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The Barkleys of Broadway

Ano: 1949

Realizador: Charles Walters

Actores principais: Fred Astaire, Ginger Rogers, Oscar Levant

Duração: 109 min

Crítica: ‘The Barkleys of Broadway’ (em português ‘O Bailado do Ciúme‘… nem vou comentar) é o décimo, e último filme que a sublime dupla composta por Fred Astaire e Ginger Rogers fez em conjunto, dez anos após o nono filme ‘The Story of Vernon and Irene Castle’ (1939). Depois de nove obras para a RKO na década de 1930, este foi o seu único filme para a meca do musical, a MGM, e o seu único filme a cores.

Como narrei no meu post ‘Top 10 – Grandes (e recorrentes) pares românticos do grande ecrã’, Fred & Ginger contracenaram pela primeira vez em ‘Flying Down to Rio’ (1933), um musical menor onde, em teoria, eram apenas um escape cómico e dançante para suportar a trama principal romântica entre Dolores Del Rio e Gene Raymond. Ambos eram ilustres desconhecidos do cinema, mas não eram propriamente amadores. Astaire era um já famoso dançarino do mundo do espectáculo, que acabara de assinar um contrato com o estúdio RKO e estava a estrear-se no cinema. Rogers era uma ‘veterana’ corista secundária de inúmeros filmes musicais, que tinha aspirações dramáticas mas que ainda não tinha dado o salto. ‘Flying Down to Rio’ foi o passaporte de ambos para a ribalta. 

As suas breves cenas em conjunto, e principalmente a dança que compartilham, tornaram-se os momentos mais memorável do filme. De repente o público quis saber quem eram estas duas pérolas escondidas e pediu mais. Assim sendo, obviamente, a RKO respondeu com ‘Gay Divorcee’ (1934) logo no ano seguinte, com Fred & Ginger nos papéis principais e Mark Sandrich na cadeira de realizador (realizaria cinco dos nove filmes do par para a RKO). E o resto, como dizem, é história. Seguiram-se ‘Roberta’ (1935), ‘Top Hat’ (1935, o seu filme mais famoso), ‘Follow the Fleet’ (1936), ‘Swing Time’ (1936, para mim o melhor); ‘Shall we Dance’ (1937), ‘Carefree’ (1938, que já critiquei) e por fim ‘The Story of Vernon and Irene Castle’ (1939). Muitos dos argumentos eram estranhamente semelhantes entre si, mas o que importava? Os números de dança eram sempre diferentes e cada vez mais épicos e ousados, e as melhores músicas de Cole Porter ou Irving Berlin brotavam dos seus lábios. Entretenimento no seu estado mais puro, e arte, verdadeira arte, no corpo dançante de ambos.

"‘The Barkleys of Broadway’ (...) é o décimo, e último filme que a sublime dupla composta por Fred Astaire e Ginger Rogers fez em conjunto (...) Depois de nove obras para a RKO na década de 1930, este foi o seu único filme para a meca do musical, a MGM, e o seu único filme a cores."

Mas apesar do estrondoso sucesso dos primeiros filmes, os últimos não renderam tanto como era esperado. Concomitantemente, a RKO estava à beira da falência e já não tinha grande margem de manobra para financiar estas extravagâncias musicais. Por fim, como se não bastasse, quer Fred quer Ginger, apesar de não se terem chateado como aconteceu com outras duplas famosas, ambicionavam outros voos. Rogers pretendia papéis mais dramáticos e desafiantes enquanto Astaire gostava de variar parceiras de dança e tinha alguma relutância em ficar preso a apenas uma. Tudo isto levou à separação do par após ‘The Story of Vernon and Irene Castle’ (1939).

