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Speed

Ano: 1994

Realizador: Jan de Bont

Actores principais: Keanu Reeves, Dennis Hopper, Sandra Bullock

Duração: 116 min

Crítica: Muito simplesmente, ‘Speed’ (em português ‘Perigo a Alta Velocidade’) é um dos melhores filmes de acção, senão o melhor, da melhor década de sempre deste género de filmes: os anos 1990.

Claro que ainda há bons filmes de acção hoje em dia, principalmente aqueles que são feitos num estilo old school (vejam-se os trabalhos de Tom Cruise ou Liam Neeson). Mas no geral o cinema de acção tem estado inevitavelmente condicionado pela massificação da tecnologia digital e por realizadores que acham que montagens frenéticas, muitas explosões e contextos semi-apocalípticos são suficientes para gerar adrenalina e emoções fortes. Não são. A capacidade de se conseguir conceber qualquer sequência com a ajuda de um computador e um bluescreen fez com que os filmes de acção modernos perdessem aquela ponta de realismo duro que os tornava tão excitantes. 

Era isso que distinguia os grandes filmes de acção dos anos 1990, meros anos antes da revolução digital. O comercialismo e a despreocupação inerente à época eram propícios à criação destes épicos urbanos onde nunca ninguém se levava totalmente a sério (o que não implicava que os filmes não tivessem intensidade – tinham!), mas onde a adrenalina da aventura sempre foi muito mais importante que a sua dimensão. Não eram precisas sequências com visuais maiores que a vida mas inevitavelmente artificiais. Era apenas preciso uma banda sonora sinfónica vibrante e pôr a câmara junto ao herói, no meio da acção, fosse numa frenética perseguição automóvel ou num combate explosivo. E funcionava. Funcionava perfeitamente. 

"Muito simplesmente, ‘Speed’ é um dos melhores filmes de acção, senão o melhor, da melhor década de sempre deste género de filmes: os anos 1990. (...) Tem obviamente a fachada de um filme comercial, mas a sua superficialidade e linearidade são totalmente enganadoras. Aqui está uma obra prima de verdadeiro CINEMA."

Nada disto, obviamente, surgiu por acaso. A história do cinema lentamente foi-se construindo até este ponto, primeiro com os filmes de espionagem dos anos 1960 (o revolucionário James Bond); depois com os filmes de polícias dos anos 1970, que mergulharam na nudez selvagem das ruas americanas (‘The French Connection, 1971; ‘Dirty Harry’, 1971); e por fim com a chegada dos grandes heróis másculos dos anos 1980. Schwarzenegger, Stallone, Willis, Mel Gibson e as suas respectivas franchises revolucionaram o género dando-lhe testosterona de sobra mas também uma ponta de ironia cómica, ao mesmo tempo que séries icónicas como ‘Miami Vice’ (1984-1990) tornaram a acção mais realista, intensa e gutural.

De repente, o cinema de acção explodiu como nunca antes se tinha visto. Foi a era dourada em que realizadores como Renny Harlin, James Cameron, John McTiernan, Michael Bay, Wolfgang Petersen, Michael Mann ou Clint Eastwood (na sua faceta realizador-de-acção) dominaram Hollywood por um breve momento no tempo. Foi a era dos melhores filmes de acção de sempre como ‘Die Hard’ (1988), ‘The Rock’ (1996) ou ‘Terminator 2: Judgment Day’ (1991). E no meio de toda esta frenética produção, de todos estes heróis, de todos estes filmes cada vez mais explosivos, cómicos e comerciais, surgiu ‘Speed’, o melhor entre os melhores.

