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Maleficent

Ano: 2014

Realizador: Robert Stromberg

Actores principais: Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley

Duração: 97 min

Crítica: Imagine o leitor que daqui a 10 anos se faria um filme sobre a saga do ‘Senhor dos Anéis’, onde Frodo, o narrador, insinuaria varias vezes em voz off que a história que o público conhecia não era a verdadeira. Este filme, intitulado ‘Sauron’ mostrava como o vilão que conhecemos, o senhor do mal Sauron, era na realidade um pobre incompreendido, um ser bonzinho, e todas as suas acções tinham uma segunda interpretação que outras pessoas, essas sim maléficas ou incompetentes, não haviam deixado anteriormente transparecer para o público. Em ‘Sauron’ o verdadeiro vilão seria Aragon, e personagens como Gandalf seriam  uns estúpidos incompetentes que não sabiam nada do que estavam a fazer. No final, Frodo e Sauron viviam felizes para sempre como pai e filho, e as outras abéculas eram rapidamente esquecidas.

Pois bem, por incrível que possa parecer para o leitor que lê estas linhas, é precisamente isso que acontece em ‘Maleficent’ (em português ‘Maléfica’), o filme que este ano preenche o lugar cativo que a Walt Disney Pictures tem anualmente no Verão para lançar um blockbuster (o ano passado foi ‘The Lone Ranger’, crítica aqui). Pegando na história do clássico (e extraordinário) filme de animação de 1959 ‘A Bela Adormecida’, a Disney deu-lhe tantas voltas que realmente só faltava terem introduzido a Hannah Montana, aquele ratinho do Narnia e um anel para o pacote ter ficado completo. Mais uma vez (parece que me estou sempre a queixar disto) o filme fez milhões na bilheteira e só isto neste momento parece importar. Que destruam uma história clássica belíssima, que tratem como esterco uma das maiores obras cinematográficas de animação da história do Cinema, nada disso parece importar. Pois este é o primeiro filme que Angelina Jolie faz em 4 anos (o último já foi em 2010, o fiasco ‘The Tourist’), depois da sua famosa doença e operação, depois da sua popularidade ainda mais ter aumentado, e então o objectivo é filmá-la, nada mais, apenas filmá-la, exibi-la, e fazer tudo para que ela seja a heroína. Se era para isso, haveria um sem número de argumentos que a Disney poderia ter filmado. Angelina Jolie como Florence Nightingale! Angelina Jolie como Anne Frank! Angelina Jolie como Basil, o grande mestre dos detectives. Agora se é para fazer um filme em que Angelina Jolie é uma heroína, porquê escolher o papel de uma assumida vilã? ‘Maleficent’ é uma expressão artística egocêntrica de Jolie, onde as personagens são fracas e os actores são maus, somente para Jolie ser a mais bonita, a mais boa (em ambos os sentidos) e a indiscutível estrela. E o resto é conversa.

Sinceramente, no estado em que as coisas estão no Cinema actual, ir buscar inspiração ao cinema de animação nem parece assim tão má ideia, desde que a coisa seja feita como deve ser. Por um lado, a Disney não detém o monopólio das histórias clássicas de, por exemplo, Hans Christian Andersen, portanto quem quiser re-adaptar um conto está livre de o fazer sem dever nada ao filme da Disney (veja-se o fantástico trabalho de Miyazaki em ‘Ponyo’, adaptando a história da ‘Pequena Sereia’). Por outro, foi a própria Disney a provar que uma adaptação em imagem real de um dos seus próprios filmes de animação até poderia resultar num bom e interessante filme familiar. Lembro-me bem na minha pré-adolescência de ter visto mais do que uma vez o filme de 1996 ‘101 Dalmatians’, com Jeff Daniels e Glenn Cose, um filme com o típico selo das comédias românticas leves dos 1990s como por exemplo ‘The Parent Trap’ (1998), também da Disney. Aqui re-imaginou-se o filme clássico de animação, mas foi-se fiel ao conceito, à moral e à história. Ninguém decidiu transformar os dálmatas em dorbermans. Ninguém decidiu criar uma luta de espadas entre Cruela e Roger… Mas agora estamos na era de Avatar. Estamos na era pós Senhor dos Anéis, pós Narina, em que tudo o que é filme fantasioso tem que introduzir efeitos especiais à maluca, criaturas místicas e batalhas épicas, mesmo que descabidas. Abri a boca incrédulo quando vi o Mad Hatter de Johnny Depp empunhar uma espada e dirigir-se para o campo de batalha na adaptação de Tim Burton para a Disney de ‘Alice in Wonderland’  (2010). Não vi nem ‘Mirror Mirror’ (2012), da Disney, nem ‘Snow White and the Huntsman’ (2012), ambos adaptações da história da Branca de Neve, mas estou convencido que algo de semelhante se tenha passado. E se em ‘Alice in Wonderland’, o Mad Hatter de repente se transformava na personagem principal simplesmente porque Depp era o actor, em ‘Mirror Mirror’, a rainha também se torna bem mais importante que a Branca de Neve, só porque era interpretada por Julia Roberts. E são estas precisamente as duas grandes falhas de ‘Maleficent’; a sua focalização na estrela, na actriz principal, e a sua loucura desesperada de fazer encaixar o filme na categoria de filme fantasioso Twilight-, Harry Potter-, Narnia-, Senhor dos Aneizesco. Não há cá valores familiares. Não há cá um produto honesto e sincero. Só há lustro.

