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Clint Eastwood... o músico

Clint. Clint Eastwood. Sem dúvida alguma, um dos maiores cineastas americanos ainda vivos, um dos maiores cineastas ainda em actividade. Que Clint é um grande realizador todos sabemos. Já nos anos 1980 os franceses lhe faziam homenagens, muito embora Hollywood só o tenha realmente considerado um autor nos anos 1990, porque um cowboy e um polícia durão não o poderiam ser, certo? Mas já no início da sua carreira de realizador, com obras como 'Play Misty for Me' (1971) ou o magnífico 'Breezy' (1973), Clint havia-se mostrado muito mais maduro que outros aclamados realizadores.

Agora que Clint é um grande actor é uma discussão um pouco mais polémica. Foi famosamente acusado durante a primeira metade da sua carreira (recordemos as duras críticas da acutilante crítica Pauline Kael durante a década de 1970) por ter pouca expressividade e pouco range emocional. Mas tal como com a sua veia de realizador, Clint manteve-se fiel à sua personalidade, à sua persona, e aos poucos foi-se entranhando no espectador, demonstrando a sua virilidade na saga Dirty Harry e outros policiais; a sua aura como o sucessor de John Wayne e James Stewart como o Espírito do Oeste em inúmeros westerns; o seu dom para a comédia em 'Every Which Way But Loose' (1978) e a sua sequela; a sua ambiguidade em obras como 'Tightrope' (1984); até chegarmos às suas grandes interpretações dramáticas: 'Unforgiven' (1992); 'The Bridges of Madison County' (1995); 'Million Dollar Baby' (2004) e o magnífico 'Gran Torino' (2008; para mim o filme mais underapreciated da sua carreira).


Mas há uma terceira veia no artista que é Clint Eastwood. É um grande produtor/realizador, tornou-se com o passar dos anos um grande actor, mas é também (e isto é algo que muitos desconhecem), um grande músico. A paixão de Clint Eastwood pela música, particularmente pelo country e o jazz, sempre foi evidente. É só recordar a sua filmografia para perceber que assim é. Por entre os policiais, por entre os westerns e por entre os dramas mais recentes, surgem filmes com uma grande sensibilidade musical, onde a música tem um lugar preponderante e onde é tratada menos como um adereço fílmico e mais como uma personagem, que pertence a um mundo próprio que Clint explora com a devoção de um fã mas a segurança de um mestre.

Recordemos aquela que eu chamo a sua trilogia da música americana: 'Honkytonk Man’ (1982), passado na década de 1930; 'Bird' (1988) passado nos anos 1940 e 1950 e uma carta de amor ao jazz; e 'Jersey Boys' (2014) (outra obra-prima injustamente pouco apreciada), passado nos anos 1960 e 1970. Recordemos que Clint, subtilmente e sem chamar a atenção para si próprio, passou a compor os temas principais de inúmeros dos seus filmes, principalmente depois de ter deixado de actuar. E recordemos os breves momentos em que Clint nos brindou com a sua voz de canto (alguns mais bem sucedidos que outros), desde o musical 'Paint Your Wagon' (1969) - sim, é verdade, Clint chegou a entrar num musical - até aos acordes de uma voz agastada pelo tempo em 'Gran Torino', onde Clint canta no genérico final depois da sua personagem, que genialmente representa todas a sua persona cinematográfica, ter falecido. São momentos de ouro.

E depois há aqueles segredos muito bem guardados que só os mais estudiosos saberão. Sabia, caro leitor, que Clint já compôs a banda sonora para um filme no qual nem actuou nem realizou? E sabia que nos longínquos anos 1960 Clint até chegou a lançar um álbum? Para descobrir estas e outras pérolas acompanhe-me numa viagem pela carreira de Clint Eastwood, não através das interpretações ou das obras que realizou, mas através da música; a sua música, a música que partilhou com os espectadores mas principalmente consigo mesmo, na sua longa longa carreira. Clint é um verdadeiro artista, um homem da renascença, e sempre irá continuar a ser. Pode não ser conhecido pelos seus contributos musicais à sétima arte, mas eles estão lá, prontos para ser descobertos ou re-descobertos. E a maior parte deles valem a pena o esforço. Vamos a isso? Prepare as colunas ou os auscultadores:


'Rawhide' (1959-1965) - intérprete
O primeiro grande sucesso de Clint como actor foi como o cowboy Rowdy Yates na série televisiva 'Rawhide'. Ao longo das suas aventuras, Clint foi o perfeito cowboy clássico, misturando charme e masculinidade, rebeldia e humor, e também, nalguns episódios, dando um passinho de canto, como neste:



Cowboy Favorites (1962) - intérprete
Enquanto vivia os seus primeiros anos de popularidade com 'Rawhide', Clint lançou um álbum em que canta baladas tranquilas ao estilo do velho Oeste. Anos mais tarde lançaria outros álbuns da sua autoria, mas sempre associados às bandas sonoras que compôs para os seus filmes. Isto torna este 'Cowboy Favorites' uma raridade incrível, que agradecemos à internet por nos dar a oportunidade de o ouvir a nosso bel-prazer. Delicie-se com este Clint de 32 anos, pré trilogia dos dólares, o galã cantor romântico do velho Oeste...



Paint Your Wagon (1969) - intérprete
'Paint Your Wagon' foi um dos últimos épicos musicais dos anos 1960. E o que se faz num musical? Lá está, canta-se. Clint interpreta, ao estilo de 'Cowboy Favorites', quatro canções: "I Still See Elisa", "I Talk To The Trees", "Best Things" e "Gold Fever". Incrível se pensarmos que dois anos depois seria Dirty Harry. O filme foi um épico fiasco de bilheteira mas temos de ser sinceros, a culpa não é inteiramente de Clint (é um filme fora de tempo em estilo, mas à frente do seu tempo em história). Uma pérola que muitos fãs de Clint nem sabem que existe, e que demonstra a sua versatilidade que por motivos de imagem cinematográfica infelizmente se perderia por demasiadas décadas...



Bronco Billy (1980) - intérprete
Durante a década de 1970, Clint consolidou a sua capacidade interpretativa e deu os seus primeiros grandes passos como realizador. A música ficou, momentaneamente, para segundo plano, provavelmente porque não se adequava à "seriedade" que queria atingir. Mas talvez o estrondoso sucesso de 'Every Which Way But Loose' (1978) o tenha convencido de que o público o aceitava numa veia, digamos, mais ligeira. Assim, em 'Bronco Billy', Clint regressa às canções, fazendo um dueto divertido com uma das lendas do country, Merle Haggard.



Any Which Way You Can (1980) - intérprete
Na mesma onda do tema anterior, "Beers to You" abre a sequela de 'Every Which Way But Loose' (1978). Desta vez Clint faz um dueto com um dos seus ídolos: Ray Charles. Outros tempos em que se podia ser assim, relaxado, divertido e mesmo assim fazer arte musical ao bom velho estilo americano. Beers to you, old amigo.



Honkytonk Man (1982) - a história da música americana, parte 1
O primeiro filme realizado por Clint a ter a música como uma autêntica personagem é uma odisseia pelo mundo do interior da América nos longínquos anos 1930. Como um dedicado cantor de honkytonk, Clint surge várias vezes a cantar, nomeadamente as canções "No Sweeter Cheater Than You", When I Sing About You" e a canção principal "Honkytonk Man". Clint convence como cantor? Completamente. E é a sua melhor interpretação deste género.



City Heat (1984) - compositor
Sinceramente, acho que 'City Heat', realizado por Richard Benjamin, é o pior filme da carreira de Clint. A ideia era boa, juntar os na altura dois actores mais rentáveis de Hollywood, Clint e Burt Reynolds, no mesmo filme. Mas a comédia de gangsters é morna e não tem tanta piada como acha. Aliás, não tem nenhuma... Clint compôs uma música para a banda sonora, "Montage Blues", que infelizmente não encontrei no youtube. Fica o trailer para o caro leitor saber o que está a perder (ou não).



Tightrope (1984) - compositor
'Tightrope' é um dos policiais mais interessantes e mais negros da carreira de Clint, no sentido em que a sua típica personagem de polícia se vai tornando cada vez mais ambígua e complexa à medida que a trama avança. Os suados ambientes noir são perfeitos para o jazz e Clint, naturalmente, compôs "Amanda's Theme" para o filme. Anos mais tarde, no seu concerto Eastwood After Hours, tocaria o tema do filme com uma grande orquestra.



Heartbreak Ridge (1986) - compositor
"How Much I Care", co-escrita por Clint Sammy Cahn e interpretada por Jill Hollier, é uma das primeiras canções ao estilo smooth jazz que Clint comporia para os seus filmes. Neste caso, a música não se adequa propriamente ao leve drama militar 'Heartbreak Ridge', a não ser para ser ouvida na rádio ou no genérico final e simbolizar algo rebuscadamente a humanidade despreocupada e a fé nostálgica dos soldados. Mas nos anos 1980 muitas músicas eram produtos (quase) totalmente à partes dos filmes em que estavam, por isso...



