Argo

Ano: 2012

Realizador: Ben Affleck

Actores principais: Ben Affleck, Bryan Cranston, John Goodman

Duração: 120 min

Crítica: Nesta época do ano em que as discussões sobre os Óscares ainda estão em cima da mesa dos cinéfilos (para desaparecerem rapidamente pelo resto do ano) recordei-me que ainda não tinha criticado em EU SOU CINEMA o grande vencedor de 2012: ‘Argo’. E recordei-me também que nunca tinha visto o blu-ray que havia comprado na altura (a preço espectacular diga-se) porque pouco se tinha passado desde que o havia visto no cinema. Assim, juntei o útil ao agradável quando este domingo à tarde me acomodei no sofá para revisitar esta obra.

‘Argo’ venceu apenas 3 Óscares: Melhor Filme, Melhor Argumento e Melhor Montagem, num ano em que ‘Life of Pi’ venceu 4 e ‘Les Miserables’ também 3. Mas ao contrário de outros vencedores recentes, não podemos dizer que a vitória foi inteiramente imerecida. Este não é propriamente um filme de actores, antes uma obra cuja cadência argumental é extremamente conveniente para enfatizar a veia inspiracional e patriótica do drama político que narra. Sabemos perfeitamente que foi esse aspecto – um turn off para muitos cinéfilos mais puristas – que lhe valeu o prémio mais do que qualquer outra coisa. Mas felizmente o filme não vale apenas por isso.

"Este não é propriamente um filme de actores, antes uma obra cuja cadência argumental é extremamente conveniente para enfatizar a veia inspiracional e patriótica do drama político que narra (...) Mas felizmente o filme não vale apenas por isso (...) É um filme muito bem montado e que consegue unir, quase paradoxalmente, a ligeireza do entretenimento de Hollywood com um acutilante realismo histórico"

De facto, ‘Argo’ é um filme muito bem montado (o seu Óscar mais merecido, sem dúvida alguma) e que consegue unir, quase paradoxalmente, a ligeireza do entretenimento de Hollywood com um acutilante realismo histórico. Esta mistura não é incomum na Hollywood moderna, especialmente em obras que retratam o clima de tensão entre os Estados Unidos e vários países do Médio Oriente (ou que se viveu outrora, nos anos 1970). Filmes recentes como ‘Munique’ (2005) ou ‘Syriana’ (2005) fizeram-no, mas ‘Argo’ destaca-se porque recupera a chama há muito perdida dos thrillers ou filmes-missão dos próprios anos 1970, onde a acção se passa. O mítico ‘Day of the Jackall’ (1973) vem-me à memória; é um drama político é certo, mas a sua imortalidade foi garantida pela sua extraordinária veia de thriller. Passa-se exactamente o mesmo com ‘Argo’.

Nunca considerei Ben Affleck particularmente um grande actor (nunca o foi, realmente). Mas desde cedo aprendeu que menos era mais, ou seja, que ganhava muito mais com a sua presença do que com a sua capacidade de actuação. Os filmes em que lhe dão a liberdade para estar mais contido resultam sempre em melhores trabalhos, e quando se voltou para a realização fez exactamente a mesma coisa. Ao contrário de George Clooney, que tentou logo ser ‘artístico’ e chamar a atenção para si próprio, Affleck escolheu criteriosamente as suas histórias para as contar com a passada ponderada com que ele próprio actua. Quer ‘Gone Baby Gone’ (2007) quer ‘The Town’ (2010) são sólidos thrillers policiais, mas nenhum tinha aquela temática social ou política relevante para almejar com seriedade um Óscar. ‘Argo’ tem-na.

Baseada em factos reais, a história não podia ser mais simples ou linear. Num misto de imagens reais com muito bem executadas reconstituições históricas (num estilo fotográfico mais granulado e de cores abatidas), somos enquadrados com os eventos que levaram à invasão da Embaixada Americana no Irão em 1979. Como disse, a intercalação das fontes reais e fictícias é sempre feita de forma extraordinária, mas não podemos dar todo o mérito ao editor. Affleck pode não ser um grande actor, mas já deu mostras de ter grande sensibilidade como realizador. A ausência de uma nomeação para Melhor Realizador (algo injusto, na minha opinião) é mais uma prova de que a Academia valoriza muito mais “temáticas” do que “técnica”, e que, apesar de lutar (ou dizer que luta) contra estereótipos, tem ela própria bastantes. Affleck, ex-galã romântico e estrela de filmes de acção, não tem aos olhos da Academia o nível para ser nomeado para Melhor Realizador (é uma questão de décalage)…

"‘Argo’ destaca-se porque recupera a chama há muito perdida dos thrillers ou filmes-missão dos próprios anos 1970, onde a acção se passa (...) A intercalação das fontes reais e fictícias é sempre feita de forma extraordinária, mas não podemos dar todo o mérito ao editor. Affleck pode não ser um grande actor, mas já deu mostras de ter grande sensibilidade como realizador." 