Primeiro deram o lugar de realizador a um génio de efeitos visuais / design de produção, mas que realiza um filme pela primeira vez. Robert Stromberg ganhou dois Óscares seguidos, em 2009 e 2010, pelo design de ‘Avatar’ e ‘Alice in Wonderland’, para além de ter outros grandes títulos no currículo, o que atesta ao seu génio visual. Mas isso não faz dele necessariamente um grande realizador. Aliás estou seguro que esta escolha foi mais que propositada. Era preciso alguém que percebesse de efeitos visuais mas não incomodasse muito. Isto porque a verdadeira realizadora do filme é Jolie. O nome dela aparece logo à cabeça dos créditos como ‘produtora executiva’, mas foi só ler revistas e reportagens nos últimos meses para perceber que Jolie teve uma palavra a dizer na escolha dos actores, na direcção do argumento, na re-transformação da sua personagem, e até na escolha de Lana del Rei para interpretar o tema principal do filme. Basicamente Jolie mandou no filme, e a Disney ficou plácida a assistir, acenando a cabeça de contente e a pensar nos milhões que iria arrecadar. Em termos de milhões foi bem jogado, o marketing foi genial (‘Mirror Mirror’ com Julia Roberts não teve uma milésima da atenção que este filme está a ter), mas o único que saiu perdedor nesta jogada foi o próprio filme.

Numa terra encantada há dois reinos, que vivem lado a lado, num misto de concórdia e discórdia, tal como nos diz a proverbial voz off enfadonha. Um, o clássico reino dos humanos que conhecemos de ‘Bela Adormecida’, governada pelo castelo do Rei no topo da colina. O outro, a floresta encantada, de criaturas místicas, onde Maléfica é, quando começa o filme, ainda uma jovem fada, a mais bonita, a mais poderosa e a mais ligada ao bem, à comunhão entre todas as criaturas e a natureza. Logo duas coisas chamam à atenção. A primeira é o enquadramento geográfico da história. O reino dos humanos é inexistente, ou melhor, resume-se ao castelo. Não se vê um único camponês, uma única aldeia, uma única casa. Ou vivem todos dentro do castelo ou então emigraram para França. Na realidade, na lógica do filme, só existe o castelo e a floresta encantada neste Mundo. Talvez seja esse o motivo da discórdia entre os humanos do castelo e as criaturas da floresta. Sentem-se sozinhos e querem pegar com alguém. A segunda é a estupidez pegada da personagem que em adulta é interpretada por Angelina Jolie. Estamos a falar de uma fada que é retratada, nos primeiros vinte minutos do filme, como uma espécie de Titânia de Sonho de um Noite de Verão misturada com a Neytiri de Avatar; a mais bela das fadas, a mais pura, a que resolve todos os conflitos com delicadeza e um sorriso. E o nome desta criatura perfeita é: Maléfica! Faz algum sentido, pergunto eu? A mulher podia chamar-se outra coisa qualquer, e ter mudado de nome quando tem a sua transformação, tal como Anakin fez em Star Wars. George Lucas teve o bom senso de não chamar Darth Vader ao miúdo no Episodio I! Mas o bom senso parece faltar neste filme. Outra coisa são os sotaques. As criaturas da floresta falam inglês de Inglaterra. As do reino dos humanos falam um misto de inglês da Escócia e inglês do País de Gales. Porquê este critério? Não me perguntem. Até porque toda a gente sabe que actores americanos a fazer sotaques ingleses é o caos. A única que ainda se safa é Jolie, pelo simples facto que não exagera no seu sotaque.

