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Uma pequena lista de pequenas extravagâncias cinéfilas

Como o título indica, são apenas pequenas extravagâncias, nada mais e nada de especial. Mas são as minhas e eu orgulho-me delas. Como sempre nestas páginas, a perspectiva é a do leigo amador apaixonado, portanto estou apenas a contar as idas ‘normais’ ao cinema. Exclui-se então idas a festivais, já que qualquer festivaleiro, crítico ou jornalista mete estas humildes extravagâncias num bolso. Se quiser, caro leitor, partilhe também as suas pequenas ‘loucuras’.


Ir ao cinema duas vezes no mesmo dia


É algo que posso dizer que já fiz, e em duas salas de cinema em pontas opostas da cidade! Aconteceu em Julho de 2010. Num domingo à tarde, decidi ir ao cinema ver o filme que estava nas bocas do mundo: ‘Inception’ (2010). Fui sozinho, como fazia muitas vezes. No intervalo do filme recebi uma chamada. Era uma amiga minha a perguntar-me se queria ir ver ‘Inception’ com ela nessa mesma noite. Acho que ‘Inception’ duas vezes no mesmo dia, pelo menos no cinema, seria de mais e disse-lhe isso mesmo. Ela não se fez rogada e perguntou então se não me importava de ver outro filme. E assim foi. Acabamos por ir ver ‘The Ghost Writer’ (2010) de Polanski. Foi um bom dia.





Ir ao cinema em dois dias seguidos

Desta, como muita gente, sou repetente. Uma das vezes foi algures em Dezembro de 2009. Tinha combinado com um amigo ir ver ‘Avatar’ daí a uns dias. Mas entretanto descobri que o mesmo cinema iria ter uma ante-estreia especial do filme ‘Where the Wild Things Are’ (2009) de Spike Jonze, dois meses antes da data de estreia oficial nas restantes salas portuguesas. Era uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar, mas calhava precisamente na véspera do dia em que tinha combinado ir ver ‘Avatar’. Lembrei-me de perguntar ao meu amigo se ele não quereria fazer um back-to-back comigo e ele anuiu. Sempre recordei esse fim de semana mais por ‘Where the Wild Things Are’, que adorei, do que por ‘Avatar’… Em Fevereiro de 2011 encontrava-me deslocado em trabalho noutra cidade onde não conhecia ninguém e não tinha muito para fazer de noite. O meu apartamento alugado era à beira de um shopping e lembro-me de também ter ido ver em dias seguidos, só porque sim, ‘Hereafter’ (2010) e ‘Black Swan’ (2010). Mais recentemente também fui ver em dias seguidos ‘Relatos Selvagens’ (2014) e ‘Inherent Vice’ (2014), ambos com bilhetes ganhos em passatempos de ante-estreias. O primeiro foi ganho pela minha mulher. O segundo foi-me oferecido por um amigo (é bom ter amigos destes!). Custou sair duas vezes à noite durante a semana de trabalho, mas a qualidade de ambos os filmes fez valer a pena o sono nos dias seguintes! Creio que ainda fiz a dobradinha mais uma vez (ver ponto seguinte).


Ir ao cinema quatro vezes na mesma semana

Semana de Páscoa de 2003. Para quem anda no primeiro ano da faculdade, como eu andava nesse ano, e tem a matéria em dia, não há muito para fazer a não ser desfrutar de uma bem merecida semana de férias. Também não é propriamente a melhor altura para sair com amigos, que estão a passar o tempo com as respectivas famílias, muitas vezes noutros locais. O meu cérebro bem cinéfilo pensou então que era esta a altura ideal para recuperar o tempo perdido e ir ao cinema ver uma série de filmes da mais recente época dos Óscares, que graças aos estudos não tivera tempo de ver anteriormente. Do pensamento à prática foi um instante e nessa semana passei a vida em salas de cinema, geralmente sozinho, como apreciava fazer para ver os filmes mais significantes (aos blockbusters ia sempre em matilha!). Não tenho os bilhetes guardados dessa altura portanto já não consigo precisar bem que filmes vi e em que dias, mas tenho quase a certeza que nessa semana vi pelo menos uns quatro. Um deles, se não me falha a memória, foi o filme ‘Hours’.



