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Dez actores clássicos ainda vivos (e que têm mais de 90 anos!)

Para muitos, a Hollywood clássica é um completo mistério. Noto isso inúmeras vezes quando tento ter uma pequena conversa cinéfila sobre isto ou sobre aquilo. É normal suponho. Cada um é apaixonado pelas suas coisas. Há pessoas que sabem discursar muito bem sobre todos os modelos da Porsche, passados e presentes, mas não fazem ideia quem foi Elizabeth Taylor ou Buster Keaton, só para dizer dois nomes completamente ao acaso. Tudo bem. Não me queixo. Se gostássemos todos do mesmo este mundo seria uma grande seca.

Mesmo assim, fico sempre um bocadinho decepcionado. Não por os outros não terem o mesmo nível aprofundado de conhecimento cinéfilo que eu tenho, claro, mas por não terem conhecimento nenhum, aprofundado ou não. Porque o cinema é uma arte, e quando as novas gerações não se apaixonam pela arte passada e apenas abraçam a presente e a futura, é uma parte da cultura que morre aos poucos, como se o mundo deixasse de repente de se recordar de Mozart, Leonardo DaVinci, Shakespeare ou dos Beatles.

O problema maior é que o que é antigo não vende tanto como o novo. Não é moderno e portanto não é cool, não está na moda. Claro que ‘Citizen Kane’ é um grande filme, mas se fosse relançado hoje nos cinemas não renderia 800 milhões de dólares como o mais recente ‘Thor’. Claro que James Stewart foi um grande actor, mas nunca teria tantos fãs no Instagram como Adam Driver. Mesmo sem ter visto a trilogia original ‘Star Wars’ milhares de jovens pelo mundo todo compraram em Dezembro o bilhete para ver ‘The Last Jedi’. Não é o filme em si que interessa. Não é o apreciar dessa arte. É apenas o acto de o ir ver e de se gabarem, através das redes sociais, que já o fizeram antes dos outros. É uma experiência sociológica na qual a obra de cinema surge apenas como um apêndice secundário. Hollywood não se queixa, obviamente. Às custas disso enriquece os seus cofres. Mas é o cinema como forma de arte que empobrece.

Não é que não haja ainda grandes artistas hoje em dia. Claro que há. Em Hollywood como em qualquer outro lugar. Mas os cinéfilos dedicados sentem a falta dos grandes. Não surgirá outro Orson Welles. Não surgirá outro Cary Grant. Não surgirá outra Katherine Hepburn, nem outro Kurosawa, nem outro Hitchcock, nem outro Truffaut, nem outra Jeanne Moreau, nem outro Chaplin. Definitivamente não surgirá outro Chaplin. Por isso o primeiro passo é preservar a memória dos seus trabalhos. Mas o segundo é aclamá-los em vida, tanto ou mais que as estrelas recentes. Muitos grandes nomes do passado receberam homenagens de carreira antes de falecer. Mas inúmeros outros não. Só este ano Roger Moore e Jerry Lewis faleceram sem nunca terem recebido Óscares Honorários, enquanto Jackie Chan (?!) recebeu o seu o ano passado.

Infelizmente, quando estas velhas glórias nos deixam são referidas quase como notas de rodapé. São “apenas” membros de um passado distante e esquecido que outrora foram alguém que ninguém na comunicação social se dá muito ao trabalho de explicar (ide ao Google se tendes interesse), e que não merecem a mesma consideração que outras estrelas mais recentes e por consequência mais populares que tragicamente também faleceram precocemente como Heath Ledger ou Philip Seymour Hoffman. Não é que estes actores não mereçam consideração. Claro que merecem. Mas se estes têm direito a longas reportagens sobre a sua vida e obra porque não também as estrelas clássicas? Só porque falecem de causas naturais aos 90 anos e não de overdose? Só porque já não fazem um filme há dez ou vinte anos? Só porque não “vendem” produtos hoje e porque as gerações mais novas nunca ouviram falar deles? É parvo e injusto na minha opinião.

Posto este desabafo, quero recordar dez grandes estrelas do cinema clássico que ainda hoje estão vivinhas da silva, a desfrutarem placidamente do seu tempo após já terem vivido quase um século. É incrível para mim, que nasci após muitos dos meus actores e realizadores favoritos já terem falecido, que estas fantásticas personalidades ainda partilham esta vida na Terra comigo. Não quero com isto, obviamente, agoirar alguma desgraça. Só lhes posso desejar que vivam tanto ou mais que o Manoel de Oliveira.