Mas é só desfrutar da fascinante longa sequência de abertura para percebermos o quão errada a Academia esteve em ignorar Affleck. Sentimos a tensão dos funcionários, sentimos a fúria cega da multidão, sentimos os minutos a fugirem enquanto os americanos tentam queimar todos os papéis e destruir tudo aquilo que possa ser usado pelos Iranianos contra os Estados Unidos. Contudo, a multidão é um animal potente e incontrolável. Invadem o complexo e fazem reféns mais de cinquenta prisioneiros, para que possam exigir o retorno, para o matar, do seu ex-ditador agora exilado na América. Mas o que estes revolucionários não sabem, nem tão pouco os meios de comunicação social, é que seis americanos conseguiram fugir durante a invasão e estão escondidos na casa do embaixador canadiano.

Obviamente, as mais altas patentes do governo americano procuram uma solução para este impasse e assistimos a uma série de reuniões secretas. Resgatar os cinquenta parece impossível, mas talvez haja uma esperança para salvar os seis foragidos. Assim, eis que entra em cena o agente da CIA Tony Mendez (em cuja autobiografia o filme é baseado), interpretado por Ben Affleck com a sua introspecção habitual quanto tenta fazer papéis “sérios”. Mendez é um especialista em extrações que, após ouvir os absurdos planos propostos pelo comité, decide conceber ele próprio um.

E o plano que ele concebe é basicamente este: viajar até ao Irão mascarado de produtor de cinema, sob o pretexto de estar à procura de localizações desérticas e “exóticas” para a filmagem do seu próximo filme de ficção científica (‘Star Wars’ havia estreado dois anos antes). A ideia é conseguir trazer de volta os seis americanos como membros da equipa de filmagem. Incredível? Bastante, mas parece bem melhor que todos os outros planos que ouvimos. Assim, o plano de Mendez é aprovado e para tornar tudo mais convincente viaja até Hollywood para recrutar um velho amigo, o oscarizado especialista em maquilhagem John Chambers (John Goodman). Este por sua vez introduz Mendez ao produtor Lester Siegel, interpretado por Alan Arkin que foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Percebe-se porquê. É o típico velho rezingão de bom coração que passa o tempo a dizer punchlines, quer cómicas quer dramáticas, incluindo a célebre frase-chave do filme: “Argo, f**k yourself”. Argo, já agora, é o nome do filme fictício.

"A história é real mas tão mirabolante que Affleck não resiste dar-lhe o toque fantasioso de Hollywood. Como podia não o fazer, se a história é, em parte, sobre a própria Hollywood? (...) Isso aligeira o filme (talvez em demasia) e torna-o um produto vendável como peça de entretenimento, ou por outras palavras, muito mais acessível ao público em geral. A triste verdade é que se não tivesse este folclore dificilmente chegaria ao Óscar de Melhor Filme."

Mas é aqui que entram as primeiras falhas deste filme. A história é real mas tão mirabolante que Affleck não resiste dar-lhe o toque fantasioso de Hollywood. Como podia não o fazer, se a história é, em parte, sobre a própria Hollywood? Assim, as cenas no Irão, com os cinquenta reféns a sofrerem às mãos dos seus captores (embora, saliente-se, sem qualquer cena de violência gratuita) ou com os seis escondidos na embaixada canadiana, contrastam com as cenas mais espampanantes em Hollywood, em que Siegel, Chambers e Mendez tentam convencer o mundo de que estão realmente a produzir um filme para que o governo iraniano também acredite. O contraste é ainda mais notório já que todas estas cenas, do casting à criação dos posters à festa de lançamento da produção, estão cheias de piadinhas e bocas ao status quo de Hollywood. Cor local? Certamente. Mas é também aquilo que aligeira o filme (talvez em demasia) e o torna um produto vendável como peça de entretenimento, ou por outras palavras, muito mais acessível ao público em geral. A triste verdade é que se não tivesse este folclore dificilmente chegaria ao Óscar de Melhor Filme.