Ver duas vezes o mesmo filme no cinema

Não, não fui daqueles que fui ver mais de dez vezes ‘Titanic’ ao cinema em 1997! Não vejo grande necessidade, nesta era moderna, de ir ao cinema ver um filme mais do que uma vez. Nem três meses depois já o podemos ver legalmente em casa, quer alugando a partir de videoclubes digitais, ou comprando o DVD ou o blu-ray. Mas é verdade que já por duas vezes repeti filmes no cinema. A primeira até tenho vergonha de contar. Foi o filme ‘Troy’ (2004)! Quando andava no secundário e nos primeiros anos de faculdade, ia muitas vezes ao cinema com a minha pandilha de amigos. De quando em quando, lá íamos jabardar para a sessão da meia-noite, o que para mim (um rapaz de deitar cedo e cedo erguer) nunca foi boa política. Lembro-me que sobrevivi incólume a ‘Lost in Translation’ (2003) numa dessas sessões (terá sido o apelo de Scarlett?!), mas o mesmo já não me aconteceu alguns meses depois com ‘Troy’. Recordo-me perfeitamente de olhar para a tela extremamente confundido e perguntar ao meu amigo “como é que apareceu agora de repente o cavalo de Tróia?!” e ele responder com um sorriso “Mike, é fácil, porque estás a dormir há uma hora!”… Ups. Duas semanas depois, o meu pai mostrou interesse em ir ver o filme. Fiz-lhe companhia e devo ter-me tornado a única pessoa no mundo que viu ‘Troy’ duas vezes no cinema! Da segunda vez já me sinto mais orgulhoso. Eu fui daqueles que viu os três filmes da prequela de ‘Star Wars’ no dia em que estrearam nas salas de cinema portuguesas, mesmo que para isso tenha tido que reservar os bilhetes com semanas de antecedência. E ‘Ep. III: Revenge of the Sith’ não foi excepção. Estava lá no dia de estreia, excitadinho como os demais. Mas quase um mês depois a minha irmã mais nova anunciou que ia ver o filme com o namorado. Até aqui tudo bem. Mas depois saiu-se com esta: “Podias vir também, para me explicar as coisas!”. Quem é que pode resistir a um apelo destes de uma irmã mais nova, ainda por cima para ver ‘Star Wars’?! E lá fui, todo contente, ver o filme pela segunda vez ao cinema!


Ver o mesmo filme (inteiro) duas vezes em menos de 24h

No cinema nunca o fiz. Não sou doido a esse ponto. Para além do que escrevi no ponto anterior, acho que isso seria fanatismo a mais e um gasto desnecessário de dinheiro, por tão bom que seja o filme. Se é assim tão bom, então prefiro poupar o dinheiro para comprar o DVD três meses depois. Mas em casa já me dei a esse luxo, e podemos justifica-lo por um misto de folia da juventude e da glória da descoberta do grande cinema. Há muitos, muitos anos, nem 12-13 anos devia ter, certa sexta-feira à noite vi com o meu irmão mais velho pela primeira vez ‘A Night at the Opera’ (1935) com os irmãos Marx. Não sei se foi a primeira vez que vi os irmãos Marx, mas é bem capaz de ter sido. Ficamos ambos siderados, a repetir frases do filme e a falar dele até nos irmos deitar. Na manhã seguinte, levantamo-nos, e continuamos a falar sobre o filme. E eis que o meu irmão lançou a bomba: “e se o víssemos outra vez?!” (já que o tínhamos gravado em VHS). Proposta irrecusável. E assim selei o meu destino como fã incondicional dos irmãos Marx.



