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Top 10 - Actores e Actrizes que atingiram a imortalidade entrando apenas num único filme em toda a sua carreira

Muitos aspirantes a actores, ou maus actores, ou extras entraram em apenas uma única obra cinematográfica em toda a sua carreira. É normal. Um amigo levou-os para o plateau nesse dia e portanto ficaram creditados como a “pessoa no restaurante”. Ou depois de lutaram por uma grande oportunidade lá tiveram o seu pequeno (ou grande) papel, mas a crítica foi tão severa que nunca mais conseguiram voltar a pôr os pés num estúdio. Mesmo assim, a maior parte dos actores que conseguem entrar na indústria não se quedam por apenas um filme, mesmo que a sua filmografia seja constituída de filmes foleiros e papéis que ninguém vê.

Agora o que já não é nada, nada normal é o caso de actores que apenas entraram num único filme em toda a sua vida, mas que nunca foram esquecidos. Pelo contrário, porque só interpretaram um papel que se tornou icónico, ou porque lhes deu prémios a ganhar, ou porque o filme em que entraram se tornou de culto, estes actores atingiram um verdadeiro estatuto lendário. São como os heróis do velho Oeste interpretados por Clint Eastwood. Um dia chegaram por entre a brisa, actuaram, e desapareceram no horizonte, para viver vidas anónimas, com outras profissões, longe das luzes da ribalta.

Depois de há uns tempos ter apresentado o Top de 'Actores e Actrizes que atingiram a imortalidade entrando em 10 filmes ou menos', um top que incluiu nomes como Grace Kelly, Jack Tati ou James Dean, chega a vez de ir mais longe e apresentar um Top dedicado àqueles actores que só entraram num único filme lançado no grande ecrã. Uns mais talentosos do que outros, é certo. Mas todos lendas da sétima arte, à sua própria maneira.


Sarah Pickering - ‘Little Dorrit’ (1987)
Um filme, um papel principal numa obra nomeada para 2 Óscares


Sarah Pickering é um daqueles exemplos de uma child star que ganhou um cobiçado casting, fez uma única obra e nunca mais foi vista no grande ou no pequeno ecrã. A obra foi a mega adaptação (quase 6 horas!) do clássico ‘Little Dorrit’ (1987) de Charles Dickens, que conseguiu ser nomeada para dois Óscares, incluindo Melhor Actor Secundário para Alec Guinness. E a pequena Sarah interpretou nada mais nada menos que o papel principal da pequena Dorrit. Fê-lo com distinção? Não faço ideia. Nunca a vi este filme. Mas houve um crítico que especulou que foi por Sarah ter interpretado esta personagem introspectiva e pouco charmosa demasiado bem, e portanto não ter chamado as atenções para si própria, que causou a falta de interesse que provavelmente destruiu a sua carreira. Quem sabe? Hoje, pouco se consegue encontrar sobre ela. De acordo com o imdb, agora é agente numa empresa que produz trabalhos de voz para documentários e anúncios televisivos. Mas não é qualquer pessoa que consegue ser a title character de um filme de seis horas nomeado para dois Óscares. Sarah foi-o e nunca ninguém lhe tirará isso.


Emmanuel Schotté - ‘L'humanité’ (1999)
Um filme, um prémio em Cannes para Melhor Actor


Depois de sair do exército e ficar desempregado, por qualquer artifício misterioso Emmanuel Schotté acabou por ser escolhido para o papel principal do filme ‘L'humanité’ (1999) de Bruno Dumont. O filme, que nunca vi, conta a história da investigação do assassínio de uma rapariga de 11 anos numa pacata aldeia francesa, e Schotté assumiu o papel de inspector da polícia. OK. Até aqui tudo bem. O realizador viu no seu rosto o que pretendia para a personagem. É compreensível. Já aconteceu noutras ocasiões. Mas o que é menos compreensível foi o que aconteceu a seguir. Na cerimónia de Cannes, este amador foi o vencedor surpresa do prémio de Melhor Actor. Inúmeros críticos não gostaram e chegaram até a vaiar a entrega do prémio. Talvez por isso, Schotté nunca mais esteve perto das luzes da ribalta. ‘L'humanité’ permanece, até hoje, a sua única obra. Isto é o que se chama eficácia.


