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Histoire(s) du cinema: o meu aniversário em filmes


Esta semana completei 33 Primaveras. Ou melhor, Invernos, como se percebe pelo temperamento tempestivo da tempestade Ana que banhou o nosso país de vento e chuva uma boa parte desta semana. É uma tradição clássica que há muito deixou de me importar. Pode estar Sol Dezembro inteiro. Mas no dia dos meus anos chove. Sempre. True story.

Mas um dia de aniversário é mais do que ficar com uma valente molha sempre que se sai à rua. Claro que quando éramos mais novos o aniversário significava grandes festarolas com os amigos e prendas, muitas prendas. À medida que avançamos estas coisas deixam de nos importar (tanto), e o aniversário muitas vezes transforma-se em apenas mais um dia (especialmente se temos de trabalhar) e aprendemos a apreciar as coisas mais simples; o calor familiar, a mensagem de um amigo com o qual há muito perdemos o contacto, uma pequena lembrança que vale mais do que todas as prendas do mundo. O que eu procuro num dia de anos agora é simplesmente passar um bom dia sossegado, com toda a simplicidade que isso acarreta. Não é uma coisa fácil nos tempos que correm. Mas eu tento sempre. Posso não o conseguir, mas tento sempre.

E para passar um bom dia sossegado, com toda a simplicidade que isso acarreta, o cinema surge como uma grande fonte de satisfação pessoal. Não só porque sou cinéfilo claro está, como é uma boa desculpa para passarmos bons momentos com a família, ou enroscados no sofá (debaixo da mantinha que, não sei se já mencionei, é sempre um dia de chuva), ou então com uma ida a uma sala de cinema. Uma ida que nos proporciona um misto de satisfação pessoal com um prazer pecaminoso por termos metido um dia de férias no trabalho, termos o dia por nossa conta e estarmos placidamente a saborear o filme enquanto lá fora, no centro comercial, anda tudo num estado de euforia quase demente a fazer as compras de Natal…

De uma maneira ou de outra, mais íntima ou no rebuliço do centro comercial, tento sempre ver um filme no meu aniversário. É uma tradição que começou há muito, primeiro em casa quando era miúdo, depois com os meus amigos quando era adolescente, depois sozinho (yup!) e agora com a minha esposa. Eu só comecei a registar todos os filmes que vejo desde 2011 pelo que só a partir daí sei exactamente que filmes é que vi no dia do meu aniversário. Antes disso só me sobram as memórias, muito embora só tenha a certeza absoluta de duas ocasiões. Muitas vezes não ia ao cinema no dia preciso do meu aniversário, ia no fim-de-semana seguinte. E muitas vezes, porque faço anos na última semana de aulas do semestre, tinha testes e trabalhos para entregar, pelo que o acto tão simples de ver um filme ficava sempre reservado para a semana seguinte. Idem para quando comecei a trabalhar. São sempre umas semanas intensas, estas antes do Natal.

E como se isto não bastasse tenho ainda mais um "problema". Se escolher ir ao cinema no dia do meu aniversário, geralmente perco por uma questão de dias as grande estreias natalícias. Ainda esta semana podia ter ido ver o novo ‘Star Wars’ ou o novo Woody Allen. Podia, se fizesse anos uns dias depois. No dia dos meus anos estes dois filmes ainda não tinham estreado…

Mas de uma maneira ou de outra, o cinéfilo persevera e, tal como a vida (de acordo com ‘Jurassic Park’) encontra uma maneira. E a minha maneira é divertir-me, em casa ou no cinema, com a arte que me apaixona. Para auto-celebrar a semana do meu aniversário neste blog, ficam as nove ocasiões e os nove filme que sei sem sombra de dúvidas que vi no dia do meu aniversário, desde que nasci até hoje. Um mini-legado que faz parte da minha história, da minha história em cinema.