Ver mais de 50 filmes num mês

Eu só comecei a fazer as minhas agendas diárias cinematográficas em 2011 (ver as minhas crónicas anuário de 2011, 2013 e 2014), portanto é um pouco difícil contabilizar os filmes que vi por mês e por ano antes disso. Nos meus tempos de estudante creio que conseguia ver mais de 350 filmes por ano. Agora se chegar aos 250 é uma sorte, mas não podemos ser jovens para sempre, e há mais coisas engraçadas que também se podem fazer na vida! Mas de dizer que no primeiro ano em que comecei a contabilizar os meus filmes, 2011, ainda cheguei à enorme quantia de 371. Isto ficou-se a dever principalmente ao mês de Agosto, em que não só tive o mês inteiro de folga do trabalho, como não saí do Porto enquanto a minha namorada foi passar as férias com os pais, o que me deixou sem grande coisa para fazer para além de praticar desporto, ler e ver filmes. Nesse mês vi nada mais nada menos que 55 filmes, o que acho que deve ser o meu recorde, recorde esse que provavelmente nunca irei superar (agora se vir 20 é uma benção!). Num belo dia desse mês vi nada menos que 3 filmes; ‘Sherlock Jr.’ (1924), ‘The Emperor’s New Groove’ (2000) e ‘Journey Into Fear’ (1943) (vá, são todos filmes pequeninos), mais o famoso documentário sobre Apocalypse Now: ‘Heart of Darkness: A Filmaker’s Apocalypse’ (1991). Não me lembro, mas devo ter ido para a cama com os olhos bem cansadinhos…


Entrar num filme para maiores de 16/18 quando se tem 13 anos

Ok. Já todos tentamos entrar num filme para maiores de idade quando eramos menores de idade. E se o conseguimos, soube bem, soube muito bem. Hoje em dia, com a facilidade de arranjar filmes na internet, não creio que os jovens modernos se apercebam exactamente dessa aura mística, dessa sensação de poder, que era ludibriar a bilheteira, ou pedir a um pai para nos comprar um bilhete, ou qualquer outro estratagema necessário para conseguirmos ver um filme mais violento ou mais ousado num sentido artístico (como quem diz com pessoal sem roupa). E também nunca saberão a decepção de não o conseguir. Recordo-me que em 1998, com 13 anos de idade, eu e os meus amigos não conseguimos entrar para ver ‘Blade’. Bem que tentamos, mas a senhora da bilheteira foi peremptória. Talvez traumatizado por essa experiência, lembro-me de uns meses depois ter suplicado à minha mãe para ir comigo ao cinema para poder ver ‘The Thin Red Line’ de Malick. Lá estava eu, com 13 anos de idade, a ver um dos melhores e mais poderosos filmes de guerra de sempre. Adorei e fiquei fã de Mallick para a vida. Já a minha mãe detestou... Das vezes que consegui entrar para ver filmes para ‘maiores de idade’, esta foi sem dúvida a melhor experiência cinematográfica que tive.


Fazer a maratona Star Wars

Yup. Sou desses. Um belo dia (quando já não me recordo, mas tenho quase a certeza que foi em 2009) eu e os meus amigos nerd mais chegados finalmente decidimos fazer uma coisa que já há anos andávamos a ameaçar fazer mas nunca tínhamos dado o passo em frente: uma maratona Star Wars. O catalisador foi descobrirmos que tínhamos um colega que nunca tinha visto os filmes originais! Como é possível?! Nerd que é nerd não volta atrás na sua palavra e foi assim que fizemos uma mega sessão de cinema em minha casa. Apenas a trilogia original, claro está. Misturando-se pipocas de supermercado e umas pizzas encomendadas ao barulho, o resultado foram umas sete ou oito horas non-stop de epicidade galáctica na minha sala de estar. Extasiados, no fim prometemos uns aos outros que iríamos repetir a dose com a trilogia das prequelas. Mas nunca o fizemos, até hoje… Um dia certamente o faremos…


Ir ao cinema no estrangeiro

Se se não é crítico, jornalista, ou profissional de cinema, se se é um simples espectador anónimo, é a jóia da coroa. Para mim, está a começar a ser um vício sério. É uma maneira soberba de aliar o gosto do cinema à descoberta dos hábitos e da cultura de um povo. Já o fiz seis vezes; no Brasil, nos Estados Unidos, em Inglaterra, na Irlanda, na Escócia e por fim na Grécia. Está tudo relatado na minha crónica ‘O Clube dos Cinéfilos Viajantes - A volta ao Mundo em salas de cinema’.

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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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