John Sweet - 'A Canterbury Tale’ (1944)
Um filme, um papel principal numa bem-amada obra inglesa do período da Segunda Guerra Mundial


John Sweet era um sargento do exército americano que estava a servir no Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Não sendo um actor profissional, fazia mesmo assim um pouco de teatro amador e foi aí que o célebre realizador Michael Powell o descobriu, no preciso momento em que procurava alguém que pudesse interpretar um soldado americano numa das suas múltiplas obras-primas deste período: 'A Canterbury Tale’ (1944). O filme, já criticado em EU SOU CINEMA é, como lhe chamei, “maravilhoso, quase até ao ponto de ser surrealmente maravilhoso”, e Sweet corresponde com o seu delicioso sotaque campónio e a sua presença plácida e cómica, mas nunca caricata. Como um soldado em exercício de funções, Sweet não podia acumular salários, pelo que doou os seus honorários de 2 mil dólares à NAACP, uma associação de apoio à comunidade afro-americana; um gesto que, para 1944, foi bastante ousado. Depois da Guerra, Sweet regressou aos Estados Unidos e após algumas experiências pouco sucedidas nos palcos, voltou à profissão que tinha antes do conflito: professor. 'A Canterbury Tale’ (1944) manter-se-ia, até à sua morte em 2011, o único filme em que entrou. É pena. Tinha talento cómico.


Nadine Nortier - ‘Mouchette’ (1967)
Um filme, um papel principal numa obra-prima de Bresson


Se não viu o filme francês ‘Mouchette’ (1967) de Robert Bresson, caro leitor, devia ver. Eu vi-o numa sessão da RTP2 aqui há uns anos e fiquei bastante surpreendido com a enorme qualidade, quase inglória, do filme. É uma pequenita obra-prima sobre uma pequena pobre rapariga do campo que é abusada de várias formas pela maior parte das pessoas que a rodeiam. A obra é quase insuportavelmente contida e simples, no genial estilo minimalista e semi-realista do seu realizador. E é quase tão infantil e inocente como a sua personagem principal, a pequena Mouchette, interpretada, no seu único papel no cinema, por Nadine Nortier. Bresson muitas vezes usava actores amadores, mas Nortier é um autêntico mistério. A internet não tem absolutamente nada sobre ela; de onde veio, para onde foi, o que faz agora ou se sequer está viva. Encontrei agora uma consultora no linkedin com esse nome que poderá ser ela, já que o rosto, muito mais velho, parece ser o mesmo… Seja ou não seja, resta a sua interpretação tímida e minimalista em ‘Mouchette’ quando tinha 18 anos de idade, como o seu grande legado ao mundo das artes…


Harold Russell - ‘The Best Years of Our Lives’ (1946)
Um filme, um Óscar de Melhor Actor Secundário e um Óscar Honorário


Este nome que não devia estar aqui porque tecnicamente, Harold Russell entrou em três filmes, e não apenas um. Mas é como se apenas tivesse feito um por isso permitam-me esta pequena aldrabice. Russell mantém, até hoje, um feito inalcançável: venceu não um, mas dois Óscares (um de Melhor Actor Secundário e outro Honorário) pelo único filme que verdadeiramente fez. O filme foi o drama ‘The Best Years of Our Lives’ (1946) onde Russell tem uma comovente interpretação, praticamente como ele próprio. Como soldado, Russell perdeu as duas mãos durante a Guerra (embora não em combate, mas com um engenho explosivo numa base militar) e portanto teve de aprender a usar uns ganchos experimentais na ponta de cada braço. É esta pungência que trás ao seu papel neste filme; um tímido soldado, com ganchos em vez de mãos, que se tenta adaptar à vida do pós-Guerra. Claro que é fácil dizermos que o Óscar de Melhor Actor Secundário lhe foi atribuído por simpatia. Mas é só vermos o filme para percebermos que não foi. O miúdo tinha mesmo talento e o tragicismo necessário. A inscrição no Óscar Honorário que recebeu nesse mesmo ano dizia “Por ter trazido esperança e coragem aos seus colegas veteranos pela sua aparição em ‘The Best Years of Our Lives’”. Verdade. E essa causa, a dos veteranos de Guerra, seria o centro da sua vida, bem longe dos ecrãs. Só na terceira idade é que teria papéis secundários em dois filmes, ‘Inside Moves’ (1980) e ‘Dogtown’ (1997). Mas realmente contam? Hummmm. Não. Russell fez um filme e ganhou dois Óscars. E mais nada.