1998 – 14º aniversário: ‘Snake Eyes’, no cinema 

Um dos meus grandes amigos de infância tinha o hábito de fazer festas de anos no cinema (so nineties!). Foi sempre uma coisa que apreciei por isso em 1995, quando fiz 11 anos, pedi aos meus pais para me darem a oportunidade de experienciar mais uma, mas como anfitrião. Fomos ver o filme ‘The Santa Claus’ (1994), mas apenas o fizemos no fim-de-semana seguinte, já que nesse ano fiz anos a meio da semana. Três anos depois, em 1998, convenci os meus pais a repetir a dose, que soube muito melhor pois desta vez os meus anos calharam a um domingo. Foi uma experiência engraçada que nunca mais esqueci. Um monte de pré-adolescentes deixados à deriva numa sala de cinema a ver um thriller. Uuuh. Curiosamente, foi a única vez que vi este filme de DePalma, portanto as minhas memórias estão muito mais relacionadas com a experiência do que com o filme em si. Prometo contar tudo mais a pormenor numa próxima Histoire du cinema.



2005 – 21º aniversário: ‘The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe’, no cinema

A última semana do semestre quando se anda no terceiro ano de um curso de engenharia não é fácil. Mini-testes para fazer. Trabalhos para entregar. Todos sonhamos com o momento em que podemos deixar tudo e ir para férias de Natal, mas até lá a concentração tem de ser máxima. Contudo, o que fazer quando é o dia de anos e se pretende desanuviar um pouco, quando ninguém tem disponibilidade para o fazer? Eu nunca tive problemas em fazer as coisas sozinho por isso, naquele ano, talvez saturado com o trabalho, decidi ir ao cinema. Recordo-me que nessa tarde fui directamente da faculdade para o centro comercial, disposto a ter o meu tempinho, longe das pressões da vida académica. É só pena ter sido enganado. O primeiro ‘Narnia’ foi vendido como o novo ‘Senhor dos Anéis’ e eu até tinha lido os livros em miúdo. Mas essa ambição foi a sua perdição, e a infantil fábula tornou-se um produto algo oco e espalhafatoso. Tal como ‘Snake Eyes’ foi a única vez que vi este filme…



2011 – 27º aniversário: ‘Drive’, no cinema

Seis anos depois fui outra vez ao cinema no meu aniversário. Mas desta vez não fui sozinho, fui com a pessoa que iria passar a ir ao cinema sempre comigo desde então. A nossa escolha para essa noite, ‘Drive’, era um filme que estava a fazer furor nos meios menos comerciais e que particularmente me interessava por ser fã de filmes como ‘Thief’ de Michael Mann ou ‘The Driver’ de Walter Hill. Mas ao contrário de ‘Baby Driver’ deste ano, uma desinspirada re-imaginação com um jovem adulto, ‘Drive’ é um produto muito mais inspirado e muito mais intenso. Já o revi pelo menos duas vezes desde então. Pode ler tudo na crítica que escrevi na altura.



2012 – 28º aniversário: ‘The Cocoanuts’ (1929), em casa

No final de 2012 estava a dar os últimos retoques à minha tese de doutoramento. Esse dia foi como qualquer outro, um dia de trabalho, mas à noite o dia terminou em beleza em frente da televisão, enroscado no sofá com a cara metade. “É os teus anos, escolhe tu que filme queres ver”. Bem, eu já há algum tempo que tinha a ideia de rever a filmografia dos irmãos Marx, pelo que este me pareceu um dia ideal para recomeçar. O seu primeiro filme pode não ser uma obra-prima, mas é um relativamente interessante pedaço de anarquia que agora funciona perfeitamente como catalisador para entrar na sua onda cómica. Mesmo que se adormeça a meio, como foi o caso (mas o quão bom é adormecer no sofá com a cara-metade?). Mas sem problema, pode-se sempre acabar no dia seguinte.



2013 – 29º aniversário: ‘The Hobbit: The Desolation of Smaug’, no cinema

O leitor que segue este blog provavelmente não se lembra, mas 2013 foi um ano complicado para mim, visto que tive de ir viver para outra cidade durante a semana por motivos laborais. Mas quis o destino que nesse ano o meu aniversário calhasse a uma sexta-feira, o que me permitiu meter um dia de férias e assim voltar um dia mais cedo ao seio da família. Com o dia por nossa conta, ir ao cinema passou a fazer imediatamente parte dos planos (óbvio, não?). E curiosamente, o segundo filme da trilogia do ‘Hobbit’ tinha acabado de estrear. Portanto siga. Só é pena (muita pena) que este seja o pior filme dos seis da saga do ‘Senhor dos Anéis’… Mas como escrevi uma crítica, eu já disse melhor na altura do que posso dizer agora, por isso, caro leitor, é só ler.