Estes dez nomes podem estar hoje esquecidos, e quando falecerem podem ser pouco cantados, pouco referidos, pouco chorados, mas os verdadeiros cinéfilos mostrar-lhes-ão um eterno respeito da melhor forma que podem; continuando a ver os seus filmes e dando-os a conhecer aos seus filhos. É assim que se perpetua a arte. E a arte destes senhores eu não quero esquecer. Considerando que ainda hoje estão vivos, apesar de alguns deles terem sido estrelas, imagine-se, na década de 1930, se eu pudesse apertava-lhes a mão, como aquele tipo no ‘Lawrence of Arabia’ que apertou a mão ao Lawrence só para um dia mais tarde poder contar que teve o prazer de o fazer. Teria apertado a mão a Jerry Lewis, a Roger Moore, a Martin Landau, a Mary Tyler Moore e a tantos outros que faleceram em 2017. Ainda podemos apertar a mão a estes dez nomes e devemos fazê-lo constantemente, antes que nos deixem.


Sidney Poitier (1927 - ) – 90 anos


Muito simplesmente, o actor afro-americano mais importante da história de Hollywood. Houve uma altura nos conturbados anos 1960 que Poitier representava virtualmente todos os papéis principais dos mais importantes filmes sobre a tolerância racial como em ‘The Defiant Ones’ (1957), ‘In the Heat of the Night’ (1967) e ‘Guess Who's Coming to Dinner’ (1967). Em 1963 tornou-se o primeiro afro-americano a vencer o Óscar de Melhor Actor por ‘Lilies of the Field’, um feito que só seria repetido quase quarenta anos mais tarde por Denzel Washington. Em 1977 passou a concentrar-se exclusivo na realização mas regressou dez anos depois como actor para o intenso ‘Shoot to Kill’ (1988).

O seu último trabalho no grande ecrã foi ‘The Jackal’ (1997) e fez mais quatro telefilmes até 2001, ano em que se retirou definitivamente. Em 2002 receberia um Óscar Honorário. Dele recordamos as intensas e sentidas interpretações, a sua força de revolta aliada a uma inata sensibilidade. Hoje tem 90 anos. E ainda tem o mesmo estilo que sempre o caracterizou. Fica a sua mais famosa frase no Vencedor do Óscar de Melhor Filme de 1967, ‘In the Heat of the Night’ (1967).



Cloris Leachman (1926 - ) – 91 anos


Cloris Leachman é uma verdadeira instituição na televisão americana. Começou a entrar em séries logo no despertar do novo meio no final dos anos 1940, e até hoje entrou em centenas de shows. A televisão seria o seu lar mas a partir de ‘Kiss Me Deadly’ (1955) entraria ocasionalmente em filmes, com destaque para o início da década de 1970 quando teve papéis em ‘Butch Cassidy and the Sundance Kid’ e principalmente em ‘The Last Picture Show’ pelo qual recebeu o Óscar de Melhor Actriz Secundária. Logo a seguir o seu talento cómico serviria Mel Brooks em várias comédias como ‘Young Frankenstein’ (1974) ou ‘History of the World: Part I’ (1981).

De 'Music of the Heart' (1999) ao lado de Mery Streep à voz da avó em ‘The Croods’ (2003) ainda vai deixando a sua marca no cinema, enquanto a sua carreira televisiva continua e continua e continua. Neste momento já tem três aparições confirmadas para 2018 e uma para 2020: ‘The Croods 2’. Pode nunca ter sido muito mediática, mas sabemos que é uma daquelas actrizes que trabalhará até ao dia em que morrer, por amor à arte. É uma actriz que já fez tudo e que tem uma enorme capacidade de fazer tudo outra vez. Mas pessoalmente eu sempre apreciei mais quando relaxa para se divertir com uma comédia. Quem esquece a Nurse Diesel de ‘High Anxiety ‘(1977), por exemplo? Fica uma das cenas que lhe valeu o Óscar.



Mel Brooks (1926 - ) – 91 anos


Por falar em filmes de Mel Brooks, é óbvio que este grande senhor, agora com 91 anos, ainda está vivo. Com a sua contagiante energia, difícil era outra coisa. Brooks foi a minha primeira grande paixão cinematográfica na pós-infância e o primeiro realizador do qual vi todos os filmes. Foi ele o pai da comédia moderna quando se estreou com ‘The Producers’ (1968), depois de já ter revolucionado a comédia televisiva. O filme deu-lhe a vencer o Óscar de Melhor Argumento (o seu único até hoje) e quatro décadas depois originaria o musical de maior sucesso da história da Broadway.