É nestas sequências também que se tenta construir um retrato emocional da personagem de Mendez. Está separado da mulher (uma até interessante Taylor Schilling) e do filho de dez anos, com quem fala recorrentemente ao telefone por entre as várias fases de preparação da missão. Contudo, estas cenas nunca conseguem ganhar dimensão suficiente. O filme retira muito mais da presença pontual de actores carismáticos como Goodman ou Brian Cranston (o melhor amigo e superior de Mendez na CIA) que debitam o que eu chamo “frases-trailer” umas atrás das outras (soam bem mas querem dizer pouco), do que destas breves e pouco trabalhadas cenas emocionais. O mesmo acontece quando acompanhamos a situação dos seis americanos escondidos. Sabemos os seus nomes e de vez em quando revelam o que sentem. Mas realmente nunca existem como individualidades no arco dramático deste filme. São “os seis americanos” relativamente indistintos uns dos outros.

Por estes motivos é que comecei por dizer que este não é um filme de actores ou actuações, porque a humanidade destas personagens é pouco relevante para o desenrolar da história. O que está em jogo não são as emoções delas, são as nossas como espectadores. Não é o medo, o pavor ou os calafrios delas que interessam; são os nossos quando sustemos a respiração para saber se irão ou não ser apanhados. E no limite, não é a sua salvação, como pessoas reais, que o filme aborda; mas o simbolismo por detrás do resgate como forma de alimentar o ideal patriótico, humanitário e inspiracional do público-alvo desta produção. Por isso é que os seis são tão indistintos. E por isso é que Ben Affleck é uma personagem tão low profile durante todo o filme, apesar de ser a principal. Não perdura na memória como perdura a missão em si. Essa é que é a verdadeira personagem principal do filme.

"O que está em jogo não são as emoções das personagens, são as nossas como espectadores. Não é o medo, o pavor ou os calafrios delas que interessam; são os nossos quando sustemos a respiração para saber se irão ou não ser apanhados. Não é a sua salvação que o filme aborda; mas o simbolismo por detrás do resgate como forma de alimentar o ideal patriótico, humanitário e inspiracional. (...) A missão em si é é a verdadeira personagem principal do filme."

E isso ainda mais resulta porque a segunda parte do filme, o resgate, é tão excitante. Mendez entra no Irão e apenas tem um dia para ensinar aos americanos as suas novas identidades e convencer os iranianos de que são quem dizem que são. A visita ao mercado é extremamente tensa mas ainda mais é toda a sequência do aeroporto rumo ao avião. Estes são os momentos que fazem de ‘Argo’ um bom filme (a veia política fica para segundo plano e entramos em pleno no thriller), mas há algo que impede, para além do anonimato das personagens, de se tornar um grande filme. E isso é, como disse em cima, a extrema conveniência dos eventos dramáticos.

‘Argo’ é daquele tipo de filmes em que o encadeamento dos eventos é cronometrado ao segundo para tudo ser ainda mais intenso, mesmo que tais “coincidências” para obrigar o espectador a suster a respiração sejam obtidas de forma artificial e temporalmente incongruente. A dada altura o filme joga em quatro frentes: na base da CIA para a emissão a tempo dos sete bilhetes necessários; no aeroporto quando os sete tentam passar pelos vários controles de segurança sem dar nas vistas; numa qualquer base iraniana onde o alarme está prestes a soar; e por fim em Hollywood onde Siegel e Chambers aguardam no estúdio à beira de um telefone, caso algum agente iraniano ligue a tentar confirmar a história.

Tudo bem, é de supor que estas quatro acções paralelas estivessem a acontecer mais ou menos ao mesmo tempo. Mas tanta coincidência é pura especulação fílmica que vale o que vale. Por exemplo, depois de horas à espera, é no preciso momento em que um agente iraniano liga para o estúdio de Hollywood que Siegel e Chambers decidiram fazer uma pausa para tomar café. Regressarão a tempo antes do telefone parar de tocar? Acho que todos os espectadores sabem a resposta a essa pergunta. O que nos leva a outra questão. Tendo em conta a diferença de horas entre os Estados Unidos e o Irão, e que é de noite na Califórnia, não poderia ser aceitável que não estivesse ninguém no estúdio? Ou a linha ocupada com outra chamada? Mas ‘Argo’ é um daqueles filmes que quer obrigar o espectador a acreditar que se cada pormenor não encaixar, os heróis vão morrer. Se ninguém atendesse o telefone, eles iriam ser descobertos. Ponto final. Não há cá linhas ocupadas. Não pode haver. E como este exemplo do telefone há outros, em cada uma das frentes que o filme equilibra na sua parte final…

"A visita ao mercado é extremamente tensa mas ainda mais é toda a sequência do aeroporto rumo ao avião. Estes são os momentos que fazem de ‘Argo’ um bom filme (a veia política fica para segundo plano e entramos em pleno no thriller), mas há algo que impede, para além do anonimato das personagens, de se tornar um grande filme. E isso é  a extrema conveniência dos eventos dramáticos."