Após a separação, seguiram carreiras distintas. Rogers cumpriria a sua ambição de ser mais ‘séria’ como actriz e ganharia inclusive um Óscar de Melhor Actriz logo no ano a seguir (algo injustamente na minha opinião) pelo drama ‘Kitty Foyle’ (1940). Outras obras incluíram ‘The Major and the Minor’ (1942) de Billy Wilder, ‘Once Upon a Honeymoon’ (1942) de Leo McCarey ou ‘Tender Comrade’ (1943) de Edward Dmytryk. Já Astaire continuou a fazer o que fazia melhor; comédias musicais, com parceiras como Eleanor Powell (‘Broadway Melody of 1940', 1940); Paulette Goddard (‘Second Chorus’, 1940); Rita Hayworth (‘You'll Never Get Rich’, 1941 e ‘You Were Never Lovelier’, 1942) ou Judy Garland em ‘Easter Parade’ (1948).

Precisamente, foi o sucesso de ‘Easter Parade’ que originou ‘The Barkleys of Broadway’ (1949). O realizador Charles Walters, antigo coreografo e actor da Broadway (e que no futuro realizaria épicos musicais como ‘High Society’, 1956, ou ‘The Unsinkable Molly Brown’, 1964) queria voltar a reunir a dupla que o tinha servido tão bem em ‘Easter Parade’ no seu filme seguinte. Contudo, os problemas pessoais de Judy Garland (nomeadamente a sua infeliz dependência de drogas e medicamentos) estavam a afectar seriamente o seu trabalho e teve que ser substituída. Foi então que ocorreu aos produtores a inspirada ideia de abordar Ginger Rogers. Dez anos depois, a dupla estava de volta.


"A química entre Fred & Ginger é inegável desde o primeiro segundo (...) Sustentam com enorme energia todas as suas cenas de intimidade (...) e estão exímios nos seus números de dança e canto, apresentando-se tão frescos como uma década antes, apesar de por esta altura Astaire já ter 49 anos de idade (...) e Rogers 37 (...) A história, pelo contrário, é muito menos interessante."

De facto, o filme não perde tempo nenhum a saciar o espectador que havia esperado uma década por este momento. O filme é tão sôfrego que se inicia logo com um número de dança. Boa ideia? Óptima. Bem executada? Não, de todo. Isto porque Fred & Ginger dançam durante dois minutos, mas com as letras do genérico por cima (e estamos a falar dos genéricos clássicos que ocupavam quase todo o ecrã). Estão a dançar divinalmente, mas temos que estar continuamente a “espreitar” por trás das letras para os conseguir ver e nunca conseguimos vislumbrar o efeito completo dos seus dois corpos. Estaria o realizador propositadamente a provocar o espectador? Ou é um erro amador? Na minha opinião, teria sido bem melhor que tivessem posto esta dança como uma sequência pré-genérico (estilo filme do James Bond), ou então logo a seguir ao genérico, para iniciar o filme com toda a força. Assim é (quase) um mero desperdício do potencial que têm em mãos.

Aliás, é mais do que notório que este potencial; a química entre Fred & Ginger e o brilhantismo dos seus números de dança, é tudo o que o filme tem para oferecer. Mas isso só por si já não é nada mau. A química entre Fred & Ginger é inegável desde o primeiro segundo. Fazendo de um casal, os Barkleys, os artistas mais famosos da Broadway, Fred & Ginger sustentam com enorme energia todas as suas cenas de intimidade – acreditamos realmente que são um casal devido à sua naturalidade e à vontade um com o outro – e estão exímios nos seus números de dança e canto, apresentando-se tão frescos como uma década antes, apesar de por esta altura Astaire já ter 49 anos de idade (movia-se como um rapaz de 20) e Rogers 37. Não há prova maior do sublime prazer com que dançavam do que na cena do baile de beneficência. Supostamente estão chateados um com o outro, mas no momento em que a dança ganha momento, com Rogers a rodopiar em redor de Astaire que a conduz como o mestre que era, o rosto dela ilumina-se com um sorriso de orelha a orelha. Rogers não está a actuar. Está a sentir puro prazer; verdadeiro, incandescente. E o público sente-o também.