Bird (1988) - a história da música americana, parte 2
Em 'Bird' Clint nem canta nem compõe canções, mas continua a odisseia musical que havia começado com 'Honkytonk Man', ao mesmo tempo que faz finalmente um filme sobre a sua grande paixão: o jazz. A vida de Charlie Parker durante as décadas de 1940 e 1950 deu a Clint o Globo de Ouro de Melhor Realizador, e o filme ganhou também um Óscar (Melhor Som) e esteve nomeado para a Palma de Ouro, com Whitaker a vencer Melhor Actor em Cannes.



Unforgiven (1992) - compositor
Com 'Unforgiven', o seu último western, Clint não só se despediu do género com um filme extraordinário vencedor de 4 Óscares (incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador), como atingiu a sua maioridade como compositor de bandas sonoras instrumentais. O grande tema de filme, "Claudia's Theme", é da sua autoria, com o resto da banda sonora creditada a Lennie Niehaus, o seu frequente colaborador desde os anos 1970. Seria um padrão que se repetiria ao longo desta década, mas não há dúvidas nenhumas que "Claudia's Theme" é o melhor tema que Clint já escreveu.



A Perfect World (1993) - compositor
Para 'A Perfect World', o seu acutilante road-movie em que um criminoso forma uma relação de amizade com um rapaz que rapta, Clint escreve mais um tema ao estilo country: "Big Fran's Baby". O resto da banda sonora está creditada a Lennie Niehaus.



The Bridges of Madison County (1995) - compositor 
Mais um grande filme de Clint. Mais uma grande interpretação de Meryl Streep (a sua única colaboração). Mais uma banda sonora de Lennie Niehaus com o tema principal, "Doe Eyes (Love Theme from 'The Bridges Of Madison County')", a ser composto por Clint. É um tema, tal como "Claudia's Theme" que demonstra o lirismo da sua arte, a sensibilidade do seu cinema, e a essência do seu génio.



Absolute Power (1997) - compositor
Musicalmente, a fórmula repete-se. Uma banda sonora de Lennie Niehaus com Clint a ser responsável por duas composições, "Power Waltz" e o emocional "Kate's Theme" (a personagem de Laura Linney). É um tema sinfónico bem ao estilo dos anos 1990, mas é tão interessante como os melhores.



True Crime (1999) - compositor 
Para 'True Crime', Clint compôs a música "Why Should I Care", que ganhou vida com uma letra de Carole Bayer-Sager e Linda Thompson, e a voz de Diana Krall. Depois de ter trabalhado com as grandes vozes do passado, Clint colabora com as grandes vozes do presente. E estas não se importam nada de se associar aos seus projectos.



Space Cowboys (2000) - compositor
O engraçado e dinâmico 'Space Cowboys' é também um filme que encontra alguma sensibilidade pelo caminho, sensibilidade essa que é enfatizada pelo tema "Espacio" da autoria de Clint, no mesmo comprimento de onda das suas composições sinfónicas anteriores. O resto da banda sonora ficou a cargo de Niehaus.



Mystic River (2003) - compositor 
'Mystic River' assinala um marco na carreira musical de Clint. É o primeiro filme em que surge creditado isoladamente como o compositor, uma prática que manteria em quase todos os seus filmes da década de 2000. Já com 73 anos é incrível que Clint tenha dado este ousado passo, mas o facto de ter deixado maioritariamente de actuar (só esteve até hoje mais três vezes à frente das câmaras) pode tê-lo deixado mais livre para perseguir as suas ambições musicais. O soberbo 'Mystic River' foi o seu primeiro teste de fogo. A banda sonora não é tão boa como o filme, mas sustêm-no adequadamente.



Million Dollar Baby (2004) - compositor
Por 'Million Dollar Baby' Clint voltou a ganhar o Óscar de Melhor Filme e o de Melhor Realizador. Mas tal como em 1992, perdeu o Óscar de Melhor Actor e nem sequer foi nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora, que compôs sozinho. Parece-me preconceito. Os seus temas acompanham com descrição e subtileza a cadência emocional do filme. Já muitos foram nomeados (e até ganharam) que não conseguiram fazer o mesmo.



Flags of Our Fathers (2006) - compositor
Se em 'Letters from Iwo Jima' Clint deu as rédeas da composição ao seu filho Kyle (um músico de jazz - what else?), compôs ele próprio a banda sonora para o filme irmão - 'Flags of Our Fathers'. É uma partitura com uma maior ousadia orquestral relativamente às anteriores, para incluir sonoridades de heroísmo militar, embora mantenha a circularidade jazzística do seu estilo.