‘Speed’ iniciou a sua vida como um argumento Graham Yost e Joss Whedon (hoje realizador dos filmes dos Vingadores da Marvel). Vários realizadores como Renny Harlin ou Quentin Tarantino foram convidados até que a produção chegou às mãos de John McTiernan, que estava no topo da sua profissão depois de ter realizado ‘Die Hard’ (1988) e ‘The Hunt for Red October’ (1990). Mas quando McTiernan desistiu do projecto, foi o seu director de fotografia recorrente, o holandês Jan De Bont (que também havia fotografado ‘Basic Instinct’, 1992, ou ‘Lethal Weapon 3’, 1992) que teve a oportunidade de realizar pela primeira vez. A sua carreira subsequente como realizador só teria mais quatro obras; a sequela ‘Speed 2: Cruise Control’ (1997), ‘Twister’ (1996), ‘The Haunting’ (1999) e ‘Lara Croft Tomb Raider: The Cradle of Life’ (2003), nenhuma delas realmente fazendo jus à reputação que obteve com a sua obra de estreia. Mas mesmo que não tivesse feito mais nenhum filme, De Bont já tinha cravado para si próprio um lugar inolvidável na história do cinema. Do cinema de acção certamente. Mas também do Cinema.

"Claro que ‘Speed’ satisfaz completamente ao nível mais básico do entretenimento. São 2h em que o espectador está totalmente agarrado à cadeira numa montanha russa de emoções fortes. Mas há outro nível que não pode ser descartado. O filme é um extraordinário exercício visual, é pura poesia em movimento. São as imagens, e a forma como se encadeiam numa soberba montagem que constituem o cerne de obra, muito mais que os diálogos ou as actuações."

Não nos desenganemos. ‘Speed’ tem obviamente a fachada de um filme comercial, mas a sua superficialidade e linearidade são totalmente enganadoras. Aqui está uma obra prima de verdadeiro CINEMA. Eu sei que muitos críticos desconsideram o cinema de acção (como aliás outros géneros como o musical ou a comédia), e portanto nunca conseguem olhar para estes filmes sem preconceito. Claro que ‘Speed’ satisfaz completamente ao nível mais básico do entretenimento. São duas horas em que o espectador está totalmente agarrado à cadeira numa montanha russa de emoções fortes. Mas há outro nível que não pode ser descartado. O filme é um extraordinário exercício visual, é pura poesia em movimento. São as imagens, e a forma como se encadeiam numa soberba montagem que constituem o cerne de obra, muito mais que os diálogos ou as actuações. E não é essa qualidade, a de contar uma história só por imagens, que constitui a essência do cinema? Óbvio que é. E muitos poucos filmes modernos comerciais de Hollywood, especialmente de acção, alguma vez conseguiram fazer o mesmo.

Tomemos o genérico de abertura. Eu geralmente critico os filmes actuais por não terem genérico, e o caso de ‘Speed’ é um bom exemplo de porque é que não deveriam ter deixado de existir. Mais simples não podia ser. A câmara desliza por um poço de um elevador durante quase dois minutos. Obviamente, estamos a ver a maquete de um andar vezes e vezes sem conta mas não é isso que é importante. Esta descida, acompanhada pela intensa e excitante banda sonora de Mark Mancina e pelos fabulosos efeitos sonoros vencedores de um Óscar, cria um enorme estado de tensão no espectador. Sentimos perfeitamente que nos estamos a encaminhar para qualquer coisa excitante que está prestes a explodir no ecrã, um efeito análogo ao do genérico de ‘Psycho’ (1960). E não estamos a ver mais nada a não ser um poço de um elevador. É tudo som e imagem. É tudo cinema.

E a partir desse momento, em que vemos o vilão interpretado por Dennis Hopper a matar a sangue frio um segurança que está no seu caminho, o filme faz jus ao seu nome e a velocidade impera até que rolam os créditos finais. De Bont não dará mais descanso ao espectador. E este só tem que se sentar na cadeira e desfrutar.

O argumento é, como disse, de uma linearidade enganadora. Hopper interpreta Howard Payne, um bombista que tudo o que quer é juntar uns bons milhões de dólares à sua conta bancária. Nada de novo. E a interpretação de Hopper é mais um lugar comum a roçar o caricato do que propriamente ameaçadora. Ao longo do filme ele vai repetir as suas frases feitas vezes e vezes sem conta num ciclo fechado que só não se torna enervante porque o filme nunca irá insistir, e bem, nesse ponto. Tudo o que o filme precisa é de um vilão para despoletar a “velocidade” inerente à acção e o papel de Hopper começa e termina aí. A diferença é que ele, e o filme, sabem isso perfeitamente, por isso nunca exploram a situação com o usual dramatismo excessivo que neste contexto seria totalmente oco. O claro desfrute que Hopper tem do papel (não em demasia mas quanto baste) é muito mais eficaz para os propósitos desta fantasia de acção.