A beleza de Mel Brooks é que provou a milhares de fãs que comédia e um profundo amor pela arte do cinema podiam estar lado a lado. Podia ser comédia simples mas nunca era baixa, brejeira nem ordinária. Podia brincar com todos os estereótipos do cinema, mas ao fazê-lo proporcionava risadas quentes e criava verdadeiras obras de incrível entretenimento. De ‘Blazing Saddles’ (1974) a ‘Spaceballs’ (1987), de ‘Young Frankenstein’ (1974) a ‘History of the World: Part I’ (1981), de ‘High Anxiety’ (1977) a ‘Life Stinks’ (1991), os onze filmes de Brooks são uma pérola. Claro que baixaria o nível nos anos 1990 com ‘Robin Hood: Man in Tights’ (1993) e ‘Dracula: Dead and Loving It’ (1996) mas hey, eram os anos 1990, e as grandes comédias dessa década nunca teriam existido sem ele (pode ler tudo sobre os seus filmes na minha longa crónica 'Revisitando Mel Brooks')

Como actor, Brooks entraria apenas raramente em filmes de outros, com destaque para ‘To Be or Not to Be’ (1983) e vários trabalhos vocais para filmes de animação como ‘Robots’ (2005) ou ‘Mr. Peabody & Sherman’ (2014). É precisamente nessa capacidade que ainda o ouviremos este ano em ‘Hotel Transylvania 3’ ou ‘Blazing Samurai’. Apenas dez pessoas já ganharam pelo menos um Óscar (cinema), um Emmy (televisão), um Grammy (música) e um Tony (teatro). Brooks é uma delas. Quando Chaplin, Keaton ou Lewis já partiram, Brooks é a prova viva que resta de que a comédia cinematográfica pode ser arte. Adoro-o. Para mim nunca irá morrer. Fica a hilariante sequência musica da Inquisição de ‘History of the World: Part I’.



Dorothy Malone (1925 - ) – 92 anos


Todos os fãs do cinema clássico sabem perfeitamente quem é Dorothy Malone, embora possam não saber o seu nome. Embora tivesse já iniciado a sua carreira em 1940, foi o seu pequenino papel de três minutos em ‘The Big Sleep’ (1946) como a lojista que seduz / se deixa seduzir por Humphrey Bogart que a disparou para a fama. Ninguém (nem Bogart, nem os espectadores) ficaram indiferentes a esta voluptuosa rapariga de olhos sonhadores mas sapientes, e o estúdio recompensou-a com maiores papéis, embora nunca tenha realmente entrado nas maiores produções de Hollywood. Mas Dorothy persistiu, quer fosse na comédia (contracenou com Jerry Lewis e Dean Martin em ‘Scared Stiff', 1953; e ‘Artists and Models’, 1955), quer no drama. Pelo melodrama ‘Written on the Wind’ (1956) de Douglas Sirk recebeu o Óscar de Melhor Actriz Secundária, mas para mim a sua melhor performance para Sirk foi em ‘The Tarnished Angels’ no ano seguinte.

Como muitas actrizes da sua geração, na década de 1960 voltou-se cada vez mais para a televisão (teria sucesso na série ‘Peyton Place’), voltando ao cinema apenas em intervalos esporádicos. O seu último filme foi, imagine-se, ‘Basic Instinct’ (1992), mas faz todo o sentido. Em nova, tinha o mesmo poder de atracção que três décadas depois também teria Sharon Stone. E sabia usá-lo, embora tenha tido poucas oportunidades de o fazer em filmes com longevidade. Mas quando as teve, agarrou-as todas. Ninguém impactava em apenas um minuto como ela. Hoje Dorothy ainda está viva embora pouco se saiba o que faz por estes dias. Fica a cena que lançou a sua carreira.


Angela Lansbury (1925 - ) – 92 anos


Outro fantástico exemplo de longevidade; uma figura ternurenta e incrivelmente talentosa que nunca teve propriamente o perfil de uma grande estrela, mas pela solidez do seu trabalho e a sua incrível simpatia conquistou-nos a todos ao longo da sua longuíssima carreira de quase 80 anos. Estreou-se no cinema em 1944 aos 19 anos de idade como a criada rechonchudinha em ‘Gaslight’ (onde obteve a sua primeira nomeação para um Óscar) e entrou em inúmeros clássicos, mostrando o seu talento em vários géneros, do drama (‘State of the Union’, 1948) à comédia (‘The Court Jester’, 1955).