A história, pelo contrário, é muito menos interessante. Consiste da mesma mistura de romance semi-cómico passado nos bastidores do mundo do espectáculo com travos de comédia de enganos que caracterizara o argumento da maior parte dos seus filmes anteriores, e também de grande parte dos musicais de Hollywood por esta altura. Geralmente, o argumento deste filme é tido como algo autobiográfico porque quando encontramos os Barkleys, depois da bem-sucedida noite de estreia do seu novo espectáculo (a tal sequência que vimos no genérico de abertura), estes estão a retomar uma discussão que já se tornou rotina para o casal. Rogers, no papel de Dinah Barkley, anseia por fugir da sombra do marido, Josh (Astaire), também o encenador para além de dançarino principal, e da “vulgaridade” do espectáculo musical, para tentar provar-se como uma actriz “séria”. Josh disfarça a sua tristeza por ela não querer continuar a fazer espectáculos musicais com ele com uma típica atitude machista e egocêntrica, insinuando que ela não é nada sem o talento dele. Obviamente, esta discussão também pode ser lida como uma reflexão bastante consciente das prevalentes críticas à sua própria lenda como par cinematográfico. A arbitrar os “rounds” entre o casal está o melhor amigo de ambos, Ezra, uma personagem interpretada por Oscar Levant no seu papel habitual (repeti-lo-ia em filmes como ‘An American in Paris’, 1951 ou ‘The Band Wagon’, 1953); o génio compositor e pianista com uma piada sarcástica sempre na ponta da língua mas essencialmente com um bom coração.

"A história consiste da mesma mistura de romance semi-cómico (...) com travos de comédia de enganos que caracterizara a maior parte dos seus filmes anteriores (...) As próprias personagens são algo estáticas, ou seja, têm os seus perfis bem moldados, que a maior parte dos actores (...) trazem de filmes anteriores. Tudo se passa num ambiente familiar (...) e tudo o que é menos aprofundado e incongruente é curado com uma sequência musical."

O casal vai basicamente manter esta mesma discussão, com uma química muito mais ao estilo da comédia romântica do que propriamente do drama, durante mais de meia hora; em casa, nas festas da sociedade (destaque para o escape cómico da ‘socialite’ interpretada pela mítica Billie Burke) e por entre performances do seu espectáculo. O filme finalmente avança para o seu objectivo argumental quando Dinah conhece o dramaturgo francês Barredout, interpretado com um misto de charme “estrangeiro” e pedantismo pelo algo desinspirado Jacques François, no único filme de Hollywood de toda a sua longa carreira. Barredout acabou de escrever uma peça de teatro “séria” sobre a grande actriz Sarah Bernhardt e quer que Sinah a interprete, também porque está obviamente interessando nela em termos amorosos. Após alguma hesitação sobre se deve deixar o espectáculo do marido e mais alguns momentos de comédia de enganos, Dinah acaba por aceitar para agarrar o seu sonho.

Esta é a gota de água para os Barkleys se separarem mas quando, por via do destino, a nova peça dramática de Dinah está a ser ensaiada no teatro mesmo ao lado daquele onde Josh trabalha, isto é motivo mais do que suficiente para alimentar a comédia de enganos. Principalmente quando Josh descobre que Dinah está a ter dificuldades em encontrar a sua veia dramática e começa a telefonar-lhe à noite fingindo ser Barredout (basicamente fazendo um forçado sotaque francês) para a ajudar. Todo o drama, a comédia, o romance, os enganos e claro, as sequências musicais, culminarão na noite de estreia da peça ‘Young Sarah’.

Como disse o argumento é o menos interessante de toda esta história. Os apartes cómicos, quer sejam através das personagens secundárias (ainda Gale Robbins com a bimba corista que o produtor põe no espectáculo para substituir Dinah), os one-liners de Oscar Levant, ou as trocas de piropos entre Fred & Ginger ajudam a suster, com a classe que só os argumentistas da Hollywood clássica conseguiam proporcionar, um argumento mais que previsível. No final, tudo está bem quando acaba bem com extrema facilidade e todas as pontas soltas da história são misteriosamente esquecidas. As próprias personagens são algo estáticas, ou seja, têm os seus perfis bem moldados, que a maior parte dos actores, quer sejam Fred, Ginger ou até Levant ou Burke trazem de filmes anteriores. Tudo se passa num ambiente familiar (o que não é necessariamente mau) e tudo o que é menos aprofundado e incongruente é curado com uma sequência musical.

