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The Bank Dick

Ano: 1940

Realizador: Edward F. Cline

Actores Principais: W.C. Fields, Cora Witherspoon, Una Merkel

Duração: 72 min

Crítica: Não me vou esticar muito a falar sobre ‘The Bank Dick’ porque na realidade não há muito a dizer sobre o filme. É um daqueles filmes feito com baixas expectativas, que nunca aspirou ter qualquer tipo de qualidade cinematográfica ou até cómica (nem a tem!). Mas, mesmo assim, ‘The Bank Dick’ acaba por ser exactamente aquilo que pretendia ser; uma first feature (ou seja, os filmes mais curtos que passavam nas salas depois da curta-metragem e das notícias e antes do filme principal) de 70 minutos e de baixo orçamento, com o único intuito de ser um ‘veículo’ de exibição da popular persona cinematográfica de W.C. Fields.

É difícil descrever W.C. Fields a quem não o conhece. Tinha mais de 50 anos quando começou a fazer cinema mudo, e antes da sua morte em 1946 entrou numa série de comédias dos anos 1930 e 1940, sempre, ou quase sempre, fazendo do mesmo tipo de personagem: um gordo, lento, semi-bêbado e/ou sonolento, de temperamento azedo e mesquinho, mordaz e acutilante com as palavras, e geralmente a mandar vir com a mulher, os filhos ou basicamente com toda a gente que lhe aparece à frente. O seu aspecto físico, e a forma como arrasta o discurso, foi uma das claras inspirações para Mr. Magoo, a famosa personagem de desenhos animados. A diferença é que Fields não era míope, nem distraído, nem simpático. Era um chato da pior espécie, e daí provém toda a sua comédia.

Se o seu papel dramático mais conhecido (dos poucos que fez) foi na versão de 1935 do clássico ‘David Copperfield’ realizada por George Cukor (esteve para ser o feiticeiro de ‘Feiticeiro de Oz’ na versão de 1939, mas acabou por desistir do papel), as suas comédias mais populares que hoje são recordadas são ‘It’s a Gift’ (1934) e precisamente ‘The Bank Dick’ (1940).

‘The Bank Dick’ é realizado por Edward Cline, um homem nada estranho à comédia. 20 anos antes tinha co-dirigido uma série de curtas de Buster Keaton. Mas por um lado o humor de Fields é diametralmente oposto ao de Keaton. É um humor parado, de falas - a comédia de situação e de ‘partir tudo’ geralmente acontece aos outros, por intervenção (ou não) de Fields. Mas no caso deste filme, o humor visual é pouco e pobre, ou seja, não é assim tão engraçado quanto isso. Por outro lado, as linhas argumentais dos filmes têm de ser muito mais bem trabalhadas que as das curtas. E neste sentido, ‘The Bank Dick’ não tem uma pinga de história que se apresente. Esta é mais fina que uma folha de papel, é previsível e enfadonha, e consiste numa série de desculpas para mover Fields de uma situação cómica para a outra. A única coisa que vale neste filme, e a única coisa engraçada, é o próprio Fields (e é esse o objectivo, certo?). A comédia está na forma como ele é naturalmente, como anda e como fala. Como é só filmá-lo para isso acontecer, o filme perde pontos por não trabalhar o que se passa ao redor de Fields. Esta negligência não deixava de ser comum noutros cómicos da época, como os irmãos Marx, por exemplo (até Thalberg lhes ter convencido da necessidade das comédias terem histórias fortes…)

Basicamente, Fields encarna uma personagem - com o nome mais parvo da história do cinema, note-se (Henpecked Egbert Sousè) - a quem acontecem coisas sem que ele se aperceba (o que não o impede de gabar-se delas uma vez apercebendo-se, como se tivesse sido ideia sua). Fields torna-se um realizador de cinema por mero acaso. Do mesmo modo consegue travar um assalto a um banco. Depois vê-se envolvido num esquema de fraude, etc, etc.

Para o público de hoje, habituado a outras comédias, ‘The Bank Dick’ não é muito engraçado, mas creio que em 1940 o público se tenha divertido com estas situações simples. Na perspectiva de hoje em dia, ‘The Bank Dick’ vale como uma forma de entrar em contacto com o estilo de comédia de Fields, que eu tenho que admitir que é realmente engraçada, considerada isoladamente, especialmente na maneira como ele pronuncia as frases e na maneira como usa o corpo ao andar. Mas no contexto do filme, e da história, sabe a pouco. Tirando Fields, o resto é banal, e as outras personagens só existem para Fields ter alguém com quem mandar vir. 

Embora só tenha visto ‘It’s a Gift’ uma vez, creio que será um pouco mais completo que ‘The Bank Dick’. Mesmo assim, recomendo qualquer um destes filmes para quem nunca ouviu falar de W.C. Fields. É o melhor que a sua comédia atingiu… pelo menos no cinema.

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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