990 não estivessem ainda limados e refinados o suficiente por isso soam, a maior parte das vezes, a ordinarice. Ou talvez seja pelo simples facto de Spielberg não saber realizar comédias (nunca mais fez nenhuma). Tudo isto contribui para uma experiência cinematográfica algo dolorosa.

Basicamente, a acção do filme passa-se em Los Angeles, nos dias após o ataque Japonês a Pearl Harbor. Um submarino Japonês dissidente, comandado por Tushiro Mifune e pelo nazi Christopher Lee, deseja atacar Hollywood, mas perdem-se, por isso raptam Slim Pickens (uma cópia da sua personagem em ‘Dr. Strangelove’) para que lhes indique o caminho. Entretanto, em terra, um conjunto de militares e civis paranóicos esperam um ataque japonês a qualquer instante e metem-se numa série de alhadas, confundindo as coisas mais banais e uns aos outros com japoneses. Até ao clímax final (o confronto com o submarino) varias histórias, literalmente, ‘sem ponta por onde se pegue’ e que ostentam uma piada que não têm, cruzam-se e acabam inevitavelmente em pandemónio, muita destruição (nunca vi tanta coisa a ser partida num filme) e algum (descabido) romance. E claro, há gente lá pelo meio que só quer engatar miúdas.

"Muito simplesmente ‘1941’ não resulta (...) Um fiasco a todos os níveis, um filme sem eira nem beira. A excepção à regra de entretenimento de Spielberg. Existe um director's cut, com mais 20 minutos. Não vi essa versão nem consigo imaginar quem a queira ver."


Muito simplesmente ‘1941’ não resulta. As referências cinematográficas e os actores de referência em pequenos papéis misturam-se com os então actores cómicos do momento em cenas tão parvas que não chegam a ser engraçadas (como, por exemplo, as de ‘Airplane’). O que resulta desta mistura é quase inexplicável, e nada interessante. Um fiasco a todos os níveis, um filme sem eira nem beira. A excepção à regra de entretenimento de Spielberg. Existe um director's cut, com mais 20 minutos. Não vi essa versão nem consigo imaginar quem a queira ver.

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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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