"Acho que as sequências de canto são algo pobres (...) Mas o grande crème de la crème desta obra, como não podia deixar de ser, são as sequências de dança. Não são tão épicas nem tão longas nem tão artísticas como outrora (...) mas vão sem dúvida enchendo o olho (...) A cena em que Astaire dança sozinho num cenário de uma loja de sapatos (...) é bem capaz de ser a mais fascinante cena de dança “cinematográfica” de toda a sua carreira."

E neste sentido o filme tem dois lados opostos. Acho que as sequências de canto são algo pobres (isto é, para o padrão de um filme de Fred & Ginger) porque nunca senti que as músicas, compostas por Harry Warren com letras de Ira Gershwin, fossem particularmente interessantes. E sinceramente, acho que os produtores concordam comigo. Que outro motivo pode haver para terem decidido reciclar uma velha e extremamente popular (ainda hoje) canção do par: "They Can't Take That Away from Me" (anteriormente cantada por Astaire em 'Shall We Dance’, 1937), colocando-a mesmo no miolo do filme, no local onde ele mais precisava de ser espevitado? É mais do que uma grande homenagem ao seu legado. É também o reconhecimento de que o filme precisava mesmo de uma grande, imortal canção, para o espectador poder sair da sala a trauteá-la, quando já esqueceu as restantes.

Mas no espectro oposto, o grande crème de la crème desta obra, como não podia deixar de ser, são as sequências de dança. Não são tão épicas nem tão longas nem tão artísticas como outrora o par havia executado – limitam-se a pequenos excertos dos ensaios ou do seu espectáculo que vão surgindo em intervalos regulares ao longo do filme – mas vão sem dúvida enchendo o olho e confirmam, uma e outra vez, porque é que esta dupla é a mais memorável de toda a história do cinema. Dançam um grande sapateado num “ensaio”; salvam a menos interessante cena “escocesa” (onde ambos cantam com sotaques cerrados, não muito bem conseguidos) graças aos passinhos de dança que dão no final; e culminam dançando "They Can't Take That Away from Me" no baile de beneficência com a sublime graciosidade que imortalizaram.

Mas o destaque maior vai para a cena em que, após a separação, Astaire dança sozinho num cenário de uma loja de sapatos. De repente, e graças a uns bem conseguidos efeitos ópticos (recordemo-nos que estávamos em 1948), meia dúzia de pares de sapatos saltam da estante e dançam ao lado de Astaire. É uma daquelas cenas que perduram para sempre. Aliás, era a única cena da qual me recordava vividamente de quando vi o filme pela primeira vez há mais de uma década. A mestria de Astaire (o melhor dançarino que alguma vez viveu) une-se na perfeição à arte de fazer bom cinema, ambas demonstrando aqui uma técnica imaculada. Astaire teria outras cenas deste género (como quando dançaria no tecto de cabeça para baixo em ‘The Royal Wedding’, 1951) mas é difícil encontrar uma que supere esta. É bem capaz de ser a mais fascinante cena de dança “cinematográfica” de toda a sua carreira.

"Como na maior parte dos filmes de Fred & Ginger, chegamos ao final desapontados por não haver mais números de dança (...) É um filme que vai entretendo e que chega com fluidez ao final (...) porque vai entrecruzando com uma mecânica algo previsível mas eficaz as três componentes dramático-românticas, musicais e cómicas que o constituem. Mas nada disto é uma novidade neste género, (...) e a história (...) não é nada memorável."

Em comparação, é totalmente desnecessário vermos perto do final as cenas dramáticas de Rogers na peça ‘Young Sarah’. Como na maior parte dos filmes de Fred & Ginger, chegamos ao final desapontados por não haver mais números de dança. Dispensaríamos de bom grado grande parte do argumento mais “sério”, bem como dispensaríamos esta cena, se isso significasse mais danças. Já as duas sequências em que Oscar Levant se exibe como o genial pianista que era, são um “mal” necessário e extremamente bem-vindo, por o ter na película. A segunda, no espectáculo de beneficência que o próprio organiza, está de novo brilhantemente filmada, com a câmara a fazer pans sem cortes entre os dedos de Levant, a orquestra e o público para exacerbar o impacto da interpretação e abarcar a dimensão das notas enquanto ressoam pela sala de espectáculo.