"Não foi o papel que fez de Reeves uma estrela, mas foi o papel que fez dele uma super-estrela e o tornou num herói de acção (...). Não é que demonstre um muito maior leque de emoções, ou uma maior capacidade dramática, do que aquela que já tinha demonstrado anteriormente. Mas a sua presença; a forma como se move e o seu ar entre o intenso e o incrédulo, ajustam-se perfeitamente à personagem e aos eventos."

Na sequência inicial Payne armadilhou um elevador de um grande arranha céus. Se não lhe pagarem o que ele quer dentro de uma hora, ele irá fazer explodir os cabos e uma dezena de pessoas morrerá. Mas Payne não conta com a presença dos polícias Harry (Jeff Daniels) e principalmente o irreverente Jack interpretado por Keanu Reeves. Não foi o papel que fez dele uma estrela (‘Point Break’, 1991, tinha tratado disso), mas foi o papel que fez dele uma super-estrela e o tornou num herói de acção (dificilmente teria feito ‘The Matrix’ sem este filme). Não é que Reeves demonstre um muito maior leque de emoções, ou uma maior capacidade dramática, do que aquela que já tinha demonstrado anteriormente. Mas a sua presença; a forma como se move e o seu ar entre o intenso e o incrédulo, ajustam-se perfeitamente à personagem e aos eventos. É de supor que Bruce Willis ou Stallone teriam feito uma festa muito mais explosiva com este papel. Mas não teriam esta rebeldia e esta subtileza, talvez não propositada mas inata, que Reeves tem. De novo, todas as peças encaixam no lugar.

Num ritmo excitante, Harry e Jack conseguem salvar todos os ocupantes do elevador antes da bomba explodir, e há um primeiro tête-à-tête com Payne, mas este consegue fugir. Logo a seguir, após umas breves cenas mais pausadas (nem digo íntimas) para tomar fôlego, o filme volta à carga. Desta vez Payne pôs uma bomba num autocarro. Quando o autocarro ultrapassar os 80 km/h a bomba activar-se-á, mas no momento em que abrandar abaixo dessa velocidade explodirá. E é isto. É um plano algo rebuscado, feito mais em prol da espectacularidade do filme do que de qualquer lógica realista (que bombista se lembraria disso?) mas não nos importamos. Porque isso permite que a velocidade continue a imperar, numa longa sequência de perseguição que se distingue de todas as sequências de perseguição da história do cinema de acção porque em vez de haver dois elementos, o perseguidor e o perseguido, só há um. E por qualquer motivo, isso só a torna ainda mais excitante. 

Jack irá conseguir entrar no autocarro em movimento (em mais uma manobra espectacular) e por lá permanecerá, tentando desmantelar a bomba, desviar o autocarro das inúmeras coisas que o podem fazer abrandar (de engarrafamentos a becos sem saída a uma ponte inacabada…) e gerir os receios dos passageiros. Uma das coisas que ainda mais distingue ‘Speed’ dos outros filmes de acção é que não há qualquer necessidade em estabelecer enquadramentos para as personagens. Em qualquer outro filme de acção teríamos cenas iniciais mais íntimas a introduzir-nos Jack ou Payne e frases ocas a contextualizar eventuais vítimas para criar um forçado contexto melodramático (ainda a semana passada vi isso de sobra em ‘The Last Jedi’). ‘Speed’ evita tudo isso subtilmente, introduzindo as personagens pelo caminho. Ao longo da aventura vamos assistindo a um pormenor aqui e a ali, num movimento, numa frase de diálogo, que nos permitem saber tudo o que precisamos sobre elas. Mais seria mostrar as óbvias fragilidades do argumento a nível emocional. Como está, o filme encontra uma maneira de se livrar desse handicap com classe.