Ao longo das décadas desdobrar-se-ia pela televisão e pelo teatro, mas continuaria a entrar em filmes memoráveis como ‘The Manchurian Candidate’ (1962, a sua terceira nomeação para um Óscar), ‘Bedknobs and Broomsticks’ (1971) ou ‘Death on the Nile’ (1978). Nos anos 1980, com mais de 60 anos, teria um gigantesco sucesso mundial no papel da escritora/detective Jessica Fletcher em ‘Murder, She Wrote’ que durou umas incríveis 12 temporadas entre 1984 e 1996. Pelo meio deu a voz a Mrs. Potts em ‘Beauty and the Beast’ (1992) cantando o tema principal. Desde o final de ‘Murder, She Wrote’ as suas interpretações têm sido mais escassas, e tem-se quedado mais por pequenos telefilmes. Mas ainda tem uma palavra a dizer e ainda é tão ternurenta e talentosa como sempre. Em 2014 finalmente obteve um Óscar Honorário e este ano será vista em ‘Mary Poppins Returns’. Aconteça o que acontecer, Angela Lansbury é daquelas pessoas que nunca esqueceremos. Fica uma cena de uma das minhas comédias preferidas: ‘The Court Jester’.



Eva Marie Saint (1924 - ) – 93 anos


Uma loira com classe, pose e inteligência. Não haveria dúvidas que mais cedo ou mais tarde Eva Marie Saint iria entrar num filme de Hitchock e assim foi em 1959 em ‘North by Borthwest’ talvez o seu mais memorável papel. Porque foi o próprio Hitchcock que viu nela algo de especial, já que até então estava habituada a fazer papéis mais “certinhos” como aquele que lhe valeu o Óscar de Melhor Actriz Secundária logo no seu filme de estreia (após quase uma década na televisão), ‘On the Waterfront’, onde interpretou a rapariga inocente que quer regenerar Brando. Depois disso, esta mesmerizante actriz obteve papéis muito mais fortes ao lado das grandes estrelas masculinas de Hollywood, como em ‘Exodus’ (1960), no thriller ’36 Hours’ (1964), no fabuloso ‘The Sandpiper’ (1965) ou no excitante ‘Grand Prix’ (1966).

Mas como tantas outras estrelas glamorosas do final da era clássica, Eva Marie não se ajustou ao cinema mudado da década de 1970, e voltou-se para a televisão onde entraria em inúmeras séries e telefilmes (foi por exemplo a mãe de Maddie na popular série ‘Moonlighting’). Só ocasionalmente voltaria ao cinema como por exemplo em ‘I Dreamed of Africa’ (2000) ou ‘Superman Returns’ (2006). Em 2014 faria o seu ultimo filme, ‘Winter's Tale’. As suas aparições públicas são hoje raras mas não perdeu a pose, a classe e claro, a beleza. Fica a cena que a introduz no clássico de Hitchcock, ao lado de Cary Grant.



Glynis Johns (1923 - ) – 94 anos


Não há muita gente hoje em dia, cinéfilos incluídos, que se lembram do nome de Glynis Johns, muito embora seja muito difícil esquecer a sua cara de gatinha, com enormes olhos semi-cerrados, e a sua voz com uma entoação peculiar mas sedutora. Isso tornava-a delicada e forte ao mesmo tempo, elusiva e tentadora em partes iguais, e foi sempre nessa dualidade que a sua carreira, que começou no cinema inglês no final da década de 1930, se situou. Dou destaque a filmes como ‘49th Parallel’ (1941) de Michael Powell ou ‘No Highway’ (1951) onde brilha ao lado de James Stewart e Marlene Dietrich, mas sempre gostei muito mais dela nas comédias dos anos 1950: ‘The Card’ (1952) ou o mítico ‘The Court Jester’ (1955), já mencionado nesta crónica.

Em 1960 teria a sua única nomeação para um Óscar por ‘The Sundowners’ (1960) e em 1965 teria outro papel inesquecível, como a mãe das crianças em ‘Mary Poppins’ (1964), numa altura em que já só fazia filmes ocasionalmente e estava maioritariamente dedicada ao teatro (venceu um Tony) e à televisão. Assim se manteve pelas duas décadas seguintes até se retirar completamente depois do filme ‘Superstar’ (1999). Hoje vive a reforma tranquilamente, num complexo privado em Los Angeles. Bem o merece. Fica a sua canção sufragista em 'Mary Poppins'.



Doris Day (1922 - ) – 95 anos


Loira. Grande voz. E o look da girl next door. A sua especialidade eram as comédias românticas ou os leves musicais onde exibia o seu timing cómico e obviamente a sua enorme capacidade vocal. Com Rock Hudson fez um punhado de “comédias de travesseiro” como ‘Pillow Talk’ (1959) ou ‘Send Me No Flowers’ (1964) e repetiu a dose em ‘That Touch of Mink’ (1962) com Cary Grant ou ‘Move Over, Darling’ (1963) com James Garner. Dos seus musicais destacam-se ‘Calamity Jane’ (1953) ou ‘Love Me or Leave Me’ (1954). E deu a ganhar a Hitchcock o Óscar mais surpreendente de todos os seus filmes: o de Melhor Canção pelo imensamente popular “Que Sera, Sera”, do filme ‘The Man Who Knew Too Much’ (1956).