No final, a questão que se coloca é se estes bem executados, embora não muito ambiciosos números musicais (exceptuando a “dança dos sapatos”), bem como o fascínio intrínseco que é ver Fred & Ginger num filme em conjunto é suficiente para compensar uma história relativamente pobre e previsível. E já agora, se isso permite que o filme funcione também como a grande despedida do casal da sétima arte. Bem… sinceramente, na minha opinião, só apenas parcialmente é que estes objectivos são cumpridos. ‘The Barkleys of Broadway’ é um filme que vai entretendo e que chega com fluidez ao final dos seus 105 minutos de duração, porque vai entrecruzando com uma mecânica algo previsível mas eficaz as três componentes dramático-românticas, musicais e cómicas que o constituem. Mas nada disto é uma novidade neste género (muito pelo contrário) e a história, apesar de assumir com bastante autoconsciência a lenda de Fred & Ginger e de brincar um pouco com os seus estereótipos, não é nada memorável.

Tudo o que o filme faz é tentar não quebrar a atenção do espectador, sustendo-se na familiaridade temática e no lugar-comum das personagens secundárias, até chegar ao número musical seguinte. Mas mesmo aí o filme poderia ter ido muito mais além. Tem uma sequência genial (a dos sapatos), uma muito boa (‘You Can’t Take That Away From Me’) mas as restantes, suportadas por músicas que pouco ficam no ouvido, só se transcendem porque têm Fred & Ginger a executá-las. E no final, o filme poderia ter terminado com um épico número musical para criar a sentida e definitiva despedida da sétima arte destes dois génios e assim perpetuar na sua lenda. Mas tudo o que faz, após o final previsível da história de amor, é mostrar-nos um breve excerto (nem 1 minuto demora) do seu novo espectáculo ao som de ‘Manhattan Downbeat’. Sabe a pouco. Obviamente que na altura ninguém sabia que este ia ser o seu último filme em conjunto. Mas em retrospectiva é uma pena que tenha acabado assim numa nota tão, permitam-me, “downbeat”.

"Tudo o que o filme faz é tentar não quebrar a atenção do espectador (...) até chegar ao número musical seguinte. Mas mesmo aí o filme poderia ter ido muito mais além (...) e no final sabe a pouco (...) Mas quando tudo o resto for esquecido, recordaremos sempre a graciosidade com que dançaram ao som de ‘You Can’t Take That Away From Me’ (...) e recordaremos sempre a mestria única de Astaire na dança dos sapatos."

Resta-nos a magia de os ver juntos. Os seus filmes nunca foram propriamente obras-primas como um todo, mas tornavam-se obras-primas nos momentos em que dançavam. Como escrevi anteriormente “olhando para trás, qualquer cinéfilo, qualquer amante da arte, tem que agradecer já ter sido inventada a câmara de filmar quando estes dois artistas viveram no nosso planeta, e também o seu emparelhamento completamente fortuito em ‘Flying Down to Rio’. Assim podemos ter o prazer de os ver a dançar para sempre. E isso é um privilégio”. No meio de uma história rotineira ‘The Barkleys of Broadway’ permite-nos esse privilégio, uma última vez. Por isso vale a pena.

E quando tudo o resto for esquecido, recordaremos sempre a graciosidade com que dançaram ao som de ‘You Can’t Take That Away From Me’ no cenário mais singelo de todo o filme, certamente para não distrair um único milésimo de segundo dos seus movimentos; e recordaremos sempre a mestria única de Astaire na dança dos sapatos. Nem de propósito, receberia o seu Óscar Honorário no ano seguinte, em 1950, “for his unique artistry and his contributions to the technique of musical pictures”. Acho que é seguro assumir que foi o recordar da velha mística do par que ‘The Barkleys of Broadway’ proporcionou ao público americano que inspirou os membros da Academia a dar-lhe um prémio. Mais um motivo para recordar este filme.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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