"Uma das coisas que ainda mais distingue ‘Speed’ dos outros filmes de acção é que não há qualquer necessidade em estabelecer enquadramentos para as personagens. (...) Ao longo da aventura vamos assistindo a um pormenor aqui e a ali (...) que nos permite saber tudo o que precisamos sobre elas. Mais seria mostrar as óbvias fragilidades do argumento a nível emocional. Como está, o filme encontra uma maneira de se livrar desse handicap com classe."

Desta forma o micro-cosmos dentro do autocarro, que em qualquer outro filme de acção teria que ser morosamente estabelecido, permanece um simpático e discreto plano de fundo. E é assim que deve ser. O que interessa é que este conjunto heterogéneo de pessoas (o turista, o trabalhador da construção civil, o pequeno criminoso) estão presos no autocarro a alta velocidade. Não interessa realmente quem são ou quais as suas histórias de vida. Não interessa aos polícias. Não interessa ao vilão. E não interessa aos espectadores do filme. Só interessam as atitudes que têm perante este cenário específico e se se vão salvar ou não. Tudo o resto seria supérfluo, mas há poucos filmes de acção que entendem isso tão bem como ‘Speed’.

O único destaque tem de ser obviamente dado a Annie, a passageira que, quando o motorista é alvejado, toma o volante do autocarro e fica a conduzi-lo até ao final. Embora no ano anterior tivesse entrado em ‘Demolition Man’ ao lado de Stallone, este foi realmente o papel que tornou Sandra Bullock uma actriz de topo em Hollywood. Não é que, tal como Reeeves, tenha um papel muito exigente. É basicamente reactivo às situações, envolvendo muitos gritos nervosos e muitos momentos de ansiedade. Mas é uma personagem que Bullock torna credível e natural, e que tem uma presença apelativa sem ser abertamente sexy (outra coisa que neste contexto seria supérflua). Não é bem uma heroína de acção nem é bem o tipo de “bimbas” que pontilha este género de filmes. É algo algures no meio que tem um je ne sais quoi que nos faz recordar dela no final. Agora química com Reeves será sempre pouca, mas disso já estávamos mais ou menos à espera… (seria bem melhor na sua segunda parceria em ‘The Lake House, 2006’).

Esta é talvez a primeira grande falha do filme, embora seja uma de que não nos deveríamos queixar. A personagem principal é basicamente o autocarro e o filme salta de cena excitante em cena excitante sem nunca abrandar o seu ritmo. Jack é um polícia cheio de recursos que fica na retina como qualquer outro grande herói de acção; Annie é um contraponto feminino resiliente que tem um charme discreto; e Payne é um vilão intenso mas consciente da sua previsibilidade. Mas nenhum tira o protagonismo ao autocarro o que poderá ser um turn off para quem procura algo mais substancial neste tipo de obras. Eu por minha parte acho que o brilhantismo técnico do filme, e a capacidade que tem de embalar o espectador num maná de entretenimento explosivo são suficientes para compensar essa falha, até porque, não me canso de repetir, não há muitos filmes melhores que ‘Speed’ em toda a história do cinema que tenham tanta categoria nesse departamento.

"Claro que é tudo demasiado conveniente (...). Claro que há coisas demasiado incredíveis (...). E claro que a unidimensionalidade impera nas personagens. Mas todos estes elementos são um pouco irrelevantes (...) Tomamos essas falhas como parte inerente do seu charme de ‘filme-de-acção-dos-anos-1990’ (...) O filme nunca perdeu até hoje uma grama da sua adrenalina, da sua veia excitante e da sua capacidade de prender o espectador à cadeira."