Danny Lloyd - ‘The Shining’ (1980) 
Um filme, um papel icónico numa obra prima de terror


Entrar num dos melhores filmes de terror alguma vez feitos aos 6 anos de idade não é coisa fácil. Mas foi precisamente isso que fez o pequeno Danny Lloyd, o inesquecível miúdo de ‘The Shining’ (1980) de Kubrick. O grande mestre seleccionou Danny para o papel pois foi aquele que conseguiu manter-se concentrado por maiores períodos de tempo durante a audição. Reza a lenda que Kubrick e a restante equipa esconderam de Danny durante toda a filmagem que estava a entrar num filme de terror, embora isso pareça algo difícil de acreditar quando vemos algumas cenas como aquela em que o miúdo tem uma espécie de ataque epiléptico ou a famosa fala do "Redrum". Dois anos depois, Danny entrou num pequeno telefilme chamado ‘Will: The Autobiography of G. Gordon Liddy’ (1982), mas esse seria o seu último papel à frente de uma câmara. Aos 9 anos de idade, Danny disse adeus ao cinema, prosseguiu com os estudos e hoje é professor de Ciências e Biologia. Já afirmou mais do que uma vez que não tem interesse em voltar a fazer filmes. Porque tinha 6 anos, provavelmente pouco se lembrará das filmagens de ‘The Shining’. Ou então trabalhar com Kubrick neste filme foi um trauma para a vida, o que é bem capaz de ser verdade. Especialmente, digo eu, depois de algures mais velho ter visto o resultado final! Coitado do jovem. Redrum! Redrum!


Frank Silva - 'Twin Peaks: Fire Walk with Me’ (1992)
Um filme, um lugar no ranking dos vilões mais assustadores de sempre


Frank Silva era apenas um técnico de bastidores. Trabalhava com adereços. Trabalhava com iluminação. Mas a aparência de Frank não era propriamente a mais comum, com uma cara cumprida, os cabelos longos e desgrenhados, os olhos penetrantes e a boca grande. E os filmes nos quais trabalhava também não eram de um realizador qualquer. Eram de David Lynch. Depois de ter trabalhado em filmes como ‘Dune’ (1984), ‘Blue Velvet’ (1986) ou ‘Wild at Heart’ (1990), Silva voltou a colaborar com Lynch no episódio-piloto da série que se tornaria ‘Twin Peaks’. Reza a lenda que, enquanto fazia ajustes ao cenário do quarto de Laura Palmer, o próprio Lynch se assustou quando viu o seu reflexo no espelho. E foi assim que Lynch lhe decidiu dar um importantíssimo papel na série, o do assustador Bob, gelando-nos a espinha cada vez que aparece como, supostamente, terá gelado a de Lynch (o que não deve ter sido coisa fácil!). Portanto, tecnicamente, Silva tem apenas dois créditos como actor; como Bob na série ‘Twin Peaks’ e como Bob num único filme, 'Twin Peaks: Fire Walk with Me’ (1992). Silva viria a falecer com SIDA aos 45 anos de idade em 1995, mas por esta altura já tinha obtido um estatuto icónico entre os fãs da série, um estatuto que dificilmente perderá. Não é só a aparência que conta. É o que se faz com ela. 


Charmian Carr - ‘The Sound of Music’ (1965)
Um filme, um lugar eterno na família mais famosa da sétima arte