Tudo somado, ‘Argo’ apesar de no fundo ser “apenas” um filme de Hollywood, com muitos dos tiques e trejeitos que os cinéfilos tanto lamentam, acaba por ser muito mais do que apenas um filme chapa 5 para os Óscares. Todo o folclore semi-satírico nas cenas em Hollywood, o anonimato das personagens (a começar pela de Affleck) e toda a artificial conveniência dos eventos na sequência final acabam por ser produtos previsíveis da natureza do filme e das pessoas que o produziram (George Clooney também levou para casa o Óscar de produção…). Mas felizmente, Affleck estudou bem a lição ou pelo menos, na sua ambição por seriedade (tal como quando tenta actuar dessa forma) optou por uma realização sóbria, subtil e pouco interventiva, que permite que o tenso clima político e o expansivo drama humano (aquele que não pertence a uma personagem, mas a uma nação) comande o tom e o ritmo do filme. Esse é, sem dúvida alguma, o segredo do seu sucesso. 

Quando esquece por momentos o seu típico americanismo (não há heróis, apenas patriotas com falhas que cumprem o seu dever pelo bem maior) ‘Argo’ consegue ter momentos de puro cinema, especialmente nas longas montagens onde as imagens reais (ou as exímias reconstituições) se entrecruzam com as cenas “fictícias” da missão. O seu ritmo acelerado (são duas horas que passam a correr para qualquer espectador) é obtido não por qualquer cena de acção com montagem frenética (não tem nenhuma) mas pela forma como o desenrolar dos eventos enfatizam o clima de tensão. Isso coloca ‘Argo’ no meio termo entre um grande thriller político e o blockbuster de Hollywood. E é um meio-termo que resulta. Não lhe podemos chamar propriamente arte. Mas não é apenas mais um filme inspiracional com ambições de passar uma mensagem política. É um bem conseguido thriller baseado em factos reais que aproveita, e bem, ambas as suas componentes; a de filme-missão e a de sátira de Hollywood. 

Pedia-se uma maior ligação entre as personagens e a história, e como uma obra da qual se podem tirar paralelismos para as tensões políticas recentes ‘Argo’ também deixa algo a desejar porque apesar do rótulo “baseado em factos reais” não deixa de ser bastante fantasioso e conveniente. Mas como peça de entretenimento consciente neste género de cinema, ‘Argo’ é sem dúvida alguma uma das melhores, senão a melhor entrada que a Hollywood mais comercial produziu nos últimos anos. Não creio que alguma vez tenha a longevidade dos mais célebres filmes deste género como o já citado ‘The Day of the Jackal’ ou ‘Manchurian Candidate’ (1962). Mas tendo em conta a baixa fasquia das produções de Hollywood em geral e dos vencedores recentes dos Óscares em particular, ‘Argo’ não está nada mal. É algo que nunca pensaríamos que Ben Aflleck teria classe para fazer. Mas é sempre bom uma pessoa enganar-se, quando isso se reflecte numa boa experiência cinematográfica.

"Quando esquece por momentos o seu típico americanismo ‘Argo’ consegue ter momentos de puro cinema (...) O seu ritmo acelerado (...) é obtido não por qualquer cena de acção com montagem frenética (não tem nenhuma) mas pela forma como o desenrolar dos eventos enfatizam o clima de tensão. Isso coloca ‘Argo’ no meio termo entre um grande thriller político e o blockbuster de Hollywood. E é um meio-termo que resulta."

‘Argo’ não é o meu filme favorito desse ano, nem mesmo dos nomeados (‘Lincoln’ e ‘Django Unchained’ são pedaços muito mais maduros de cinema). Contudo, não nos sentimos inteiramente enganados pela Academia. Percebemos que o cunho político da história se sobrepôs, aos olhos dos votantes, a outras questões técnicas e argumentais (recordemos que o vencedor foi anunciado a partir da Casa Branca por Michelle Obama -  como se não soubessem quem ia ganhar…). Mas o espectador comum pode desconsiderar perfeitamente quer o lado político quer o lado técnico da cinematografia, e sentar-se confortavelmente a desfrutar de um dos filmes-missão mais bem conseguidos dos últimos tempos com o selo de Hollywood. E isso tem o seu mérito indiscutível.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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