2014 – 30º aniversário:  Singin' in the Rain (1952), em casa

Convenientemente, os 3-0 chegaram à minha vida num sábado. Porreiro pá. Assim uma pessoa pode passar um dia descansado, combinar qualquer coisa com os amigos e a família à noite, e ainda ter tempo da parte da tarde para um passeio com a cara-metade e quiçá ver um filmezinho. Desta vez foi confortavelmente no sofá. Portanto, o que ver numa tarde chuvosa de aniversário? Um filme de sábado à tarde, claro está, mas não daqueles blockbusters acéfalos que passam nas nossas televisões. Um filme de sábado à tarde “à séria”. Como o clássico musical ‘Singin' in the Rain’. Duas horas de diversão e divertimento garantidas, e um enorme sorriso no final. Filmes e felicidade. Não é isso que deseja um cinéfilo? E não há muitos filmes que o celebrem tão bem como ‘Singin' in the Rain’.



2015 – 31º aniversário: ‘Akahige’ (1965), em casa

Se fazer anos a um fim-de-semana é porreiro, acho que toda a gente concorda que é mais porreiro fazer a um sábado do que a um domingo. Mas para todos os efeitos o dia em si pode desenrolar-se mais ou menos da mesma forma. Ao jantar iria haver um enorme get together da família. Mas o resto do dia estava por nossa conta. Mais uma tarde chuvosa. Mais um sofá. Mais um filme. Pela minha parte, não me queixo. E como somos algo conservadores neste sentido, optamos por uma tarde de domingo cinematográfica “à antiga”. Lembram-se quando éramos crianças e víamos na televisão épicos com mais de 3 horas como ‘The Sound of Music’, ‘Lawrence of Arabia’ ou ‘Ben-Hur’? Esses dias há muito passaram para as nossas televisões, mas podem ser revividos por qualquer cinéfilo. Basta o toque de um botão. Num leitor de DVD por exemplo. Foi isso precisamente que fiz para criar a minha própria versão “artística” deste modelo tradicional de tarde cinematográfica. O contemplado foi o grande épico de Kurosawa, ‘Akahige’, um soberbo e lírico hino à profissão médica. Eu não brinco em serviço.



2016 – 32º aniversário: ‘Moana’, no cinema

Três anos depois regressei ao cinema pelo meu aniversário. Soube bem, muito bem, tirar um dia de férias, deixar a descendência no infantário e ter um us-time com a cara metade. E já agora ver um filme que já estava nas salas de cinema há quase um mês: o novo Disney, ‘Moana’. Acho que não é segredo para ninguém que sou um ávido fã da Disney, desde ‘Plane Crazy’ (1928) em diante. E se a Disney de meados da década de 2000 foi um bocado decepcionante, tem estado de novo na mó de cima, com sucessos como ‘Tangled’, ‘Big Hero 6’ ou ‘Zootopia’‘Moana’ foi mais um clássico instantâneo, sobre o qual pode ler tudo na crítica que escrevi. Mais uma tarde de aniversário bem passada, antes de regressarmos à nossa profissão de pais. Um dia iremos ver todos estes clássicos Disney (os antigos e os modernos) com a descendência. E vai ser espectacular.



2017 – 33º aniversário: ‘Justice League’, no cinema

Como escrevi em cima, esta semana podia ter ido ver ‘The Last Jedi’ ou podia ter ido ver ‘Wonder Wheel’. Podia, não tivessem estreado apenas no dia seguinte. Assim, e sem grandes opções, fui ver um filme que tinha dito a mim próprio há umas semanas que não iria ver: ‘Justice League’. Afinal, a experiência de ir ao cinema no dia de anos conta mais que o filme em si, não? Bem… só em parte… Será a minha próxima crítica portanto não a perca, caro leitor, nos próximos dias.


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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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