Ora bem, esta fada boazinha torna-se amiga de um miudinho humano, Stefen, que aparece de vez em quando na floresta sabe-se lá donde, e à medida que vão crescendo vão-se apaixonando. Nesta altura, já Jolie a está a interpretar Maléfica, embora seja 20 anos mais velha do que o papel requeria. Mas por um lado Stefen (em adulto interpretado por um pobrezinho Sharlto Copley) está a afastar-se pois tem ambições, segundo nos diz a voz off. Quais não sabemos, pois ele desaparece por meia hora, e quando volta já é o criado de quarto do Rei. Obviamente trabalha no castelo. Lá está. Não existe outro sítio. E este Rei, também por motivos só dele, decide invadir a floresta mágica para a ‘conquistar’. Lá está, sentia-se sozinho. E então, aquela batalha épica que se viu no trailer, que toda a gente esperava que fosse no final do filme, dá-se praticamente no início, com Maléfica e alguns Ents (ver Senhor dos Anéis) obviamente a aniquilarem os humanos e a impedirem-nos de invadir a floresta. Mas sem matar ninguém note-se (isto é um filme familiar e não se esqueçam, a Maléfica é boazinha). Aqui, e talvez só aqui, o realizador dá o ar da sua graça. E em comparação com este espectáculo, o clímax do filme é como se estivéssemos a disparar uma daquelas pistolas de brincar com uma rolha na ponta do cano.

Então o Rei, sedento de vingança, no leito da morte, declara que quem matar Maléfica ficará com a coroa. E eis que Stefen entra de novo em cena e usa o facto de Maléfica estar apaixonada por ele para a drogar. Mas como não a consegue matar (falta-lhe a coragem), corta-lhe só as asas. Isso é suficiente para três coisas. Primeiro os humanos ficarem saciados, ou seja, agora que têm as asas de Maléfica já não mais, até ao final do filme, mostram o desejo de invadir a floresta!!! Segundo para Stefen se tornar o Rei pouco depois. E terceiro para Maléfica ficar, supostamente, a vilã que nos recordamos da ‘Bela Adormecida’, a tal transformação em Darth Vader, que tem direito a música épica e um plano de câmara muito ponderado. Uuuuh.

Contudo, mais uma vez nada disto faz sentido, e um miúdo que nem 10 anos devia ter que estava sentado na minha fila no cinema topou a marosca tranquilamente. Depois de exibir uma série de truques de magia para formar o seu novo lar sombrio e envolver a floresta em escuridão, Maléfica transforma um raminho no seu famoso cajado. Então esse miúdo perguntou ao seu pai: “se ela faz isto porque é que não consegue voar ou fazer umas asas novas?”. Precisamente. Maléfica passa o resto do filme a fazer truques de magia. Transforma o seu corvo de estimação em qualquer criatura, incluindo um humano (um artifício para ter alguém com quem falar). Mas só se consegue deslocar andando. Poderia, com os mesmos poderes, penso eu de que, levitar um tronco, ou uma vassoura, e ir em cima dela. Se consegue transformar um corvo num dragão, porque não consegue transformar uma alface numas asas novas? Boa pergunta...

Para além do mais, por incrível que possa parecer (mais uma vez) Maléfica tem uma única atitude má em todo o filme. Num momento de sofrimento (porque ela não é má, lembre-se, e na realidade o amor da vida dela está a ter uma filha de outra mulher) lança a maldição que todos conhecemos no baptizado de Aurora. Para começar isto implica que pelo menos 9 meses passaram. Que estiveram todos a fazer durante este tempo? Não se sabe. Depois é notória a ligeira alteração em relação ao filme original. Se o leitor se recorda duas das pequenas fadas da floresta fazem os seus desejos a Aurora, que ela seja bela, que ela seja feliz. Quando a terceira vai fazer o seu desejo, Maléfica aparece e lança a maldição: aos 16 anos picará o dedo no fuso de uma roca e morrerá. Depois de Maléfica sair de cena, a terceira fada faz o seu desejo: Aurora não morrerá, apenas adormecerá até ser beijada pelo amor verdadeiro. Ora em ‘Maléfica’ é a própria Maléfica que revoga num espaço de segundos a sua maldição original, introduzindo a nuance do beijo. Fá-lo, mais uma vez, para a personagem ser retratada como ‘boazinha’ e o filme até se esquece que a terceira fada nunca chega a fazer o seu desejo…