Charmian nasceu numa família do mundo do espectáculo. A sua mãe era actriz de vaudeville e o seu pai era músico. Mas nunca realmente trabalhou nesse mundo até chegar aos 23 anos. Na realidade, trabalhava como assistente num consultório médico quando uma amiga da mãe a convidou para uma audição. Charmian bateu actrizes que se tornariam famosas como Patty Duke, Mia Farrow e Sharon Tate e obteve o cobiçado papel de Liesl, a filha mais velha da família Von Trapp no eterno 'The Sound of Music' (1965). A sua beleza ansiosa encheu o ecrã, principalmente na memorável cena em que canta que tem “16 anos a caminho dos 17”. Mas o que parecia o início de uma carreira promissora nunca se materializou. Charmian apenas teve tempo de filmar um pequeno telefilme de uma hora, ‘Evening Primrose’ (1966), ao lado de Anthony Perkins, antes de abdicar completamente da carreira na sétima arte. Enquanto promovia ‘The Sound of Music’ à volta do mundo, encontrou o amor e casou. Na boa tradição americana, deixou de trabalhar e deu à luz duas raparigas. Só muito mais tarde, quando as filhas cresceram, é que encontrou uma nova profissão: decoradora de interiores. Mas sinceramente, ninguém quer saber disso. 'Forever Liesl', publicado nos anos 1990, é o mais do que adequado nome da sua autobiografia e sintetiza na perfeição o seu legado. Faleceria há cerca de um ano, em Setembro de 2016. Mas na realidade, nunca deixou de ter 16 anos de idade, no imaginário de todos os cinéfilos.


Peter Ostrum - ‘Willy Wonka & the Chocolate Factory’ (1971)
Um filme, um lugar cativo no ranking das mais bem amadas crianças da história do cinema


A história de Peter Ostrum é muito semelhante à de Carrie Henn ou Danny Lloyd desta lista. Aos 14 anos de idade, Ostrum venceu o casting para interpretar o papel de Charlie no original ‘Willy Wonka & the Chocolate Factory’ (1971) ao lado de Gene Wilder. O seu entusiasmo juvenil e os seus cabelos loiros aproximavam-no do estilo dos miúdos ‘Disney’ da época, e a sua interpretação é ainda hoje muito querida dos fãs, tal como o filme. Mas terminadas as filmagens regressou à escola e por lá ficou, recusando até um contrato para fazer mais três filmes. Segundo o próprio, os seus pais nunca o pressionaram para voltar a Hollywood e portanto continuou a estudar para poder decidir o que queria fazer com o seu futuro. Só uma vez, diz, tentou voltar ao mundo do espectáculo, quando foi a um casting na Broadway para um papel que lhe interessava. Mas como não o obteve, continuou a tirar o curso de Veterinária. Nunca se arrependeu e hoje é um médico conceituado nessa especialidade. Fica para sempre a fotografia da sua inocência e juventude num dos filmes para a família mais ternos que Hollywood jamais produziu. 


Carrie Henn - ‘Aliens’ (1986) 
Um filme, um seguimento de culto nas Comic Cons de hoje até ao fim dos tempos


Carrie Henn foi, é, e provavelmente continuará sempre a ser uma lenda para todos os fãs do cinema de terror e ficção científica; ainda mais icónica que o supracitado Danny Lloyd. Aos 10 anos de idade foi ao casting de um dos mais cobiçados papéis infantis do ano; a pequena Newt em ‘Aliens’ (1986) de James Cameron, depois de uns agentes de casting lhe terem tirado uma fotografia na cafetaria da sua escola. Sem qualquer anterior experiência como actriz, Henn deu uma interpretação primorosa como a órfã abandonada na colónia espacial que sobrevive ao ataque dos Aliens ao lado de Sigourney Weaver. Essa interpretação valeu-lhe o Prémio Saturno para Jovem Actriz, mas em vez de seguir o trajecto usual das child stars, Henn continuou na escola e não teve interesse em voltar ao cinema, mesmo depois de se graduar. Hoje é professora, muito embora nunca se importe de aparecer em Comic Cons e em celebrações e documentários retrospectivos sobre a saga Alien. O seu único crédito como actriz, contudo, permanece esse momento no tempo, aos 10 anos de idade. E nós agradecemos, porque não conseguimos imaginar qualquer outra Newt. 

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Quem escreve

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Miguel. Portuense. Nasceu quando era novo e isso só lhe fez bem aos ossos. Agora, com 31 anos, ainda está para as curvas. O primeiro filme que viu no cinema foi A Pequena Sereia, quando tinha 5 anos, o que explica muita coisa. Desde aí, olhou sempre para trás e a história do cinema tornou-se a sua história. Pode ser que um dia consiga fazer disto vida, mas até lá, está aqui para se divertir, e partilhar com o insuspeito leitor aquilo que sente e é, quando vê Cinema.

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