Home » , , » Life Stinks

Life Stinks

Ano: 1991

Realizador: Mel Brooks

Actores principais: Mel Brooks, Lesley Ann Warren, Jeffrey Tambor

Duração: 92 min

Crítica: Extraída de uma crónica sobre a carreira de Mel Brooks que pode ser consultada aqui.

Todos os cómicos anseiam fazer o seu ‘filme sério’ e ser reconhecidos como grandes actores/autores, desde Chaplin (‘A Woman of Paris’ de 1923) a Jim Carrey (‘Truman Show’, ‘The Majestic’). Brooks, claro, não podia ser excepção. Na verdade, Brooks já fizera filmes sérios, e bons, mas apenas os produzira. A sua produtora Brooksfilms fez ‘Elephant Man’ de David Lynch, por exemplo (aliás Brooks é creditado como a pessoa que deu a primeira oportunidade num grande estúdio a Lynch). ‘Life Stinks’ é o que se pode aproximar de ‘filme sério’ com a mão directa de Brooks (realização e actuação). Apenas aproximar porque claro, não é na verdade um drama. É uma comédia, mas é uma comédia assente em pontos dramáticos muito claros, e que chega a ser tão pungente que rapidamente se passa do sorriso às lágrimas.

Brooks é um milionário que só tem olhos para o próximo negócio imobiliário. O filme abre com uma cena na empresa de Brooks, onde ele anseia (muito veementemente!) construir uma série de arranha-céus num local onde agora existe um bairro pobre e degrado. Ele apenas pensa nos milhões e não nas pessoas que vai desalojar. Eis que entra em cena o seu rival, que anseia pelos mesmos quarteirões. Numa disputa de cavalheiros, este engana Brooks com uma aposta. Se Brooks conseguir viver 1 mês, começando sem dinheiro, naquela zona da cidade, então os terrenos serão seus. Brooks aceita, desconhecendo o que é ser pobre e sem abrigo. Muito à semelhança de ‘Sullivan’s Travels’, o filme de Preston Sturges de 1941, Brooks entra num mundo, semi-cómico e por vezes pouco realista, da pobreza e dos sem-abrigo. Aí faz uma série de amigos, donde se destaca Lesley Ann Warren, que tem uma performance magistral. Claro que Brooks vai começar mal e acabar bem. Claro que no fim se vai arrepender e em vez de construir um arranha-céus vai construir um centro social. Claro que o vilão vai tentar que Brooks, sem dinheiro nem identificação, não volte a tomar conta do seu império, e um exército de sem abrigo se irá revoltar no fim do filme.

Mas também, menos claro, há cenas que tocam notas que ninguém esperava de Brooks, mas é o próprio que rapidamente as desfaz, talvez com medo que o filme perca o seu tom leve. Assim ocorrem antíteses. Vemos uma cena extremamente comovente em que um dos sem-abrigo morre de fome e frio numa noite mais dura, mas logo na a seguir, quando Brooks, Warren e mais um sem-abrigo tentam deitar as suas cinzas num esgoto (é o ‘mar’ mais próximo), atiram-nas contra o vento e, obviamente, ficam todos sujos. Brooks nunca deixa o dramático tomar conta. É o filme que fica a perder, na minha opinião. O resultado final nunca é tão cómico, nem nunca é tão dramático, por isso, superficialmente, o filme fica a saber a pouco. Contudo, surpreende-me a forma abrupta como este filme foi descartado e esquecido. Surpreende-me como Lesley Ann Warren não foi nomeada para Óscar de actriz secundária (já foi, mas não neste filme). A cena em que ela e Brooks dançam num armazém de roupa no qual entram para passar a noite é mágica, e recorda os velhos musicais dos anos 1930 com o Fred e a Ginger. ‘Life Stinks’ é o último grande filme de Brooks e, a par de ‘Twelve Chairs’, é um tesouro escondido.

0 comentários:

Enviar um comentário

Porque todos somos cinema, está na altura de dizer o que vos vai na gana (mas com jeitinho).

Vídeo do dia

Citação do dia

Top 10 Posts mais lidos de sempre

Com tecnologia do Blogger.

Read in your language

No facebook

Mais lido da semana

Grandes compositores. Grandes realizadores. Grandes bandas sonoras. Grandes filmes. – Maurice Jarre e David Lean

Há uns dias na crónica ‘Grandes compositores. Grandes realizadores. Grandes bandas sonoras. Grandes filmes – introdução a um ciclo de c...

Quem escreve

Quem escreve
Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

Visualizações

Seguidores Blogger

Seguidores Google+

 
Copyright © 2015 Eu Sou Cinema. Blogger Templates