Mas é por esses motivos também que considero que foi mal jogado (a segunda grande falha) terem decidido criar um último acto num ambiente diferente, nomeadamente num metro subterrâneo. Supostamente, os produtores mostraram preocupação por o filme se passar quase inteiramente num autocarro e por isso pediram que se variasse um bocadinho no final para que os espectadores não ficassem enfadados. Mas que grande parvoíce. A beleza de ‘Speed’ reside precisamente na forma como o autocarro é o centro e tudo o resto (a construção das personagens e da acção) parte daí. A primeira sequência no elevador servia o mesmo propósito que as sequências pré-créditos nos filmes de James Bond; um test-drive para o filme, uma mini-aventura para nos pôr a oscilar no mesmo cumprimento de onda da acção que está para vir. Agora quem é que já viu uma sequência pré-créditos no final de um filme? Até porque a mudança é praticamente irrelevante. Passa-se quase o mesmo, mas num metro a alta velocidade em vez de num autocarro a alta-velocidade. E visto que é aqui que herói e vilão se reencontram cara a cara para o showdown final, é um pouco uma pena que esse showdown não ocorra no cenário que é a alma e a energia de todo o filme: o autocarro. Encontrarem-se no metro diz muito menos ao espectador, porque é apenas um conhecimento de circunstância. A batida do nosso coração estava ligada ao velocímetro do autocarro. Não está de todo ligado a este metro descarrilado, que nos é imposto forçadamente no final.

Como crítico, é a minha obrigação discutir estes e outros pontos. Claro que é tudo demasiado conveniente, do plano do vilão à fortuita presença de Jack no sítio certo à hora certa. Claro que há coisas demasiado incredíveis (aquele salto do autocarro pelo buraco na autoestrada…). E claro que a unidimensionalidade impera nas personagens. Mas todos estes elementos são um pouco irrelevantes para a apreciação global do filme e do seu desfrute, mesmo após repetidas visualizações. Tomamos essas falhas como parte inerente do seu charme de ‘filme-de-acção-dos-anos-1990’. Há muitos anos que sou o detentor da edição definitiva de dois discos em DVD e sempre que o revejo é com prazer que descubro que o filme nunca perdeu até hoje uma grama da sua adrenalina, da sua veia excitante e da sua capacidade de prender o espectador à cadeira. E é isso que torna este filme de De Bont tão especial e tão memorável. 

"‘Speed’ é um filme para o espectador que adora jogar com as suas emoções mais basilares (...) usando só uma câmara e uma grande equipa de duplos. Por mais que o digital evolua no século XXI, nunca irá conseguir rivalizar com o acutilante realismo em bruto, tão enganadoramente simples, que ‘Speed’ possui. É adrenalina em estado fílmico, sem filtros, sem adoçantes artificiais. O filme é o que é através de puro cinema. E mais nada."

‘Speed’ ganhou dois Óscares da praxe, nas categorias técnicas de Melhor Som e Melhores Efeitos Sonoros, mas poderia ter ganho muitos mais se não houvesse um preconceito tão grande perante os filmes de acção. Para aqueles com abertura de espírito suficiente, é a prova de que um filme deste género pode ser uma obra de arte sem deixar de seguir as regras do convencionalismo comercial. Não precisa nem quer ser forçadamente artístico, evitando introduzir por exemplo belos planos baléticos em slow motion. Não precisa nem quer ser artificialmente dramático, evitando ocas histórias de base ou momentos baixos para puxar à lágrima. ‘Speed’ recusa ser um filme para os críticos quando até poderia encontrar facilmente formas de o ser. ‘Speed’ é um filme para o espectador que adora jogar com as suas emoções mais basilares. Por isso nunca será datado. Porque essas emoções nuas e cruas do âmago dos seres humanos não cambiam com as modas e a tecnologia. ‘Speed’ sempre funcionará nesse plano gutural. E se pelo caminho excita e entretém como poucos então tanto melhor.

A influência directa ‘Speed’ no género de acção é gigantesca, mas hoje é mais difícil de discernir. Os realizadores actuais não o deviam esquecer. Deviam usá-lo como uma bíblia para perceber o quão simples é criar uma obra imortal só com uma câmara e uma grande equipa de duplos. Por mais que o digital evolua no século XXI, nunca irá conseguir rivalizar com o acutilante realismo em bruto, tão enganadoramente simples, que ‘Speed’ possui. É adrenalina em estado fílmico, sem filtros, sem adoçantes artificiais. O filme é o que é através de puro cinema. E mais nada.

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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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