A partir daqui, o filme torna-se num malabarismo de coisas sem sentido. Nunca o vemos, mas mais tarde vimos a saber, que o Rei guardou todas as rocas do reino numa sala do castelo, que nem sequer está fechada à chave. No filme de animação, Aurora é criada por umas fadas num chalé na floresta por dois motivos: para a esconder de Maléfica e para a proteger até ela ter 16 anos de idade. Neste filme, visto que Maléfica sabe desde o início onde Aurora está, e supostamente o castelo é o sitio mais seguro do reino, nunca se chega a entender o que é que Aurora vai fazer para o meio da floresta com as fadas, uma floresta que ainda por cima é controlada por Maléfica no enquadramento geográfico que descrevi em cima.

E como se isto não bastasse, as três fadas são as mulheres mais incompetentes e desastradas imaginárias. Escape cómico? Nada disso. Mais uma vez, é para Jolie ficar bem na fotografia. Pior, o filme dá-nos um dos seus grandes twists, é Maléfica que cuida de Aurora, e esta fica a achar que ela é a sua fada madrinha. As três fadas são tão desastradas que deixam o bébé a chorar de fome, que deixam a criança quase cair de um precipício. Uma vez após outra, é Maléfica que a salva (supostamente porque quer que ela chegue aos 16 anos), mas à medida que Aurora vai crescendo, Maléfica vai-se apegando a ela, ao ponto de ficarem as melhores amigas, e até de Maléfica tentar revogar a sua própria maldição, sem conseguir. Durante todo este tempo, nas dezenas de cenas na floresta em que a relação Maléfica-Aurora floresce (o suposto cerne emocional do filme) as fadas desaparecem de cena por mais de meia hora. É de supor que Aurora regresse todos os dias ao chalé. É de supor que as fadas lhe perguntem onde ela passou o dia. Mas não. Tanto quanto o público sabe neste ponto, Aurora vive na floresta com Maléfica. Os cortes desta existência idílica apenas existem para mos mostrar mais um incompetente, o príncipe encantado (que parece um tipo dos One Direction) e o Rei, que está no seu Castelo a lamuriar-se e a ficar cada vez mais psicótico, à espera do 16 aniversário e de Maléfica, preparando armamento e um exército. Porque espera por ela? Porque está tão seguro que ela virá ao castelo? Porque não ataca a floresta? Não sei.

E eis que o filme se dirige para o seu clímax, o dia do 16° aniversário de Aurora. Contar o que se passa seria estragar o filme para as poucas pessoas que após esta crítica ainda estão interessados em vê-lo. De dizer que não sei o que é mais ridículo, se a forma como Maléfica passa por entre as “épicas” (muitas aspas) defesas do Castelo, a andar e sem usar magia; se o facto de não ser ela que se transforma em dragão (não pode ser má nunca, lembre-se); se o facto de Aurora ficar a dormir talvez no total meio dia (como é que alguém fica com a alcunha de Bela Adormecida por dormir menos do que dorme de noite?!); se o facto de um individuo que no filme de animação nunca fez mal a ninguém ter que sofrer uma morte atroz (a clássica do vilão Disney); ou se o facto de não ser o beijo do paspalho príncipe encantado que acorda Aurora, pois o seu ‘amor verdadeiro’ é outro… E há ainda o pequeno pormenor das asas. Mais uma vez cito Star Wars. Obi-wan ganhou a Anakin porque estava num plano mais elevado. Parece ser a mesma coisa aqui. Maléfica tem os poderes mágicos que quiser. Mas em batalha, aparentemente, a coisa só resulta quando pode voar e colocar-se numa posição mais elevada.