Grace Is Gone (2007) - compositor
'Grace is Gone' constitui um marco até hoje não repetido na carreira de Clint. Não produziu, não realizou, não actuou. Compôs, simplesmente, a banda sonora. Não sei bem como é que o realizador estreante Jim Strouse o conseguiu, logo no seu filme de estreia. Mas conseguiu-o e portanto fica um pequeno pedaço de história...



Changeling (2008) - compositor
Em 'Changeling' Clint assumiu mais uma vez a composição da banda sonora, parecendo ser, neste caso em particular, um pouco mais focado melodicamente. Nunca achei este filme nada de especial, pelo que sempre me indignei que tenha sido este o filme de Clint de 2008 a ir aos Óscares e a receber atenção mediática, quando no mesmo ano o senhor fez o filme que irei falar já em seguida...



Gran Torino (2008) - compositor e intérprete
'Gran Torino'. O genial 'Gran Torino'. Um dos melhores filmes da carreira de Clint que por qualquer motivo paradoxal foi lançado em Janeiro na América e alguns meses depois na Europa - a época morta dos filmes que tentam ter nomeações para os Óscares e não conseguem (teve zero!). Inacreditável sendo esta uma fantástica despedida de Clint da sua própria persona cinematográfica. E desse modo, faz todo o sentido que no genérico final Clint cante com a sua voz agora grossa e arranhada como se cantasse a partir do além, antes de Jamie Cullum prosseguir. "So tenderly, your story is nothing more than what you see or what you've done or will become". A despedida perfeita. Por isso nunca iremos realmente perdoar a Clint ter entrado em 'Trouble with the Curve' (2012), o seu último trabalho com actor até hoje. De certa forma arruína a aura de 'Gran Torino' e desta música...



Invictus (2009) - compositor
A partir de 'Invictus' Clint só fez um filme que não retrata a odisseia de uma personagem real ('Hereafter'). Neste filme inspiracional sobre Nelson Mandela e o Campeonato do Mundo de Rugby de 1995, Clint co-compõe com Michael Stevens a canção "9,000 Days" (o número de dias em que Mandela esteve preso) que é interpretada por Overtone e Yollandi Nortjie. O resto da banda sonora ficou a cargo do seu filho Kyle e de Michael Stevens.



Hereafter (2010) - compositor
Um filme diferente de Clint, que chega a ter os seus momentos de interesse mas que nunca consegue realmente desabrochar em pleno, 'Hereafter' possui mais uma banda sonora assinada pelo velho mestre. Pausada e lírica, como o filme. Visto que o youtube não tem as músicas, fica o trailer.



J. Edgar (2011) - compositor
Talvez o meu menos favorito filme de Clint das últimas décadas. 'J. Edgar' possui mais uma banda sonora assinada por ele. O piano inicial soa vagamente familiar e a verdade é que, tal como o filme, já vimos Clint fazer melhor, embora isso não signifique que ambos (filme e banda sonora) não tenham o seu típico selo de classe.



Jersey Boys (2014) - a história da música americana, parte 3
Depois de 'Honlytonk Man' e 'Bird', este é o terceiro filme de Clint sobre a essência da música e os homens que a criam. 'Jersey Boys', baseado no massivo sucesso da Broadway, é uma fantástica e sentida homenagem aos Four Seasons, um musical como já não se via em Hollywood há muitos, muitos anos. Clint sabe realizar musicais? Claro que sabe. É o único da sua carreira de realizador, mas valeu a pena a espera. É mais um dos seus filmes que merecia muito mais atenção do que aquela que obteve. Por amor de Deus, 'Chicago' ganhou o Óscar de Melhor Filme...



American Sniper (2014) - compositor
Para 'American Sniper', Clint compõs o tema de Taya, a esposa do sniper Americano interpretada por Sienna Miller. Um tema simples e doce, mas ao mesmo tempo nostálgico e pungente. Há muitos, muitos anos que Clint nos habituou a esse charme discreto.



Sully (2016) - compositor
Por fim, recentemente Clint deixou a banda sonora de 'Sully' a cargo de Christian Jacob e da Tierney Sutton Band. Mas não podia não intervir musicalmente no filme. Daí ter ajudado Tierney Sutton a compor o tema "Flying Home", cantado em ritmo smooth jazz pela própria. E temos a certeza que ainda não se ficará por aqui... Se Clint continuar a fazer filmes (e continuará), irá continuar a fazer música. E nós continuaremos a ouvir...


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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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