Mas quando o seu terceiro marido faleceu em 1968, Day descobriu que este não só havia esbanjado a sua fortuna, deixando-a na bancarrota, como tinha assinado em seu nome um contrato televisivo para o que se tornaria o bem sucedido 'The Doris Day Show' (1968-1973). Findo este contrato, aos 51 anos de idade, Day voltou as costas ao cinema e à televisão e nunca mais actuou. Dedicou o resto da vida à defesa dos direitos dos animais, algo que continua a fazer hoje, aos 95 anos de idade. Fica aquela que é talvez a sua mais grandiosa cena de dança em ‘Love Me or Leave Me’ (1954).



Kirk Douglas (1916 - ) – 101 anos


O seu nome de nascimento foi Issur Danielovitch Demsky, mas foi como Kirk Douglas que se imortalizou. Não era propriamente uma beleza clássica mas havia algo nele de poderoso. Quando começava a falar prendia a nossa atenção e os seus monólogos intensos, entre o charmoso e o acutilante, tornaram-se uma marca da sua personalidade. Começou na série B em noirs como ‘Out of the Past’ (1947) ou romances como ‘My Dear Secretary’ (1948), mas filmes como o grande ‘A Letter to Three Wives’ (1949) tornaram-no uma estrela de primeira categoria. Seguir-se-ia clássico atrás de clássico; ‘Ace in the Hole’ (1951), ‘The Bad and the Beautiful’ (1952; para mim o seu melhor filme), ‘Lust for Life’ (1956) ou ‘Gunfight at the O.K. Corral’ (1957). Começaria a década seguinte com o épico ‘Spartacus’ (1960), e prosseguiria com outras obras como ‘Lonely Are the Brave’ (1962) ou ‘Harm's Way’ (1965).

Douglas ainda estaria extremamente activo nas três décadas seguintes, mas geralmente em projectos mais pessoais e de menor escala, não tão memoráveis do grande público, ou então nalgumas extravagâncias bem abaixo dos seus talentos como ‘The Villain’ (1979). A sua carreira praticamente terminaria no final da década de 1980 e em 1996 recebeu finalmente o Óscar Honorário, depois de ter tido um enfarte que praticamente o deixou sem a capacidade de falar. O seu último filme foi ‘Illusion’ em 2004 e entraria apenas em mais um telefilme em 2008. Mas ainda demonstra a força e o carisma de sempre. Esta semana, com 101 anos de idade, esteve no palco dos Globos de Ouro onde foi homenageado. E o que todos viram foi um grande homem que nunca se deixará bater. O que todos viram foi Spartacus. Fica a minha cena preferida de 'A Letter to Three Wives'.



Olivia de Havilland (1916 - ) – 101 anos


E por fim a grande, a terna, a doce Olivia ainda está entre nós com os seus gloriosos 101 anos de idade. É a única actriz principal de ‘Gone With the Wind’, um filme feito quase há 80 anos (Olivia tinha 23), que ainda está viva. O seu passaporte para o estrelato foi nos filmes de aventuras com Errol Flynn, com quem contracenou oito vezes de 1935 (‘Captain Blood’) a 1941 (‘They Died with Their Boots On’). Mas ela só estava a aquecer. Na década de 1940 ergueu-se como uma das melhores actrizes dramáticas da história do cinema, vencendo dois Óscares de Melhor Actriz por ‘To Each His Own’ (1946) e pelo genial ‘The Heiress’ (1949, já criticado). Pelo meio venceu um importante caso em tribunal contra a Warner Brothers que garantiu maior independência aos actores sob contrato nos estúdios.

Na década de 1950 abrandaria o ritmo e a partir daí entraria apenas ocasionalmente em filmes e séries televisivas. Em 1965 foi a primeira presidente de júri feminina do festival de Cannes.  O seu último trabalho foi um telefime em 1988 e desde então (há trinta anos!), vive a reforma na Europa. Com um incrível talento, De Havilland tinha uma enorme queda para o melodramático, que dominava sem o tornar excessivo, uma delicadeza enganadora e emanava uma radiante energia que ainda hoje se mantém com ela, nas poucas entrevistas que decide dar. Fica o seu discurso inflamado em 'The Adventures of Robin Hood' (1938) outro dos seus filmes com Flynn.

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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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