Enfim, o filme tem tanta coisa estúpida que até me dói a cabeça a pensar nisso, por isso deixo o resto para os corajosos que querem ver o filme. No final, depois de salvar o dia, Jolie até tem direito a um ‘voar pelos céus’, com música de herói a condizer (a banda sonora é de James Newton Howard), como acontece por exemplo no final dos filmes de Super Homem ou de Homem Aranha. A mensagem é bem clara. Maléfica é a heroína. Maléfica é a tipa mais espectacular deste reino. Maléfica venceu o mal, salvou o dia. Maléfica é bonita, boa e inteligente. Vejam como ela voa pelos céus com um ar sereno e glorioso, pronta para lutar pela liberdade e pela justiça num novo amanhã… Todos os outros são uns tótós de meia tigela. E o castelo e a floresta, sob este seu olhar sereno, viverão em paz e harmonia. Até Aurora é relegada para segundo plano neste final egocêntrico.

Portanto, pergunto eu do alto da minha inocência, que moral é que isto dá? Que não há bruxas más? Que o mal que as pessoas fazem resulta muitas vezes de maus entendidos, ou de terem sofrido um mal anterior? Que a vingança é uma coisa boa desde que se se redima no final? Ok, esta mensagem até podia de certa forma resultar para as crianças, mas o problema é que a Disney a faz às custas de espezinhar as outras personagens todas. É um truque barato. ‘Maleficent’ é um bom filme para as crianças? Bem, tirando as óbvias inconsistências, que até as crianças notam (aquele miúdo que mencionei é prova disso), o filme tem uma história tão superficial, personagens tão finas, tamanha cor e belos efeitos visuais que até posso dizer que sim. Isto é, se estivermos a falar de crianças entre os 4 e os 7 anos. A partir daí já não sou da mesma opinião, porque para quem pensa o filme é uma trapalhada de tal ordem que se torna difícil de suportar. 

Claro que há outro público que poderá gostar de ‘Maleficent’; os adoradores de Jolie. Sinceramente, não me lembro de um filme de um grande estúdio tão centrado no culto de uma estrela de Hollywood desde a gloriosa era clássica dos anos 1920 até final da década de 1940. Mas é Jolie suficiente para salvar o filme? A resposta é não. E o motivo é muito simples. Todos conhecemos e adoramos ‘A Bela Adormecida’. Crescemos com ela. E é uma afronta agora, de repente, tentarem revolucionar as nossas memórias de criança. Já se fez um filme excelente sobre este tema. Porquê refazê-lo, ainda por cima de uma forma paradoxalmente mais infantil e simplória, quando a adaptação é supostamente mais ‘adulta’?! Os actores (tirando Jolie e as fadas: Lesley Manville, Juno Temple e a sempre impecável Imelda Staunton) são maus. O argumento é colado a cuspo, cheio de buracos. As personagens são finíssimas e entram e saem como é mais conveniente para o filme. Os eventos são incongruentes. Os efeitos visuais são desperdiçados em coisas que não contribuem para a história. O realizador aninhou-se a um canto, ofuscado pela luz de Jolie. Valências, neste enquadramento, o filme tem poucas.

Resumindo e concluindo, em termos de blockbusters de Verão da Walt Disney Pictures, ‘Maleficent’ é dos piores, senão o pior, de anos recentes. Não atrai. Não entretêm. É um culto de personalidade. Mas a personalidade errada, senão a actriz (quem não gosta de Jolie), pelo menos a personagem. Mas o filme não falha por isso. Maléfica até podia ser boa, dada uma boa justificação. A justificação não é boa, e por o não ser, o filme viu-se obrigado a deitar abaixo todos os outros eventos e todas as outras personagens. E isso, tendo o público a memória de ‘Bela Adormecida’ bem junto ao coração, é que foi um erro colossal.

1 comentários:

  1. Mike, partilhei o teu blog no fórum de cinema DVD Mania:

    http://www.dvdmania.co.pt/viewtopic.php?f=11&t=44713&start=165

    Estás oficialmente convidado a registares-te lá, e se também quiseres, a partilhar as tuas belas críticas no fórum.

    Eu gostei muito da tua crítica do "Runaway Train", e se calhar gostaria de discutir contigo as opiniões do realizador russo, que trabalhou nos dois sistemas de cinema, que eu já andei a ler em sites russos que traduzi. Eu tenho lá uma secção dedicada ao cinema soviético, que poderás gostar de ver.

    http://www.dvdmania.co.pt/viewtopic.php?f=11&t=46500

    Cumprimentos,

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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